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Intervençom de Alberte Moço, porta-voz nacional de NÓS-UP no acto contra a constituiçom espanhola

Segunda-feira, 6 Dezembro 2010

Alberte Moço

Dá que pensar, companheiras e companheiros. Dá que pensar que um texto legal necessite ser legitimado dedicando-lhe um dia feriado anual, para além do bombardeamento sistemático e implacável nos meios de comunicaçom a que já estamos afeitas. Mas isso sim, a questom tende a esclarecer-se quando conhecemos os conteúdos do referido texto.

Que nos di a Constituiçom espanhola de 1978? Pois entre outras cousas di-nos o seguinte:

Primeiro, di-nos que as galegas e os galegos somos súbditos do Rei de Espanha, que ele é o Chefe do Estado e que quem questionar esta relaçom de poder receberá o seu castigo. Perguntai aos companheiros Tiago e Álex, que vos contem a quanto sai ter opiniom própria sobre este elemento.

Segundo, di-nos que as trabalhadoras e os trabalhadores temos que vender a nossa força de trabalho aos patrons, que eles podem acumular Capital enquanto nós acumulamos miséria, que podem viver do nosso suor porque tenhem direito à propriedade privada, a comprar e vender todo o que quigerem, incluídos os meios de produçom dos quais depende toda a sociedade.

Terceiro, di-nos que a Galiza é umha regiom de Espanha -isso di a Constituiçom espanhola!-, que carecemos de capacidade para decidirmos o nosso futuro, que a soberania nacional é umha cousa reservada aos espanhóis e que se nom gostarmos disto teremos que enfrentar-nos com o seu exército.

Todo isso di a Constituiçom que os espanhóis aprovárom em 1978. E digo os espanhóis, porque o nosso povo nom aprovou essa Constituiçom, porque apenas 44% dos galegos e galegas votárom ‘sim’ quando fôrom consultadas. E isso segundo nos conta o sistema eleitoral espanhol, e já conhecemos, mesmo em primeira pessoa, a sua particular inclinaçom à fraude a grande escala.

Estou a falar-vos do resultado do referendo de 1978, porque isto é algo que costumamos fazer para questionar a legitimidade da legislaçom que nos foi imposta, mas reparai numha cousa: passárom 32 anos menos dous dias desde aquela… 32 anos! Boa parte das que estamos aqui já nom é que nom tenhamos votado, é que nem tínhamos nascido! A mim nunca me perguntárom a minha opiniom sobre essa Constituiçom e talvez tenham feito bem, porque se perguntassem já sabedes o que lhes íamos responder: que esta Constituiçom nom nos serve, que nom queremos ser súbditos do rei que Franco nomeou,  que nom queremos Capitalismo nem livre mercado; responderíamos, por enésima vez, que nom queremos autonomia, que o que queremos é simplesmente a Independência Nacional.

Visto deste jeito, já nom surpreendem tanto os esforços do regime por vender-nos as bondades dessa democracia que nom é tal, que nom é mais do que a ditadura da burguesia sustentada no submetimento dos povos como o nosso e na exploraçom das mulheres.

Mas o que sim surpreende, o que nom pode deixar de fazer-nos ferver o sangue, é o descaramento com que aqueles que se autoproclamam defensores dos nossos interesses defendem, justificam ou toleram semelhante aberraçom. Nom podemos deixar de denunciar o nefasto papel histórico dum regionalismo que transitou da negativa a aceitar as imposiçons da restaurçom bourbónica a aceitar como inevitável o actual quadro jurídico-político e a reduzir as aspiraçons emancipadoras do nosso povo a umha burda caricatura, que abandonou um programa transformador para abraçar a perversa lógica do “peso em Madrid”, do “Estatuto de Nazón” (com zeta) e da sorridente foto oficial junto a Juan Carlos Primero. E o grave do assunto nom é apenas a degeneraçom que padeceu o nacionalismo oficial até se converter no patético refugalho que conhecemos, pois projectos como o que representa a Unidade Popular estám aqui para ocupar esse espaço, o grave é que polo caminho conseguírom arrastar na sua queda umha parte importante das energias militantes e dos movimentos populares que há três décadas se negavam a assumir o tránsito para a nova forma de ditadura que nos foi imposta. O grave é que conseguírom convencer parte das bases sociais da esquerda nacional de que já nom era possível atingir a liberdade, de que a rebeldia nom conduzia a nengum sítio, de que nom havia mais remédio que repartir-se as migalhas que Espanha nos deixou.

Pois companheiras e companheiros, precisamente é aí onde começa a nossa responsabilidade como movimento, em devolver ao nosso Povo a confiança em que a libertaçom nacional, a aboliçom do Patriarcado e a construçom do Socialismo som hoje tam possíveis como sempre e mais necessárias do que nunca e, sobretodo, que o único caminho para avançarmos nestes objectivos é a luita organizada das trabalhadoras e dos trabalhadores.

E como se fai isto? Perguntaredes. Pois sem dúvida nom será apenas com discursos grandiloqüentes e palavras de ordem elevadas. Onde vamos jogar a nossa capacidade para influir no nosso futuro colectivo será na rua, a diário nas pequenas batalhas que livra o nosso povo; seja em defesa dos seus direitos laborais, dos serviços públicos ou do meio ambiente; seja aqui, nos bairros das cidades, ou nas vilas e paróquias. Com as vizinhas e vizinhos, nos centros sociais, no sindicalismo combativo, no feminismo organizado; é aí que tem de estar a esquerda independentista, é aí onde se vai decidir se somos ou nom capazes de cumprir o difícil compromisso que adquirimos nesta nova etapa do nosso desenvolvimento político, o compromisso de dotar a Galiza dumha ferramenta de luita eficaz para defender os nossos interesses nacionais e de classe.

Esse é o nosso repto, essas som as nossas tarefas, as de todas e todos nós. Somos militantes e simpatizantes dum movimento condenado a bater-se sem trégua contra um Estado inteiro, classe contra classe. Por isso, enquanto eles cantam as glórias do seu atrofiado simulacro de democracia, nós renovamos a nossa declaraçom de guerra contra a injustiça e a opressom que a Constituiçom espanhola institucionaliza.

Viva Galiza socialista!

Viva Galiza nom patriarcal!

Viva Galiza ceive!