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É assim que se luta contra a NATO?

Sábado, 27 Novembro 2010

Ana Barradas

Era já expectável que a livre circulação de cidadãos da UE no espaço comunitário fosse limitada arbitrariamente pelas autoridades portuguesas para proteger a cimeira da NATO em Lisboa contra visitas indesejáveis, tal é o terror desproporcionado que evidenciam contra supostos terroristas.

O que não sabíamos é que os dirigentes do PCP se entenderiam com a polícia de choque para que cercassem manifestantes de forma a impedi-los de entrar na manifestação de 20 de Novembro contra a NATO, a pretexto de que podiam ser “violentos”. Além disso, numa atitude sectária e insolente, tomaram como sua essa manifestação anunciada como unitária, ao desfraldarem milhares de bandeiras do seu partido, depois de a direcção da plataforma convocadora ter exigido ao Bloco de Esquerda e a outras forças que não se apresentassem com os seus símbolos identificadores, evidenciando assim como é servilmente afecta ao PCP, apesar de usar o suposto aval de subscritores do documento inicial contra a NATO, assinado no ano passado.

De facto, quando esses manifestantes cercados, quase todos jovens e influenciados por forças anarquizantes e pacifistas, tentavam aproximar-se da cauda da manifestação para se integrarem ordeiramente, sem qualquer sinal de violência, viram-se ignorados pelo desfile, que prosseguiu a sua marcha deixando-os sós e entregues à repressão policial.

Só lhes valeu o movimento espontâneo de umas centenas de manifestantes que, vendo-os ali imobilizados e privados do seu direito de expressão, voltaram atrás e rodearam o cordão de polícia de choque, exigindo explicações sobre tal cerco e resistindo aos empurrões com que a polícia de choque os procurava repelir. Os “choques” rapidamente formaram segundo cordão para afastar os dois grupos que protestavam indignados contra a prepotência antidemocrática, sem no entanto o conseguirem. De facto, foi a pressão deste segundo bloco que impediu os dois cordões policiais de actuar, por terem ficado “entalados” entre uns e outros e sem espaço físico para actuarem. Só ao fim da tarde e quando caía a noite, cerca de duas horas depois­­ – o longo tempo que levou a percorrer a Avenida da Liberdade e os Restauradores – é que as forças repressivas conseguiram fazer uma carga que dispersou os manifestantes já cansados e cientes de que lá mais para diante já havia muito terminara a manifestação “bem comportada”.

Este incidente coroou tristemente a persistente separação e antagonismo entre os dois blocos políticos que se organizaram contra a cimeira da NATO e que até ao fim nada fizeram de sério para se entenderem, apesar de iniciativas nesse sentido de outras forças participantes dos dois, como foi o caso da Política Operária, que no princípio deste ano promoveu a primeira reunião apelando a uma unificação.

A ironia suprema deste vergonhoso acontecimento é que os chamados “comunistas” já se esqueceu do tempo da ditadura, em que eram reprimidos e podiam contar com a solidariedade de forças antifascistas que muitas vezes os apoiaram contra a polícia. Pela mão do PCP e com o silêncio de outras formações que ignoraram o incidente e que se deviam indignar com tal baixeza, chegámos ao grau zero da política de esquerda. É assim que se luta contra a NATO? O PCP e a esquerda reformista mostraram mais uma vez que deseducam a sua base de apoio na senda da contra-revolução. Imagine-se o que seria de fossem eles a mandar…