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Ainda sindicalismo?

Quarta-feira, 29 Dezembro 2010

Daniel Lourenço Mirom

Som insistentes os que a partir de posiçons aparentemente antagónicas tenhem insistido nos últimos tempos na defunçom do sindicalismo. O sindicato, afirmam, como ferramenta protagónica de organizaçom e luita obreira no centro de trabalho perdeu, se algumha vez a tivo, toda utilidade. Com sisudos diagnósticos ou simples exabruptos políticos tratam de encerrar quase douscentos anos de história do movimento obreiro.

As críticas da direita política e os seus porta-vozes mediáticos som bem conhecidas. A última campanha de desligitimaçom, desta vez a conta dos liberados, nom varia substancialmente das que com maior ou menor intensidade alimentam desde que na década de setenta do passado século se iniciou a recessom económica. Os efeitos da crise actual que sofremos e a necessidade de disciplinarem mais umha vez a classe obreira no quadro de umha alarmante degradaçom das suas condiçons de vida, explicam a virulência e intensidade que tem tomado o último capítulo desta permanente campanha de assédio às organizaçons sindicais.

Mais novos, polo menos aparentemente, som os que a partir de posiçons de esquerda, mesmo de pretensa esquerda anticapitalista, se empenhárom numha operaçom em que chamavam a fugir dos sindicatos, isso sim, sem apresentarem qualquer outra alternativa. Foi essa a proposta suicida que na Galiza assumírom como própria e inovadora sectores do independentismo e que, se bem nom alcançou significativas adesons, conseguiu certo impacto num movimento ideologicamente vulnerável e imaturo como é o nosso. Numha fraudulenta manobra da pior tradiçom oportunista, disfarçárom as limitaçons para se dotarem de umha mínima e estável introduçom no movimento obreiro com as já velhas propostas do reformismo pós-marxista, ainda que melhor seja dizer antimarxistas, partidárias de abandonar a intervençom política e, por extensom, a intervençom sindical por se dirigir a um sujeito, o proletariado, diluído pola imparável voracidade do capitalismo.

Os próprios acontecimentos e o incremento das tensons classistas, no contexto de crise que vivemos, evidenciárom a fragilidade da operaçom e a maioria dos que a defendêrom ainda continuam na sua fugida, supomos que preparando umha nova pirueta do seu interminável viagem a nengumha parte.

O certo, mui a pesar dos que tentárom certificar a sua morte, é que o protagonismo político e social dos sindicatos na Galiza é incontestável. A vitalidade e influência destas organizaçons, mesmo das que praticam abertamente o sindicalismo de perfil antiobreiro e ainda num contexto com altos níveis de desprestígio da actividade social e política, é mui considerável. O importante impacto da greve geral do passado 29 de setembro e os numerosos conflitos laborais de maior ou menor intensidade que protagonizam os sindicatos por todo a nossa geografia, assim o evidenciam.

Porém, que sindicalismo?

Com todas as suas contradiçons, é aos sindicatos às organizaçons que de forma maioritária @s trabalhadoras/es acodem para a defesa dos seus direitos e conquistas. É assim em todo o mundo, desde práticamente o nascimento do capitalismo e continua a ser assim ainda hoje na Galiza de inícios do século XXI. E mais: ainda nom houvo acontecimento ou experiência que demonstrasse que fosse possível a superaçom deste velho modelo organizativo que ocupa a centralidade da luita obreira.

Porém, seria um erro que, partindo da utilidade desta ferramenta que som os sindicatos, fechássemos os olhos diante de umha realidade que, por conhecida, nom deixa de ser alarmante. O imparável processo de institucionalizaçom das organizaçons sindicais, a sua crescente burocratizaçom, o seu submetimento e fagocitaçom por parte dos partidos sistémicos ou as evidentes dificuldades para enfrentarem as novidades organizativas e culturais operadas nas últimas décadas no mundo do trabalho, som alguns dos reptos que ameaçam a sobrevivência deste instrumento da auto-organizaçom obreira e que devemos encarar com urgência.

