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Ferrol acolhe X ediçom do Dia da Galiza Combatente

Terça-feira, 5 Outubro 2010

Coincidindo com o vigéssimo aniversário da morte de Lola Castro Lamas “Mariana” e José Vilar Regueiro “Marcos”, NÓS-UP dedica este ano o Dia da Galiza Combatente aos dous militantes do EGPGC.

A organizaçom política de massas da esquerda independentista e socialista galega convoca sábado 9 de Outubro, -coincidindo com o 43 aniversário da morte do Che Guevara-, um acto político na rua da Terra de Ferrol.

À beira da casa onde foi assassinado em 1975 pola polícia espanhola Moncho Reboiras desenvolverá-se um comício no que intervirám Alberte Moço, porta-voz nacional de NÓS-UP, e Carlos Garcia Seoane, em representaçom de BRIGA.

A iniciativa também inclui um recital poético com participaçom de Belém Grandal, Luz Fandinho, Augusto Fontám, Igor Lugris e Ramiro Vidal.

Posteriormente terá lugar um jantar de confraternizaçom nas instalaçons da Fundaçom Artábria.

Os dous luitadores galegas morrérom num operativo contra o narcotráfico 11 de Outubro de 1990 no interior da desaparecida discoteca Clangor, na Ponte da Rocha de Compostela.

Tal como informa NÓS-UP na sua página web, para facilitar assistência contará com transporte colectivo cujos horários e pontos de saída som os seguintes:

– Goiam, Baixo Minho (Campo de Futebol) às 7.30h

– Ponte Areias (Avenida Fermim Bouça Brei) às 8.10h

– Porrinho (Avenida da Galiza) às 8.30h

– Vigo (Praça dos Cavalos) às 9.00h

– Ponte Vedra (Pavelhom dos Desportos) às 9.40h

– Compostela (Avenida de Lugo, altura estaçom autocarros) às 10.30h

 

O preço do bilhete é de 10 euros.

 Origens do Dia da Galiza Combatente

Em Julho de 2001 a Direcçom Nacional de NÓS-Unidade Popular acorda instaurar o dia 11 de Outubro como Dia da Galiza Combatente.

Até esse ano, a esquerda independentista coincidia com o nacionalismo institucional e o galeguismo na comemoraçom, a 17 de Agosto, do Dia da Galiza Mártir, aniversário do assassinato de Alexandre Bóveda polo fascismo espanhol.

Também no dia 12 de Agosto lembramos a morte em combate em 1975 do militante comunista e independentista Moncho Reboiras num confronto com a polícia espanhola.

Mas ambas datas fôrom completamente disvirtuadas polo regionalismo até se converterem nuns actos nostálgicos e grotescos de simples justificaçom da sua deriva entreguista e claudicante. Despreendidos da mística reivindicativa e da vigência da luita pola qual ambos patriotas, com as suas diferenças ideológicas e temporárias, entregárom a sua vida, era necessário delimitar também neste ámbito o nosso projecto revolucionário de aquele que representa o autonomismo.

Para homenagear num só dia todas as galegas e galegos que em diferentes etapas históricas e projectos políticos fôrom represaliados ou perdêrom a vida pola sua entrega à causa de umha Galiza mais justa e soberana, a nova esquerda independentista decidiu instaurar esta nova data.

Na madrugada do dia 11 de Outubro de 1990, Lola Castro Lamas “Mariana” e José Vilar Regueiro “Marcos”, membros do Exército Guerrilheiro do Povo Galego Ceive (EGPCG), morriam ao fazer-lhes explosom acidentalmente um artefacto destinado a combater os interesses do narcotráfico na Galiza. Tal como manifestou NÓS-UP em 2001, na primeira ediçom do Dia da Galiza Combatente “enquanto outros luitadores e luitadoras passárom à nossa História por direito próprio, sobre Lola e José semelha pairar um manto de silêncio e esquecimento. Manto que é a nossa obrigaçom destruir para os restituirmos ao lugar que merecem. A nós unicamente corresponde a homenagem, o reconhecimento político à sua generosidade e combatividade nesta luita que continuamos e, finalmente, o compromisso colectivo de que as suas vidas, como a de Moncho, as de Amador e Daniel, as de “O Piloto”, Zélia, “O Foucelhas”, Benigno Álvares, Alexandre ou os fusilados em Carral, nom cairám no esquecimento nem passáram a fazer das últimas expressons de rebeldia de um povo que existiu“.

