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A mensagem vermelha

Terça-feira, 14 Setembro 2010

Xavier Moreda

Ontem lendo um artigo do jornal Diario Universal de Caracas, lembrava a minha estadia na cidade e meus breves passeios pola praça Bolívar onde estas semanas pré-eleitorais gostaria de estar para perceber os ânimos que a cronista me provoca: “Qualquer que passe estes dias pola Bolívar e observe os cartazes pendurados dos farolitos da emblemática avenida poe pensar que estamos em 2012 e que a propaganda eleitoral promove ao mandtário nacional Hugo Chávez como novo presidente da Venezuela. Mas nom. Estamos na antesala das terceiras eleiçons parlamentares desde 1999 e, umha vez mais, o partido oficial recorre à figura presidencial como factor de mobilizaçom da campanha eleitoral”.

É engraçado que esta jornalista e todas e todos os colaboracionistas, quando falam da “contenda eleitoral” do seu próprio país, escrevam com lentes emprestados polo império e o imperiozinho e ao se referir às características da “mensagem vermelha” falam do “discurso excludente” enquadrado em umha única estratégia comunicacional para os aspirantes “a guru” no parlamento. As mesmas palavras que o Tea Party, esse partido nom-partido de criaçom ianque que utiliza ou utilizaria com teína ou cafeína em todas partes do mundo a raiva construtora do ambiente que precede e beneficia o advento de qualquer massacre ou golpe de estado. Mas na Venezuela onde os vendepátrias e os terroristas como Carmona falam com liberdade através da imprensa direitista do Reino de Espanha, com direitos excepcionais, sem dúvida porta-vozes, vozeiros falabaratos dos apologistas do imperialismo: “foi um erro capital nom tirar a Chavez do país…Nom foi o decreto de formaçom do Executivo como sustentam alguns, senom a falta de critério na hora de agir em este assunto”.

 

A visom que descrevem em preto e branco que julgam negativa é precisamente a que vai fazer que as eleiçons sejam, com toda certeza, ganhadas com vantagem suficiente para agir com a firmeza necessária para limpar de quintacolunistas e colaboracionistas o aparelho do Estado. Perder as eleiçons na Venezuela significaria retornar a conceitos coloniais; a umha geopolítica de poleiros dependentes de um império em franco declive, isso é o que significaria umha eventual vitoria do Tea Party  -em traduçom mui livre- do partido do chá. Esse partido nom-partido que na Venezuela tem faces diversas e atomizadas em mais de umha dúzia de partidos que o diário espanhol El Pais quer mostrar como umha oposiçom unida. Tem o partido do chá em cada país a sua idiossincrasia com ou sem touradas, com ou sem peinetas renegacionistas. Som essa maioria de medíocres nomeadamente do centro e inesquerda que historicamente som braço comercial da direita mais violenta, de substratos bem diversos retroalimentados polas oligarquias no mesmo discurso fascista do apoliticismo activo com a atracçom fatídica de assinalar aos outros, às outras como problema. Em França os ciganos, na Itália os romenos, no Reino de Espanha os desempregados, ou na República Bolivariana da Venezuela aos habitantes dos “ranchitos” e ao povo trabalhador invisivilizado durante séculos.

A política exterior da República Bolivariana da Venezuela nom é só a expressom de sua política interna, é sobretodo a projecçom do que quer ser. Necessitamos ao comandante Chávez com umha República Bolivariana da Venezuela inserida por vontade própria no cenário da política internacional que se, e nos signifique à esquerda revolucionaria, (nom só, como muitas vezes se pretende à esquerda Latinoamérica) às e aos que apoiamos o processo socialista do século XXI, sendo solidários, críticos e internacionalistas dentro de um novo projecto geopolítico onde os EUA cada vez tem menos peso polo seu debilitamento por ser consequência e causa da crise que chamamos sistémica. Precisamos que a mesma dinâmica de forças sociais expressem nom só um projecto socialista, também a possibilidade de mudar o mundo desde qualquer parte por pequena que for a pesar do “partido do chá”