Nom som reptos novos, antes ao contrário. Na última crise económica severa, fôrom muitas as vozes que alertárom sem êxito da perigosa direcçom que tomara o sindicalismo maioritário na altura. Hoje, também no quadro de umha crise de conseqüências imprevisíveis, acrescenta-se a ameaça do submetimento da tradiçom combativa do sindicalismo nacional de classe. A atitude irresponsável da sua direcçom, que decidiu ligar a sorte da CIG as estratégias do sindicalismo espanhol, parece decidida a nom o evitar. Ao invés, parece interessada em acelerar o processo.

Ainda que a actual direcçom da CIG pareça empenhada em dirigir o projecto para o abismo, devemos reconhecer a existência de umha base objectiva na actual fase do desenvolvimento do capitalismo que possibilita o fenómeno da institucionalizaçom sindical. O paradigma do desenvolvimento sindical em três fases de proibiçom, tolerância e reconhecimento, soma hoje umha quarta, a institucionalizaçom fatal das organizaçons apostam na centralidade da colaboraçom e dos pactos sociais, em detrimento da conscientizaçom e a acumulaçom de forças para o combate. Mal faríamos em nos considerarmos imunes perante a recorrente manifestaçom deste fenómeno em todo o planeta e sobre todas as formas de organizaçons sindicais.

É certo que a identidade do sindicalismo nacional e de classe se fraguou precisamente em confronto com o modelo burocratizado do sindicalismo espanhol e que a existe umha clara linha divisória entre a prática antiobreira de CCOO e UGT e o perfil combativo que ainda sobrevive na CIG e que, além do mais, é amplamente detectado e reconhecido no seio da nossa classe obreira. Porém, a linha que nos separa do sindicalismo oficial já nom é tam nítida e há indícios avondo que nos obrigam a acendermos os sinais de alarme. A lógica da negociaçom colectiva, que goza de maior centralidade do que nunca na CIG, pressiona constante e indefectivelmente para a assunçom do “realismo”, do papel de facilitador de equilíbrio social, do clima propício para a negociaçom e, logo a seguir, de factor para a sustentaçom da ordem burguesa. E nom só. O abafante peso do corpo de liberad@s, que limitam a participaçom d@s filiad@s na direcçom e actividade sindical, e a assunçom de obrigaçons de tipo assistencial, principalmente a formaçom, em troca do financiamento estatal, reforçam a disjuntiva e ameaçam com quebrar o frágil equilíbrio em que a actual direcçom da CIG colocou a central sindical.

Frente à actual crise estrutural do capitalismo e a aposta da burguesia por derrotar e disciplinar a força de trabalho, som mais necessárias do que nunca forças classistas com o horizonte colocado na superaçom do capitalismo. Devemos recuperar e modernizar o projecto histórico do sindicalismo galego sobre as bases da insubornável independência de classe, da hegemonia proletária, da prática combativa centrada na mobilizaçom obreira, do horizonte da consecuçom da independência e a construçom do socialismo e da democracia operária.

Que a renovaçom do projecto se construa sobre estas firmes alicerces, que devem estar dotados de carácter fundante e motivante, nom implica a desprezo polas reivindicaçons específicas e mínimas de cada segemento da nossa classe. Ao contrário. Da ligaçom entre a dimensom destas bases e a da correcta e permanente intervençom nas luitas polas reivindicaçons imediatas, nasce a perfecta simbiose que configura a luita sindical. Toda luita, por pequena que for, necessita ser referenciada e incorporada na estratégia sindical de luita contra o capitalismo e as suas agressons.

É diante destes desafios e neste contexto que se nos exige tomarmos partido. Ou enfrentamos e superamos tal decisivo envite ou se resolverá por si próprio pola negativa, soterrando a heróica tradiçom do sindicalismo nacional e de classe.