Nesta primeira efeméride NÓS-UP deixava claro que “nom está na nossa intençom consolidar umha data para um calendário reservado a independentistas com cartom militante“.

Desde que em 2001 NÓS-UP convoca o Dia da Galiza Combatente, a data foi-se socializando e consolidando-se na agenda política de boa parte da esquerda independentista.

 

As ediçons precedentes

2001

Tem lugar na praça do Concelho de Culheredo, a terra natal de José Vilar, a primeira ediçom da efeméride convocada como “Concentraçom e acto político em lembrança d@s noss@s compatriotas caídos e represaliad@s na luita pola liberdade da Galiza“.

Dim que nom se perde um direito enquanto houver alguém que o reclama. Quando em Junho passado constituíamos em Compostela esta emergente organizaçom de massas para a libertaçom nacional, sabíamos que nom partíamos de zero: desde os textos dos cronistas da Antigüidade, que nos falam de um povo combativo e de mulheres indomáveis, até a morte num operativo militar de Lola e José em 1990, ou a luita em prisom dos presos e presas independentistas em 2001, a nossa história foi a de um povo capaz de impulsionar as primeiras revoltas populares da Europa moderna, capaz de desenvolver resistências para enfrentar o processo de “Doma y Castración del Reino de Galicia” impulsionado pola Coroa de Castela. Um povo que, já bem entrado o século XIX, tinha militares insurgentes que afirmavam, de jeito provavelmente rudimentário, a existência da Galiza como sujeito de direitos nacionais.

Esse mesmo povo sustentou política e materialmente desde 1936 umha guerrilha urbana e rural antifascista cujo último resistente caía em 1965, articulou desde a clandestinidade organizaçons nacionalistas de massas e desenvolveu, no último quartel do século XX, três projectos político-militares para a sua própria libertaçom nacional e social“.

2002

Sob a legenda “Para que Galiza viva” a cidade de Ponte Vedra acolhe a segunda ediçom. O acto político convoca-se na praça de Curros Henriques onde Alexandre Bóveda conta com umha modesta estátua.

Aqui nom estamos para chorar quatro mortes, mas para recolher quatro fusis e quatro exemplos. Hoje mais que nunca, é necessário racharmos o véu da “normalidade democrática” com que o poder espanhol quer ocultar o carácter conflituoso e violento da opressom. A Galiza combatente está viva. Está-o nas luitas vicinais, nos conflitos operários, nas greves gerais, nos enfrentamentos populares à ordem vigente, na resistência estudantil, nas respostas à polícia e nas sabotagens anónimas aos interesses turísticos, comerciais e financeiros do inimigo que se venhem produzindo nos últimos meses. Está-o nas ruas, nas paróquias, nas aulas, nas fábricas e nos centros de trabalho da nossa naçom. Segue a está-lo nos coraçons e na vontade dos melhores filhos e filhas do povo trabalhador galego, na sua dignidade inquebrantável, no seu valor, no seu amor sem limite à Terra e à Liberdade“.

2003

A luita é o único caminho” foi a palavra de ordem que comemorou a data em Ferrol, com umha concentraçom na rua da Terra, ao lado da casa onde caiu abatido Moncho Reboiras por balas espanholas.

 “O MLNG reivindica em solitário esta data porque só ele reconhece a sua carga política, o seu sentido actual: a existência dumha linha e a obrigaçom de continuá-la por ser a única garantia de avanço. Eis a nossa transcendência e a nossa responsabilidade. Há ainda muit@s denominad@s nacionalistas que temem umha aproximaçom sincera à nossa história e ocultam ou maquilham capítulos e figuras imprescindíveis da nossa luita. Som aqueles/as, e nom por acaso, que mais temem a auto-organizaçom, a construçom e o combate; @s submid@s num pesimismo ou cobardia crónicas que os fam pospor indefinidamente o compromisso e o activismo, tentando contagiar com autismos paralisantes. Enquanto Espanha e o Capital apertam as gadoupas sobre o nosso povo trabalhador, se desenvolve umha gravíssima involuçom fascistóide e se comsuma o processo de destruiçom nacional, patriotas de cartom e pseudonacionalistas de distintas cores procuram sucedáneos, entretenhem-se em milagres e jogam de maneira hipócrita à desorientaçom e o confusionismo“.

