Abrente

Ediçons digitais da publicaçom trimestral do nosso partido

Documentaçom

Textos e outros documentos políticos e informativos de interesse

Ligaçons

Sites recomendados de ámbito nacional e internacional

Opiniom

Artigos assinados sobre temas de actualidade galega e internacional

Video

Documentos audiovisuais disponíveis no nosso portal

Home » Opiniom

Mono Jojoy: umha vida intensa pola Revoluçom

Sexta-feira, 24 Setembro 2010

Carlos Morais

O júbilo da indústria mediática espanhola celebrando a morte de Jorge Briceño é compreensível. O Estado espanhol é o segundo maior investidor estrangeiro na Colômbia depois dos Estados Unidos. Telefónica, Repsol, Endesa, Banco Santander Central Hispano, BBVA, Unión Fenosa, Cepsa, tenhem um peso determinante na economia da antiga colónia após as privatizaçons implementadas na década de oitenta e noventa. Os governos espanhóis levam décadas armando o Estado para aniquilar a resistência popular.

Os inquilinos da Moncloa coincidem nisto como em tantas outras cousas. Felipe González, Aznar e Zapatero tenhem fornecido todo o tipo de ajuda militar a um regime que leva mais de meio século convertendo a Colômbia numha imensa fossa comum. Nos dous últimos anos, após um teórico “parom” em 2003, as exportaçons da indústria da morte espanhola à Colômbia incrementárom mais de 700%.

É lógico pois que o grupo Prisa e Planeta defendam os seus suculentos interesses e negócios ocultando a natureza narco-terrorista do regime oligárquico colombiano, apresentando a insurgência guerilheira como um anacronismo terrorista que substituiu o seu horizonte político emancipador polo negócio do narcotráfico.

As companhias espanholas pretedem incrementar as suas fabulosas taxas de ganho aumentando a exploraçom da populaçom colombiana e o saque dos seus recursos naturais. Contam com a colaboraçom das elites locais que nom duvidam em massacrar o seu povo empregando os mais desprezíveis métodos de terrorismo de estado que puderem ser imaginados.

Actualmente na Colômbia som mais de 4 milhons o número de camponeses expulsos das suas terras pola violência paramilitar e militar promovida polo exército regular e as forças policiais formadas na doutrina da segurança nacional da tristemente célebre Escola das Américas, hoje transformada em Instituto de Cooperaçom para a Segurança Hemisférica. Umha violência vinculada aos suculentos negócios do narcotráfico ligados, promovidos e amparados directamente polo aparelho estatal. Dezenas de milhares de pessoas desaparecidas em execuçons extrajudiciais, brutais torturas, mutilaçons e massacres, convertem numha odiosa comparaçom com as tristemente célebres ditaduras do cono sul latino-americano numha brincadeira.

Álvaro Uribe, o antecedente do recém eleito Santos, está fichado como narcotraficante desde 1991. Aparece como o nº 82 num documento desclassificado confeccionado pola CIA. A sua meteórica carreira política foi promovida polo capo do cartel de Medellín Pablo Escobar.

Todos os governos colombianos, sem excepçom, que ocupárom a Casa de Nariño nas últimas décadas, estám directa ou indirectamente envolvidos no narcotráfico, paramilitarismo, e redes mafiosas. Os seus presidentes som culpáveis de delitos de lesa humanidade. A Colômbia tem o triste recorde de matar mais de metade dos sindicalistas do mundo. Quinhentos só nos oito anos de uribismo. Nom existe a menor possibilidade de defender posiçons que contrariem os interesses dos donos do País.

Na Colômbia as eleiçons som umha farsa. Só participa 30% da populaçom, condicionada polas ameaças e as intimidaçons. Votam até os mortos e som eleitos deputados e senadores os senhores da guerra e a mesma aristocracia política que governa o País como umha fazenda desde que o santanderismo atraiçoou o projecto emancipador de Simón Bolívar.

Permanecem as causas do conflito

A extrema pobreza e miséria que padece mais de metade da populaçom e a exclusom política das imensas maiorias do campo e a cidade som as causas do longo conflito interno que vive desde que em Abril de 1948 foi assassinado o líder liberal Jorge Eliécer Gaitán, que encabeçava um gigantesco movimento popular que só procurava deslocar o bipartidarismo para atingir a democratizaçom real da Colômbia.

