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Controlo social: meios de comunicaçom

Quarta-feira, 2 Março 2011

Iñaki Gil de San Vicente

As ideias que vou expor e desenvolver sobre os meios de comunicaçom som muito simples e diretas e é por isso polo que acho que se lhes deve emprestar umha especial atençom. Nom há que esquecer que a indústria político-midiática que sofremos as pessoas que formamos a sociedade basca é um dos principais instrumentos do poder capitalista, espanhol e patriarcal, que intervém de forma ativa na política de dominaçom desenhada e desenvolvida polos governos de Madrid e Paris. Antes de desenvolver a análise, é importante remarcar que este tipo de indústria é um instrumento importante, mais um dentro da ampla estratégia de guerra desenvolvida polos imperialismos neofranquista e jacobino, mas isto nom implica que todas as pessoas que a formam sejam plena e lucidamente conscientes do papel que jogam, dado que tais pessoas chegam a interiorizar e justificar essas funçons em nome de umha suposta defesa das “liberdades de imprensa”. Nom há que esquecer que umha estratégia repetidamente utilizada pola burguesia é a de confundir e subverter as causas e efeitos dos problemas sociais, de maneira que opressor e oprimido cheguem a intercambiar roles.

A indústria político-mediática que age em Euskal Herria tem três caraterísticas que se repetem no tempo: é umha imprensa estrangeira, age e pensa com o objetivo de submeter um povo rebelde que consideram inferior em todos os aspetos, neste caso, o povo basco, embora seja extrapolável a outras latitudes.

Como segundo ponto, tentam minimizar, ignorar e destruir por qualquer método, as tentativas de pensamento ou reflexom sobre a história de Euskal Herria, tentando que a nossa história nom seja um elemento dinamizador e reivindicativo para a construçom nacional de um Estado basco. Além disso, som uns meios de “comunicaçom” machistas e ao serviço de um capitalismo cego.

Relativamente à imprensa que está ao serviço da burguesia nativa, pode-se dizer que as caraterísticas som parecidas, embora ligeiramente suavizadas pola necessidade de diferenciaçom, dadas as caraterísticas da massa de votantes dos partidos que os sustentam. O que essencialmente procuram todos os meios de comunicaçom em Euskal Herria é fundamentalmente romper a solidariedade comunitária do povo basco, a sua identidade, destruir a sua base de autoconsciência.

Mas todo isto que se descreve nom é umha inovaçom ou um descobrimiento dos governos espanhóis. Se repassarmos a história da Europa e dos Estados Unidos, podemos ver que desde que se criárom os meios de comunicaçom, os governantes demonstrárom as sus ánsias e necessidades para os controlarem e utilizar para os seus fins. Para isto se transmitem e utilizam as ferramentas que forem precisas, invocam-se razons de Estado (tanto interior como exterior), criam-se critérios históricos para conseguir umha avaliaçom particular dos fatos históricos, chegando por último até a mistificaçom de todo aquilo que tiver umha “imagem de poder”.

Silenciam-se, como norma, os problemas externos em funçom dos interesses de Estado, magnificando-os ou ignorando-os segundo as necessidades do momento. No nosso caso, o comportamento da imprensa basca é alarmante dada a colaboraçom ativa e voluntária que desenvolve de forma sistemática na criminalizaçom de todo o basco, tendo como norma a realizaçom de umha exaltaçom cega da “democracia espanhola”.

A recriaçom do nacionalismo espanhol é umha constante na indústria política-mediática, baseada na exaltaçom do espanhol (dando-lhe um sentido de moderno e europeu), minusvalorizando todo o que puder soar a originário da naçom ou povo oprimido (nesta questom é gráfico e ilustrativo vermos como um jornal “esquerdista” como se supom que é o El País trata todos os temas relacionados com os aborigens sul-americanos).

Botando a olhada atrás no tempo, podemos comprovar que é no século XVIII quando se começou a acelerar de forma definitiva o processo de subsunçom da imprensa “livre” em benefício dos valores capitalistas. É nessa época que se começa com a transformaçom dos meios de umha imprensa de intercámbio de opinions a umha imprensa comercial. O contributo é conseguir dar-lhe um formato que dissimule os objetivos de manipulaçom face a pessoa que recebe essa mensagem.