A ditosa jornalista tenta continuar narrando no seu artigo, em negativo, o que para muitos e muitas se torna em presente positivo e no entanto se vai-se contradecindo: “A única diferença que se observa a primeira vista em relaçom a campanhas anteriores é que o presidente Chávez já nom acompanha no “discurso visual” aos candidatos, ainda que sim o fai nos actos na rua onde participa nos percorridos e nos actos públicos e, como sempre, “ergue-lhes a mao“. Para qualquer pessoa ainda que nom seja politóloga nem socióloga, fam a campanha que tenhem que fazer: “Chavez o comandante-presidente é o maior factor de mobilizaçom, mas cada dia mais, existem candidatos e candidatas que expressam que o comandante nom é como muitos pretendem o único candidato.” Desde há uns dias nos círculos da capital se apresentam caras novas e às vezes muito jovens. Para quem nom esquece que as campanhas eleitorais som as acçons mais comerciais das democracias comercias sabe que as estratégias devem servir só para ganhar sem esquecer que depois das eleiçons há que aprofundar no debate do Poder Popular real e na radicalidade necessária para acabar com qualquer indicio que leve ao processo irremediavelmente a um capitalismo de estado a consequência do burocratismo e dos quintacolunistas que oxigenam os comportamentos que propugnam o “cuartarepublicanismo sociológico” que invade todos os estamentos como um cancro.

Esta campanha eleitoral nom é só o inicio de que há umha estratégia de campanha; um comando unificado que fai que o PSUV e o PCV tenham um critério de unidade e como consequência “umha forte unidade comunicacional” que a oposiçom interpreta como umha aniquilaçom eleitoral com umha “mensagem polarizada”; como visom política do chavismo que se expressa na contenda eleitoral como: “nos aniquilam ou os aniquilamos”. Estas eleiçons som mais do que nunca um plebiscito para Venezuela e para a esquerda mundial nom simplesmente umha confrontaçom eleitoral. Já mais de dez anos de processo devem levar a uns avanços realmente radicais. Revolucionários.

Ganhar estas eleiçons é mais do que nunca parte de umha luita necessária para culminar parte de muitos avanços e começar a radicalizar as luitas populares que eliminem doenças como o próprio burocratismo enquistado e a corrupçom generalizada que cria desassossego nas nossos e nas nossas camaradas e facilita a existência do quintacolunismo dentro da mesma administraçom e o colaboracionismo das e dos que pretendem utilizar a administraçom como umha nova classe, que jogam desde os seus postos a carom do fantasma de Juan Vicente Gómez, do estado inquestionavel, esquecendo através do exercício despótico a inviolavilidade do Poder Popular ao que ao nosso pesar representam.

Hugo Chávez Frias para bem ou para mal encarna à RBV, é um símbolo para o mundo e nom pode ser utilizado dumha maneira tam espúria polos adventícios e adventícias, como novas ricas e ricos que ocupam pola desídia das “alabancas” por desgraça ainda tam habituais em um sistema de designaçons tam opaco que beneficia às e aos que continuam a acreditar no Estado como um aparelho inquestionavel. A direita nunca foi eliminada do aparelho do estado. Fai parte do cerco fortificado e opaco das que aproveitam o burocratismo tam assumido como o próprio clientelismo na Venezuela, para estancar e paralisar as luitas para a transparencia e de transmisom do que realmente está a passar, do que acontece na RBV. A pior traiçom é este colaboracionismo. O absoluto irrespeito a uns princípios tam invioláveis como o próprio Poder Popular. A direita deve ser combatida agora nas eleiçons do 26 de Setembro e de imediato, após da mesma jornada eleitoral, no aparelho do estado de onde jamais foi eliminada, ocupa o cerne do estado sub-repticiamente como o que nunca deixou de ser: a expresom política da oligarquia e das classes dominantes, como partido do chá ou do que for.