Abrente

Ediçons digitais da publicaçom trimestral do nosso partido

Documentaçom

Textos e outros documentos políticos e informativos de interesse

Ligaçons

Sites recomendados de ámbito nacional e internacional

Opiniom

Artigos assinados sobre temas de actualidade galega e internacional

Video

Documentos audiovisuais disponíveis no nosso portal

Home » Opiniom

A liberdade d@s artistas e a dignidade do público

Sexta-feira, 3 Setembro 2010

Ramiro Vidal Alvarinho

Já passárom os ecos do último escándalo a conta de um grupo de músicos que atravessárom, durante este Verao que agora esmorece, certas linhas éticas com o espectáculo que passearom polas vilas e aldeias do País adiante. Falo do espectáculo da orquestra Olympus, que foi publicamente denunciado entre outras entidades polo colectivo Panteras Rosa, polos seus gags de explícito conteúdo machista, homófobo e racista. A pressom de numerosos colectivos e indivíduos provocou umha desatinada reacçom por parte do porta-voz do plantel da orquestra, que fugiu cara diante com desqualificaçons, insultos e ameaças aos e às promotores e promotoras da campanha. Umha reacçom que precipitou a exigência por parte do Jacobeu de umha rectificaçom pública, que se produziu, ainda que nom da maneira e nos termos que poderíamos desejar. O Jacobeu forçou a rectificaçom da orquestra Olympus, porque este combo musical será um dos participantes na concentraçom de orquestras galegas que terá lugar em Cea, e que precisamente organiza a entidade que gere o Ano Santo.

Nom é cousa, nesta altura, de continuar a falar deste episódio, que está felizmente morto. O que me ocupa é o debate que se planteja cada vez que umha polémica desta classe salta ao cenário. Eu lembro nos anos noventa umha polémica muito semelhante, que naquela altura alcançava a extinta banda de rock Heredeiros da Crus. Havia elementos comuns com o caso da Olympus; também piadas machistas e homófobas, também um uso deliberadamente grosseiro da língua… houvo umha forte contestaçom por parte de colectivos feministas. Também daquelas a reacçom dos músicos foi a fugida cara diante; o insulto à parte denunciante, a afirmaçom de que se tratava de mulheres amargadas, feias, lésbicas e por cima reaccionárias, que estavam em contra de que a maioria se divertisse e, também, da liberdade de expressom.

Bem está nom ser pres@s incondicionais da correcçom política, claro que há que ter em conta umha cousa. O público também tem direito à sua dignidade, e tam de respeitar é esse direito como o poderia ser o da livre expressom d@s artistas. Quando um tem umha trajectória humana que lhe permite compreender a relatividade de certos patrons morais e sociais impostos milenariamente a sangue, ferro e lume, é muito difícil relaxar-se e desfrutar perante o espectáculo de alguém que, desde o poder que concedem os microfones, se reafirma nesses valores reaccionários e utiliza ao débil, ao minorizado, ao excluído como carnaça do seu show. Porque se um sorrí divertido, ou condescendente, ou irónico, ou como for, a esse espectáculo, o que está é a colaborar no seu próprio embrutecimento. A máxima que move a quem passea pola Galiza adiante estes espectáculos é a de que o povo é imbecil e quer diversom fácil, sem reflexiom, acrítica. Assim que nada de meter-se com a Igreja, com o cacique do povo, com os governantes da Junta ou do Concelho, nada de “política”…a diversom neutra, interclassista e apolítica é fazer troça dos pretos, dos “maricóns” ou dos travestis. E quem protestar, é porque vem com cantigas politizantes.

Já conhecemos de mais o percurso desse argumento. Muito utilizado no mundo do espectáculo, do desporto e do ócio, em geral. A crítica inteligente é politizaçom impertinente, e a reafirmaçom no pensamento único é diversom inocente e saudável. Eu, particularmente, prefiro ficar de antipático, politizador e furafestas, antes do que me converter em tropa lumpenizada, refém dos regos estreitos, reduzidos e sem volta que aram os defensores da pretensa liberdade. Nós, o povo, podemos escrever a nossa própria moral. De facto, é um imperativo revolucionário fazê-lo. As linhas dessa nova moral a escrever podem nom ser fáceis de traçar, mas o seu traçado é muito mais estimulante e prazeroso do que a entrega ao automatismo aneuronal que nos proponhem estes da “festa fácil”. O estado comatoso do sentido crítico a que nos pode levar a sua nociva algaravia chegaria a nos esvaziar a vida.