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PO organiza terceiro colóquio sobre comunismo em Portugal

Segunda-feira, 29 Novembro 2010Um Comentário

A revista comunista Política Operária organiza as terceiras jornadas “Os Comunistas em Portugal, 1921-2010”. O evento terá lugar na Livraria Ler Devagar de Lisboa, nos dias 13 e 14 de Dezembro. Apresentamos programa e conteúdos das intervençons.

SÁBADO 13 NOVEMBRO

 10.00 h – Abertura

 10.30 h – Cartas de um preso político para a sua filha

Ana Barradas

 11.00 h – O PCP e a PIDE perante a homossexualidade

 São José Almeida

11.30 h – Debate

12.00 h – Almoço

14.00 h – Desertar contra a guerra colonial – os núcleos de desertores na Europa

José Manuel Lopes Cordeiro

14.30 h – Um maoísmo português­?

 Miguel Cardina

15.00 h – A segunda vaga do movimento operário português

Ângelo Novo

15,30 h – Debate

 

DOMINGO 14 NOVEMBRO

10.00 h – O PCP e a Revolução Democrática Nacional

Jorge Nascimento Fernandes

10.30 h – Os «Cadernos de Circunstância» (1967-1970)

Ricardo Noronha

11.30 h – Debate

12.00 h – Almoço

14.00 h – O PCP e o V Governo

Raquel Varela

14.30 h – Do 25 de Abril do Povo à 3ª cisão do PCR/UDP e a constituição da Política Operária

António Barata

15.00 h – Debate

RESUMO DAS INTERVENÇÕES

Título: Cartas de um preso político à sua filha

Autora: Ana Barradas

Resumo:
A “petite histoire” da vida dos militantes do PCP é muito pouco conhecida e sempre se cultivou o ocultamento dos percursos individuais, por razões de clandestinidade que se entendem mas segundo um padrão recorrente que se prolongou muito para lá do fim do fascismo. A recente morte de alguns dirigentes recorda-nos essa quase ausência de memória histórica em termos de vida pessoal. Por isso valorizamos aqui documentos fidedignos que os próprios deixaram: correspondem-se com familiares falando da sua condição de prisioneiros, da família, dos dramas e dificuldades, de como se comportar perante a adversidade, da arte e de poesia e das atitudes a tomar perante a vida em geral.

 
Título: O PCP e a PIDE perante a homossexualidade

Autora: São José Almeida

Resumo:
A construção da homofobia é uma realidade ao longo do século XX português. Ela é uma essa imposição do modelo de sociedade burguesa associada ao nascimento do capitalismo industrial no século XIX, que assenta na família nuclear, patriarcal, heterossexual e procriativa, e que doméstica a sexualidade, empurrando a homossexualidade para o submundo do não-dito e dos anti-sociais. Por isso, ela não tinha dignidade para ser usada pela PIDE como acusação, embora fosse investigada. Assim como não tinha dignidade para ser mencionada pelo PCP, mesmo quando implicitamente indiciada contra militantes que se quer afastar.

 

Título: O PCP e o V Governo

Autora: Raquel Varela

Resumo:
Vários autores analisaram a política do Partido Comunista Português (PCP), concluindo que o PCP procurou em 1974-1975 fazer um «golpe de Praga» de 1948, tentando uma via putschista para alcançar o poder do Estado e impor um regime satélite da URSS, ligado ao Pacto de Varsóvia. Neste artigo focar-nos-emos sobre a história do PCP neste período do V Governo, descrevendo e analisando a política do PCP durante o V Governo face ao movimento operário, ao PS, ao MFA e à extrema-esquerda.