Mas o controlo da imprensa e a sua repressom nom é algo novo, já no reino de França, Jean Baptiste Colbert (ministro de Luís XIV na corte de Paris) endureceu a liberdade de imprensa de maneira que se reduziu drasticamente o número de jornais com o fim de ter um controlo dos mesmos muito mais estrito, e todo isto mediante a impartiçom de dádivas que ganhavam a obediência e agradecimentos dos jornalistas para um uso partidista e interessado dos postos nos meios de comunicaçom governamentais.

Mais adiante desenvolveu-se o impressionante sistema de ideologizaçom, controlo social, vigiláncia e repressom, posto em andamento por Napoleom I, impondo aliás um sistema muito eficaz de espionagem interna e, sobretodo, de fabricaçom e propagaçom de rumores de todo o tipo em benefício sempre do poder, e é que tanto ontem como hoje a imprensa estivo controlada polas classes dominantes do Estado, dado que som as únicas que normalmente disponhem das ferramientas e mecanismos para reter o poder.

Mas, melhor do que nós, pode-o exprimir um jornalista da época. Em 1880, John Swinton escrevia: “Nom existe na América imprensa livre nem independente. Vocês sabem-no tanto como eu. Nengum de vocês se atreve a escrever a sua opiniom honestamente e sabem também que se o fam nom serám publicadas. Pagam-me um salário para que nom publique as minhas opinions e todos sabemos que se nos aventuramos a fazê-lo encontraremo-nos na rua imediatamente. O trabalho do jornalista é a destruiçom da verdade, a mentira patente, a perversom dos factos e a manipulaçom da opiniom ao serviço das Potências do Dinheiro. Somos os instrumentos obedientes dos Poderosos e dos Ricos que movem as cordas trás bastidores. Os nossos talentos, as nossas faculdades e as nossas vidas pertencem-lhes. Somos prostitutas do intelecto. Todo isto sabem-no vocês igual que eu”.

C. Taufic definiu os jornalistas como “políticos em açom, independentemente de que se amparassem num “confuso apoliticismo”, dado que fam parte (ontem, hoje e se nom mudar a situaçom também amanhá) da açom política estatal entendida na sua conceçom mais geral. […] Os jornalistas som, portanto, políticos; e ainda mais, políticos profissionais”. Este critério definidor da política -critério marxista- permite compreender a natureza política da indústria mediática, embora, aparentemente, e a primeira vista, esta indústria nom se sente diretamente nos assentos parlamentares.

Procura-se o aperfeiçonamento na interaçom entre política estatal e política da indústria mediática, dado que de dita interaçom deverám obter-se os melhores resultados possíveis em todo o relacionado com o controlo monopolístico do “mercado infomático”. Mas a colaboraçom é bilateral. As ajudas da política estatal à política interna da indústria da manipulaçom exprimem-se em leis emanadas desde os gabinetes legislativos que procuram o endurecimento da própria exploraçom do trabalhador (independentemente do seu posto) por parte da elite dirigente, com o objetivo de manter a ordem interna nas “fábricas de notícias”. O endurecimento, a deterioraçom e a precarizaçom das condiçons de trabalho na própria indústria midiática, com a absorçom imparável de mercados, modernizaçons e criaçom de outros novos mercados, corresponde à própria lógica repressiva do sistema imperialista atual, em que, por exemplo, é impossível separar os interesses das grandes indústrias mediáticas dos interesses da indústria militar dos Estados ocidentais. Complexos militares que disponhem de empresas mediáticas ao seu serviço, chegando a dar-se a situaçom de que os cinco líderes mediáticos do Estado francês acaparam a metade da quota de negócios, pertencendo todos esses cabeçalhos a empresários que controlam também o negócio da morte.