2004

Na praça do Toural do bairro de Teis de Vigo, convocamos a quarta ediçom. “PSOE-PP a mesma merda é. Adiante a luita obreira e nacional“.

Aqui em Vigo, tivo lugar o nascimento da primeira organizaçom independentista de posguerra. O Partido Galego do Proletariado foi concebido no Vigo obreiro de 1976-77 e fundado em Março de 1978. Aqui foi onde a esquerda independentista apresentou a sua primeira candidatura eleitoral com Galiza Ceive nas municipais de 79. Daqui eram muitos dos detidos na redada contra a LAR em Setembro de 1980.

Este é o Vigo de que nós nos reclamamos e sentimos continuadoras/es. O Vigo das três greves gerais de 1984 contra a reconverson industrial do PSOE. O Vigo das dúzias de moços insubmissos que se negárom a participar no exército espanhol na década de noventa. O Vigo das luitas estudantis contra Vitrasa. O Vigo solidário e internacionalista. O Vigo ecologista contra o cemitério nuclear da fossa atlántica. O Vigo que em Junho acolhou dezenas de milhares de mulheres na maior mobilizaçom feminista da Galiza. O Vigo que defende o seu litoral, o Vigo que se opom a “ronda”. O Vigo que ainda acolhe perseguidos e clandestinos como nos anos trinta“.

2005

Ao pé do monumento aos mártires de Carral, reivindicamos “Galiza por umha política de esquerda“.

Desde o primeiro momento em que NÓS-UP decidiu marcar esta data como Dia da Galiza Combatente, a ideia foi fazer dela um referente aberto que incluísse todo o leque de iniciativas das mais diversas formas de luita que o nosso povo tem desenvolvido ao longo de todos estes anos como forma de autodefensa frente às políticas assimiladoras do nosso inimigo histórico, o Estado espanhol e as suas classes dirigentes.

Ao contrário do que fam outras organizaçons que enaltecem figuras históricas, amiúde limando-lhes as arestas mais incómodas e contraditórias com a sua prática política actual, chegando à ocultaçom e a manipulaçom, nós nom temos nengum reparo em fazer público o reconhecimento de todas essas formas de resistência que definírom a história do nosso nacionalismo. Umha história que é também a história da repressom e a conculcaçom de direitos, por isso sempre havemos de estar do lado galego e popular neste longo confronto que mantemos em defesa do nosso direito à existência como naçom diferenciada e classe emancipada.

O contexto actual da luita de libertaçom nacional galega, que no nosso caso está indisoluvelmete ligada à luita social pola emancipaçom do nosso povo trabalhador e o combate ao patriarcado como forma de submetimento de metade da populaçom galega, responde a umhas coordenadas novas que nos obrigam a reorientar tacticamente o nosso trabalho político“.

2006

No Alto do Furriolo, na Terra de Cela Nova, NÓS-UP realiza umha “Homenagem nacional às vítimas do holocausto galego. 1936-2006 a luita continua!“.

Hoje estamos aqui porque recolhemos os ideais de liberdade e emancipaçom do movimento operário e popular galego de 1936, cujo horizonte nom era, nem muitíssimo menos, como falsamente historiadores e politicos pogres afirmam, consolidar a democracia burguesa republicana, mas sim, tal como hoje modestamente fai a esquerda independentista representada por NÓS-Unidade Popular, acumular forças sociais necessárias, mediante a luita política, social e ideológica, para mudar de raíz este regime injusto e opressor empregando a imensa torrente da razom e da consciência livre e plenamente assumida pola maioria social que num abrente de alegria e amor denominamos Revoluçom Socialista.