 

Título: O PCP e a Revolução Democrática Nacional

Autor: Jorge Nascimento Fernandes

Resumo:

A Revolução Democrática Nacional pode-se inserir dentro das etapas intermédias” definidas pelo PCP que visavam derrotar o fascismo e instalar um regime democrático, sem os monopólios e sem a subordinação ao capital estrangeiro, tendo como objectivo último a instauração do socialismo. Isto implicou alguma ruptura, nunca assumida, com o leninismo e com a sua teoria da revolução socialista. E se para justificar estas novas concepções sempre se socorre de alguma frase de Lenine, a verdade é que este só escreveu sobre as etapas intermédias ou de transição a propósito de coisas bem diferentes, como era a revolução democrático-burguesa ou as lutas pela independência nacional.

Título: Um maoísmo português?

Autor: Miguel Cardina

Resumo:

Pretende-se com esta intervenção anotar algumas das características do campo “marxista-leninista” ou “maoísta” no país durante os anos que vão de 1964 a 1974. A pergunta que lhe serve de mote desdobra-se, nas suas três palavras, em outras tantas problemáticas. Analisar a existência de “um maoísmo português” significa: aferir a unidade / diversidade deste terreno militante; sublinhar o modo como este terreno ideológico tem uma dúplice relação de continuidade e descontinuidade com a tradição comunista; questionar a sua especificidade no contexto português.

 

Título: Do 25 de Abril do Povo à 3ª cisão do PCR/UDP e à constituição da Política Operária

Autor: António Barata

Resumo:

As tentativas de construção pelos maoístas agrupado no PCR/UDP de uma ampla frente popular, inspirada nas orientações do 7º Congresso da IC, produziram resultados contrários aos esperados – desagregação, cisões sucessivas, perda de influência política, eleitoralismo, reformismo, sucessivos fracassos eleitorais, desprezo pelo debate de ideias, dissolução do PCR… Em vez de uma escola de revolução, o PCR/UDP transformou-se numa escola de reformismo, oportunismo e promoção de carreiristas. A busca dos porquês de tais resultados empreendida por um núcleo de militantes, em particular por Francisco Martins Rodrigues, levou-os a sucessivas rupturas – com o maoísmo, o dimitrovismo e o estalinismo – e à descoberta de outro marxismo, tal como entendiam Marx e Lenine, liberto das falsificações que o descaracterizam e desacreditam.

Título: Desertar contra a guerra colonial – os núcleos de desertores na Europa

Autor: José  Manuel Lopes Cordeiro

Resumo:

Entre 1961 e 1974, cerca de 200.000 jovens faltaram à incorporação no serviço militar, situação que se agudizou a partir do início da década de 1970: entre 1970 e 1972, o número de refractários situava-se acima dos 20%, num total de mais de 50.000 faltosos. Perante esta realidade, foram diversas as respostas dadas pelas diferentes forças políticas que se reclamavam do comunismo. O PCP defendia a participação dos jovens na guerra colonial, com o objectivo de acompanharem as tropas para as consciencializar e organizar. As diferentes organizações que agrupavam os comunistas revolucionários defendiam, na sua maior parte, uma posição diversa: recusar a participação numa guerra injusta, apelando para a deserção. Diferiam, contudo, na natureza desse apelo: se o mesmo deveria, ou não, apelar à deserção com armas. O autor procurará analisar os argumentos que sustentavam estas diferentes posições, apresentando também um panorama dos núcleos de desertores então existentes nos vários países europeus, e as actividades por eles desenvolvidas.

Título: A segunda vaga do movimento operário português

Autor: Ângelo Novo

Resumo:

Na viragem do século e, decisivamente, a partir de meados da primeira década do século XX, o movimento operário português entra num período completamente novo na sua história. É um ciclo que se encerrará com a derrota da greve geral revolucionária de 18 de Janeiro de 1934 e que conhecerá, de permeio, episódios de luta e assalto ao poder de uma vivacidade que jamais seria superada, nem mesmo em 1974-75. Esta adolescência turbulenta do proletariado português é um tesouro inesgotável, cujo legado se constituiu em terreno disputado, sujeito a interditos, esquecimentos e revisitações sintomaticamente selectivas.

Título: Os Cadernos de Circunstância e o jornal Combate

Autor: Ricardo Noronha