Se se analisar quais som os interesses da indústria politico-midiática podemos comprovar claramente que a tendência atual consiste em atrair a totalidade dos setores ideológicos face as órbitas do mercado, quer dizer, que a indústria mediática nom deixa de ser empregada mais do que como umha engrenagem em toda essa maquinaria que é o capitalismo e que está baseado no movimento contínuo de mercadorias para a extraçom da mais-valia.

Umha das constantes essenciais da indústria político-mediática que se repete é o desprezo manifesto que tenhem os seus diretivos face a capacidade crítica e de pensamiento livre e independente das classes exploradas. Acham que somos borregos dispostos a tragar absolutamente toda a bazófia reacionária que produz maciçamente a sua indústria, convenientemente envolvida numha demagogia pseudodemocrática que no fundo quer dissimular umha conceçom sabiamente manipuladora.

Dito desprezo nasce de duas razons: umha, da crença da superioridade absoluta de quem realizam o “trabalho inteletual” sobre os que realizam “trabalho manual”. A outra razom está relacionada com a reduçom da massa “ignorante e inculta” a simples consumidores passivos das mercadorias da indústria midiática, recetores crédulos e emocionalmente manipuláveis. Este desprezo ajuda a explicar que a imprensa nom duvide em anular toda criatividade original e enriquecedora dada a falta de necessidade que tenhem por criar algo novo para um mercado que despreza, exceto os produtos realizados para certos consumidores considerados como seletos, cultos ou burgueses.

Nom esqueçamos que este tipo de imprensa-indústria baseia os seus métodos na repetiçom sistemática das mesmas cousas simplificadas até o extremo para conseguir a descontextualizaçom das ideias, anulando toda criatividade original e enriquecedora.

Comentou-se que desde a apariçom da internet nunca as pessoas da rua, o cidadao normal, tivo acesso a tal quantidade de informaçom. Mas, se analisarmos dita informaçom vemos logo que a maioria está “construida” polos grandes trusts da indústria midiática, oferecendo o mesmo ponto de vista, recorrendo às mesmas fontes, idênticas imagens e fotografias, chegando à vulgarizaçom de todos os temas para que o cidadao tenha umha informaçom parcial e interesseira, extraídas de umhas fontes manipuladas e cerceadas, informaçom para a que a pessoa nom está preparada, chegando a absorver os pontos de vista criados polos manipuladores da indústria mediática.

Mas, além do dito, está a exploraçom inacabável da jazida que é a falta de sensibilidade. A indústria mediática fabrica novas sensibilidades sociais às que disfarça de liberdade, consoante os interesses das forças dominantes no momento. O objetivo da desestructuraçom da solidariedade social é vital para um Estado totalitário (embora maquilhado com a bandeira da democracia) que conduz para umha visom do mundo psicologizada e despolitizada para que lhe permita fazer acreditar ao cidadao que a identidade pessoal nom depende das relaçons sociais, já que todo é questom de estilo, moda, de estética atemporária. O mito consumista da própria imagem consistiria, pois, em que ser um mesmo radica em nom estar sujeito a imperativos, compromissos e condicionamentos sociais, mas em ser capaz de representar bem múltiplos papeis, em eleger identidades ilimitadas. Trata-se de pôr no mercado de compra-venda a imagem de nós mesmos.

Pormo-nos nós próprios, desta maneira, no mercado da imagem como objetos em venda exige aceitarmos a ditadura absoluta deste mercado sobre a nossa identidade, de modo a nos vermos obrigados/as a construir a nossa imagem segundo os desígnios desse mercado, para passarmos numha fase posterior, limitando-nos a levar a imagem de nós que construiu a indústria da imagem. Assim, fecha-se o círculo da manipulaçom.

Para luitarmos contra isto, devemos ser conscientes do papel que jogam os meios de comunicaçom e luitar para contrarrestrar os seus efeitos. Em Euskal Herria temos suficientes ases na manga para desmontar essa manipulaçom. Nos últimos 25 anos, atingimos a derrota do plano ZEN, continuamos na luita pola nossa libertaçom socialista e euskaldum, além de antipatriarcal, mediante um Estado obreiro independente no marco de umha República socialista basca.