Só cretinos e canalhas podem afirmar que os objectivos de boa parte das forças organizadas ou que apoiárom eleitoralmente a vitória de Fevereiro de 1936 da Frente Popular se reduziam a manter a anémica “ditadura” da burguesia liberal encabeçada por Casares Quiroga“.

2007

À beira do monumento a Simón Bolívar, na rua Venezuela de Vigo, comemoramos a sétima ediçom sob a legenda “Até a vitória sempre. A solidariedade é a ternura dos povos“.

Nom renunciamos à longa trajectória combativa de nosso povo, e aspiramos a continuá-la ao longo da espiral da história que deve projectar-nos para um futuro de liberdade nacional, situando-nos do lado dos povos que luitam por superar o capitalismo e fazer do mundo um lugar mais habitável e justo do que hoje é.

E é nesse ponto que ligamos a convocatória deste ano com o quadragésimo aniversário da morte do que foi paradigma da luita nacional e internacional por um outro mundo: Che Guevara, argentino entregado à causa do povo cubano até a vitória e posteriormente comprometido com as luitas de outros povos africanos e latino-americanos, fusilado extra-judicialmente por ordem da CIA estado-unidense, representa como ninguém as virtudes do militante integral polo socialismo e a independência dos povos.

Porém, ele nom é um caso único ou isolado. Milhares de trabalhadores e trabalhadoras, de homens e mulheres militantes de causas justas morrêrom no último século e meio em luita pola derrota do capitalismo e pola conquista da verdadeira soberania para os povos. E muitos deles figérom-no, como o Che, alinhando com movimentos revolucionários noutras latitudes diferentes às dos seus lugares de nascença.

Dentre eles e elas, salientamos na comemoraçom de hoje os galegos e galegas que entregárom as suas vidas à causa do internacionalismo“.

2008

No farol de Meirás, em Valdovinho, sob a legenda “A luita pola independência também tem nome de mulher” organizamos a oitava ediçom.

Convocamos a VIII ediçom do Dia da Galiza Combatente conscientes de que a luita pola independência também tem nome de mulher. E é por isso que, fartas de tantas mentiras e tantas ocultaçons históricas, somos nós as mulheres revolucionárias galegas que temos a responsabilidade de contribuir para mudar isto.

Hoje, à beira deste mar de dias bravos como as jornadas de luita nosso povo, a esquerda independentista e socialista desta naçom com nome de mulher chamada Galiza queremos e devemos projectar lus sob as mulheres que ao longo da história participárom nos mais diversos episódios de rebeldia contra a dominaçom e as injustiças que padecemos como povo, classe e género, nas luitas pola liberdade da Galiza e a superaçom da exploraçom do capitalismo.

Por todas essas mulheres que padecêrom as mais cruéis e diversas formas de brutalidade, o que as levou a ser torturadas, degradadas, humilhadas, exiladas, encarceradas ou assassinadas, é que estamos hoje aqui.

Mulheres que som um verdadeiro exemplo de dignidade militante para todas nós.

Mulheres galegas que abrírom a empurrons os caminhos que hoje somos quem de percorrer.

Mulheres que levam séculos a viver sob múltiplas identidades mas com um só intuito, o de trazer a justiça para este país e para a classe trabalhadora, traçárom o caminho“.

2009

Na paróquia de Miranda, em Castro Verde, sob a legenda “Henriqueta Outeiro, comunista, guerrilheira e feminista galega indomável” tivo lugar a nona ediçom.

Henriqueta Outeiro, como militante comunista, participa activamente na vertebraçom da resistência guerrilheira ao franquismo com Domingos Andrade “Foucelhas”, Marcelino Rodrigues Fernandes “Marrofer”, José Castro Veiga “Piloto”, Júlio Neto, Ramom Viveiro ou Pepe Vicente.

Umha infiltraçom policial provocou a sua queda numha emboscada a 16 de Fevereiro de 1946. Após apresentar combate em solitário à Guarda Civil e a agentes da Brigada Político-Social da Direcçom Geral de Segurança durante mais de três horas, logo de romper o cerco logrou afastar-se vários quilómetros das forças repressivas mediante disparos e lançamento de bombas de mao, mas umha rajada de metralhadora feriu-na nas pernas e foi detida no Agro do Rolo“.