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A insuportável impunidade policial-clerical-institucional

Sexta-feira, 5 Novembro 2010

Maurício Castro

Nom por conhecida deixa de surpreender. A anunciada visita do líder do integrismo católico mundial à nossa capital é defendida e possibilitada polas forças mais reaccionárias da sociedade pós-franquista em que ainda vivemos. As que realmente mandam.

Felizmente, o povo que ainda mantém acesa a chama da resistência contra as arbitrariedades e imposiçons desse poder nom deixou de tornar visivel a oposiçom à visita, exibindo bandeiras que esclarecem que somos muitos e muitas as que nom esperamos o ex-militante das juventudes nacional-socialistas alemás e actual líder católico, Joseph Ratzinger.

A visita, como se sabe, supom um gasto milionário sem nengumha justificaçom, sobretodo em tempos de crise e cortes sociais para o povo trabalhador. Por isso representa a verdadeira natureza do Estado e das suas instituiçons, colocadas ao serviço de umha confissom contra o que estabelece inclusive a infumável constituiçom espanhola actual.

Mas nom só isso. As tais bandeiras que mostram, em Compostela, a oposiçom de umha parte da populaçom ao macro-espectáculo pró-vaticanista, tenhem servido nas últimas semanas de “indício criminoso” aos mais de 6.000 polícias espanhóis que, por terra, ar e sobsolo ocupam Compostela e provocam a vizinhança com a sua ameaçadora e armada presença. A mesma quantidade de euros que, por minuto, serám malbaratados na visita do dia 6, sem que nem sequer a escusa do reclamo turístico poda ser alegada: a ocupaçom hoteleira ficou na metade do previsto.

Segundo denunciárom algumhas entidades sociais e confirmárom moradoras e moradores afectados, polícias vestidos à paisana estám a violar ilegalmente domicílios compostelanos que exibem a bandeira anti-ratzinger nas janelas. Sem ordem judicial nem, nalguns casos, qualquer identificaçom, entram em vivendas e pressionam moradores e moradoras para retirarem as bandeiras, fazendo da livre expressom um crime perseguível. Falamos, nom se esqueça, das mesmas instituiçons que no passado Verao organizárom o circo da selecçom espanhola, estendendo as cores rojigualdas nas janelas das vivendas como suposta prova da espanholidade da Galiza. Aquelas eram, polos visto, as bandeiras da virtude, estas as do pecado.

A todo isso soma-se umha nova actuaçom violenta: a protagonizada ontem nas ruas de Compostela por dúzias e dúzias de fardados que impedírom a livre manifestaçom de centenas de vizinhos e vizinhas de Compostela contra a visita papal. Ameaças a manifestantes e informadores de meios alternativos fôrom o preámbulo de umha nova carga nocturna -mais umha!- contra compostelanos e compostelanas que simplesmente circulavam polas ruas da sua cidade. As cabeças abertas às porradas fôrom, mais umha vez, o principal argumento das chamadas forças de segurança do Estado.

Esta campanha nacional-católica deixa outras pérolas dignas de serem tidas em conta: é o caso da resposta do coordenador geral vaticano da visita, a quem pretendia “galeguizar” a presença de Ratzinger em Compostela. O dirigente católico, um tal Salvador Domato Búa, respondeu com umha provocaçom que um país digno nom suportaria: “la polémica por el gallego en la liturgia me aburre mucho”.

Entretanto, e enquanto o povo digno é tratado a porradas pola polícia espanhola, os seus supostos representantes “legítimos” limpam o cu com as suas leis e princípios aconfissionais. Aí temos as fotos do ex-comunista presidente da Cámara de Compostela, governada por forças ditas “progressistas”, inaugurando um monumento ao máximo representante da igreja pederasta, homófoba e misógina.

Há que reconhecer que a realidade que vivemos nestes dias é bem tenebrosa, tanto como essa igreja do deus repressor e machista, que governou coligado com Franco durante 40 anos e, ao que se vê, continua a governar na sombra do actual regime. No entanto, a história nom se detém e oxalá a luz da Galiza digna que nestes dias se mostra nas janelas de compostela se imponha finalmente sobre as tebras de tanto lixo reaccionário.

Ratzinger: eu nom te espero.

 (Publicado no Diário Liberdade)