A sua morte está considerada como umha das primeiras intervençons “preventivas” da recém criada CIA, marcando assim outro dos factores determinantes do conflito: a intervençom ianque que progressivamente foi alargando-se até a actualidade. Milhares de soldados norteamericanos participam no combate contra a insurgência empregando o mais moderno e sofisticado armamento. Os EUA injectam dezenas de milhares de milhons de dólares para sustentar e alimentar a guerra. Sem a sua intervençom, provavelmente hoje a oligarquia já estaria exilada em Miami.

A frustraçom popular perante a repressom brutal a que foi submetido o gaitanismo gerou as condiçons para que as autodefesas camponesas evoluissem ideologicamente dando lugar a criaçom das FARC e do ELN entre 1964 e 1965.

A Colômbia de hoje é um dos epicentros da luita de classes e anti-imperialista a nível mundial. Na confrontaçom que tem lugar nas suas montanhas e cidades está a decidir-se o futuro da América Latina e das Caraíbas. A emancipaçom das maiorias sociais ou o seu submetimento aos ditames de Washington e das multinacionais do capitalismo europeu. A integraçom bolivariana ou a imposiçom de um renovado neocolonismo. A consolidaçom dos governos anti-imperilistas como o venezuelano ou a volta ao neoliberalismo selvagem imposto nas últimas décadas do século XX.

A derrota militar da insurgência colombiana é o factor determinante para que os EUA consigam impor a sua reconquista. Daí que nada do que aconteça nesse formoso país seja indiferente.

Contrariamente às mentiras da mídia, as FARC-EP nom estám derrotadas, nom se descompugérom após a morte em 2008 de três destacados dirigentes. O assassinato de Raúl Reyes no Equador, de Iván Rios e a morte de Manuel no fatídico Março desse ano obviamente fôrom um revés, mas nengum dos prognósticos foi acertado. Os relevos na sua direcçom, a restruturaçom das frentes e as mudanças nas formas de operar dérom como resultado em 2009 um incremento de 30% de baixas entre as forças militares e policiais relativamente ao ano anterior. Mais de 2.000 efectivos das forças da oligarquia som abatidas ou feridas anualmente.

As forças revolucionárias recuperárom a inciativa militar, recuperan o terreno e a mantenhem também na esfera estritamente política mediante um intenso trabalho de massas por meio do Partido Comunista Colombiano Clandestino e o Movimento Bolivariano pola Nova Colômbia. As grandes mobilizaçons de Julho para comemorar o bicentenário da Independência assim o confirmam.

Mas, normalmente, a ditadura mediática mundial oculta ou maquilha esta realidade. Comparemos os números dos partes de guerra com as baixas produzidas no Iraque ou no Afeganistám polas forças imperialistas e poderemos tirar conclusons sobre a dimensom do conflito e a sua realidade. Mais de 40% do País continua sob o controlo da insurgência que acertadamente assinou um acordo de colaboraçom e cessamento de hostilidades com o ELN.

As mentiras mediáticas

Nom podemos deixar-nos arrastar pola propaganda de um regime ilegal e ilegítimo. A euforia do presidente Juan Manuel Santos e a sua camarilha de generais após o anúncio da morte do Mono Jojoy carece de fundamento. Eles som perfeitamente conscientes disso. O inegável revés militar e basicamente simbólico que gera o assassinato de Jorge Briceño fai parte das características de umha guerra revolucionária como a que hoje continua sem cessar nas selvas, montanhas e cidades colombianas, entre um partido comunista em armas e as forças regulares e irregulares de umha oligarquia sanguinária dirigida polo Pentágono. Jorje Briceño sabia perfeitamente que, tal como afirmara o Che, “numha Revoluçom se triunfa ou se morre se é verdadeira”.

Também era consciente de que na Colômbia nom há possibilidades reais de empregar outros métodas de luita além do armado para um projecto genuinamente de esquerda revolucionária. A dramática experiência da Uniom Patriótica há vinte anos constata a ferocidade de umha oligarquia disposta a todo para evitar perder os seus privilégios.

