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A Greve Geral de 29 de Setembro é insuficiente

Quinta-feira, 30 Setembro 2010

Carlos Morais

Os resultados da jornada de luita convocada ontem a escala estatal devem ser avaliados como positivos. A greve geral tivo umha adesom na Galiza superior a todas as previsons mais optimistas. Embora o seguimento tenha sido desigual por sectores e comarcas, o determinante foi o elevado nível de apoio na indústria, construçom e transporte. A greve foi maciça em Vigo, Ferrol, Corunha e Compostela, e em menor medida em Ourense, Lugo, Vila Garcia e Ponferrada. Largas dezenas de milhares de trabalhadoras e trabalhadores participárom nas manifestaçons convocadas polas diferentes centrais sindicais.

A reforma laboral empreendida polo governo do PSOE antes do Verao, que basicamente facilita ainda mais o despedimento e universaliza o contrato precário, junto ao posterior anúncio do atraso da idade da reforma, forçárom as corruptas cúpulas sindicais a convocar umha greve geral coincidindo com a jornada de mobilizaçom europeia promovida pola CES. O nível de descrédito, por tantas traiçons, práticas entreguistas e políticas pactistas tem atingido tal grau que era necessário mudar qualquer cousa para que todo continuasse na mesma. No entanto, a anunciada reforma da segurança social e os ataques ao modelo de sindicalismo pactuado na Transiçom entre a burguesia e o reformismo provocárom que as duas principais centrais sindicais espanholas, CCOO e UGT, se vissem forçadas a implicar-se a fundo no sucesso da greve, para evitarem perder os enormes privilégios da sua casta burocrática e assegurarem o cumprimento dos Pactos da Moncloa de 1977.

Os seus líderes e o conjunto do mastondôntico aparelho burocrático optárom por desculpar as políticas neoliberais e contrárias à classe operária que, com diversos ritmos, tem aplicado Zapatero desde 2003 até a actualidade, passando a solicitar a sua rectificaçom, sem questionar o modelo capitalista.

No caso da Galiza, a CIG, principal sindical nacional e de classe, careceu de vontade e coragem para encabeçar a resposta obreira aos ataques do Capital. A burocratizaçom de umha direcçom hipotecada polos seus vínculos e compromissos com o regionalismo provocou que, diferentemente das etapas precedentes, quando tinha convocado em solitário greves gerais, nesta ocasiom foi a reboque do sindicalismo amarelo espanhol.

Este adverso e desalentador panorama nom impediu que a resposta obreira e popular ultrapassasse todos os cálculos. A classe trabalhadora galega optou por aderir à greve e ocupar as ruas para manifestar colectivamente o que até agora nom passava de ser umha oposiçom individual e maioritariamente silenciosa.

O 29 de Setembro foi um grito colectivo para transmitir ao governo espanhol o enorme mal-estar polo desemprego e a precariedade laboral, a preocupaçom e ansiedade polo negro futuro que nos prometem, a oposiçom aos cada vez mais visívies cortes de direitos laborais e a progressiva regressom no poder aquisito. Mas também foi umha mensagem inequívoca aos sindicatos de que é necessário luitar para evitar mais retrocessos e derrotas. O sinal lançado pola classe obreira ainda é tímido, mas é claro. Basta de pactos, de tanta negociaçom, de apoios a governos de “esquerda” que aplicam idênticas políticas que os de direita porque estas práticas só tenhem conduzido a empobrecer amplas camadas populares e condenar a juventude e pensionistas a um futuro de miséria.

Só estám a ser dados os primeiros passos, som ainda insuficientes, modestos, contraditórios, mas cada vez é mais constatável, a recuperaçom da rebeldia e ruptura com o pactismo entre inexperientes núcleos juvenis e sectores veteranos desencantados com tantos anos perdidos em práticas conciliadoras.

As dúzias de sabotagens e ataques a autocarros, sedes do PSOE, bancos, grandes empresas, barricadas em vias de comunicaçom, queimas de contentores, confrontos com as burocracias nos piquetes, que acompanhárom a greve, som reflexo destes sintomas.

As condiçons do presente e o aprofundamento da crise sistémica do capitalismo vai inexoravelmente obrigar a que do seio do proletariado se consolide umha linha combativa e assemblear que, praticando a luita obreira com visom global, dote o conjunto da classe de umha direcçom revolucionária capaz de se despreender da resignaçom e assumir que só mediante a tomada do poder se poderá evitar o incremento da sobre-exploraçom e corte de direitos e liberdades.

Chegou pois o momento de avançar com decisom nesta direcçom. E isto só é possível coincidindo na luita para a radicalizar e estender.

O sindicalismo revolucionário tem que preparar umha nova resposta para tombar a reforma laboral, descartar qualquer modificaçom na idade de jubilaçom e impossibilitar mudanças na segurança social. O governo PSOE está extremamente enfraquecido. A resposta de ontem nom chegou. É necessário convocar antes de finalizar Outubro umha nova greve geral.

Galiza, 30 de Setembro de 2010

 (Artigo publicado na Política Operária nº126)