As causas que detonárom e alimentam o conflito nom só continuam vigentes. Na actualidade, tenhem-se reforçado com a intervençom directa dos norte-americanos mediante o Plano Colômbia e a instalaçom de oito bases militares estrategicamente situadas que tencionam vergar a insurgência e iniciar a reconquista do hemisferio, seguindo a estela iniciada com a reactivaçom da IV Frota, o golpe de estado de 2009 nas Honduras e a concentraçom de enormes contingentes militares na Costa Rica.

Jorge Briceño nom contemplava a rendiçom. Com contundência, mas também com educaçom, respondia em Janeiro deste ano à oferta de abandono das armas por parte do hoje defenestrado general Padilla, na altura comandante em chefe do exército burguês.

“Nas FARC nom temos alma de traidores, mas de patriotas e de revolucionários. 

Temos luitado e continuaremos a fazê-lo, com valor, entrega e sacrifício por derrocar este regime podre das oligarquias e construir umha outra ordem social, ou por atingir acordos que ajudem a construir umha pátria onde caibamos todos. 

Jamais temos proclamado o princípio da guerra pola guerra, nem assumido esta luita como algo pessoal, já que os nossos objectivos som os de conseguir mudanças profundas na estrutura social da Colômbia, que por fim tenham em conta os interesses das maiorias nacionais e dos sectores populares e que conduzam ao desmantelamento do actual regime político criminal, oligárquico, corrupto, excludente e injusto, como está consignado na nossa Plataforma Bolivariana pola Nova Colômbia. 

Com a honestidade que corresponde ao nosso compromisso com a mudança social e a lealdade que devemos ao nosso povo, asseguramos-lhe que nom vamos desistir, após mais de 40 anos de luita, nem aceitar umha falsa paz”.

Contrariamente às mentiras do regime e dos meios de comunicaçm o Mono Jojoy morreu tal como viveu toda a sua vida: no seu posto de combate. Faleceu a consequência de um confronto assimétrico que, embora dificulte que na actualidade o conflito se incline do lado das forças revolucionárias, fracassou na hora de atingir a imediata vitória sonhada por Washington há dez anos, quando Bill Clinton em 2000 impom o Plano Colômbia após minar o processo de negociaçom política do Caguán, dando lugar a que Uribe implementasse a sanguinária política de segurança democrática.

O Comandante Jorge Briceño morreu como um revolucionário comunista: luitando contra umha desigual maquinaria de guerra que tivo que empregar trinta avions e um número similar de helicópteros e quase  mil unidades de elite para o fazer cair e matá-lo após horas de combate. Bombas norte-americanas, tecnologia norte-americana, assessores norte-americanos e, algum dia o saberemos: pilotos e comandos ianques terám participado nesta desigual batalha.

A baixeza moral dos senhores da guerra revestidos de estado de direito nom duvidou em apresentar o corpo do camarada como um trofeu de guerra. Há múltiplos antecedentes desta brutal e impúdica prática capitalista. Na Galiza já o fijo o fascismo com o guerrilheiro berziano Manuel Girom em 1951. A CIA com o Che em 1967 na Bolívia. O fujimorismo com Néstor Cerpa Cartolini em 1997 no Peru.

Mas todo o que se vai filtrando da operaçom desmente a propaganda do regime. Como é possível que alguém acusado de dirigir boa parte das redes do negócio do narcotráfico vivesse sem luxos nem ostentaçons, sem os mais mínimos confortos entre a dureza das condiçons da vida guerrilheira, na mais absoluta austeridade da selva, e mesmo com dificuldades para tratar a sua delicada saúde, ressentida a consequência da diabete?

Poderám cantar vitória, poderám continuar a acreditar nas suas próprias mentiras, mas o sangue do Mono Jojoy e do resto de camaradas massacrados na Macarena, no Meta, no coraçom dessa Colômbia que tanto amárom, nom será em vao. Novas mulheres e homens estám já estám a ocupar os seus lugares.

As maiorias excluídas da Colômbia sabem que de pouco serve chorar pola sua perda, que é hora de continuar a luita pois a vitória só será possível combatendo sem tregua.

Comandante Jorge Briceño, até a vitória sempre!

Galiza, 24 de Setembro de 2010