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Autoridade nas aulas

Quinta-feira, 2 Setembro 2010

Iago Barros Minhons


O conselheiro de educaçom tutelado por Feijó já tem novo cartaz para manter-se no cenário político este curso que começa. Se o período escolar 2009/2010 dedicou o seu sorriso a corresponder a cobertura mediática que seguiu as suas perícias para estabelecer limites de uso da nossa língua na escola, agora oferecerá-nos umha nova batalha que o manterá nas capas dos jornais e nas cunhas dos noticiários. Seguindo os passos de Esperanza Aguirre e outros iluminados da ideologia dominante, vai estudar o figura do professor/a – autoridade pública.


O único objecto de estudo mediático desta figura é o repressivo. Normal, porque esse é o que se procura. Assimilar o professorado com as “forças de seguridade” para dotá-las de maior legitimidade estatal: presunçom de veracidade e maior carga repressiva para os agressores, por exemplo.


Um estado como o espanhol nom é mais ou menos policial porque assim o berremos nas ruas. É-o entre outras cousas porque as políticas de controlo e vigiláncia sobre a populaçom, nomeadamente sobre as classes mais desfavorecidas, a juventude e a imigraçom, adopta umha natureza transversal a todas as áreas da administraçom. 


A escola é um bom exemplo desta realidade. Desde a colocaçom de controlos policiais “aleatórios” nas entradas dos liceus para hostigar traficantes de drogas, até a instalaçom de câmaras de vídeo-vigiláncia passando pola restriçom do livre movimento nos tempos de lazer do estudantado nalguns centros que semelham funcionar a maneira dum presídio com módulos.


Todo isto gera umha consciência social falsa. E esta falsa consciência nutre mais medidas nesta linha. Gera a sensaçom de que vivemos enfangad@s na delinqüência juvenil, que sem a polícia nas ruas nom poderiamos dormir tranquil@s , que o progresso se nos vai das maos e temos que castigar mais amiúde e mais contundentemente as famílias, os menores e os colectivos sociais que nom se embarcam no projecto ideal da burguesia.


A falta de consciência racional que nutre o capitalismo, de maos dadas com a cultura cristá, fomenta ademais a percepçom unidimensional dos problemas, de tal jeito que nom é difícil passar de ver “pequenos travessos” a “futuros terroristas”; jovens estranhos saídos de nom se sabe onde, imbuídos de ideias caídas do ceu em maos de qualquer anjo expulso do paraíso… Se a isto somarmos o rol do poder adulto na ideologia dominante, o objectivo juvenil é de primeira magnitude na paranoia global pola “seguridade infinita”.


Mas, seguridade de que? Assegurar o que? O poder é o único que tem algo a ganhar nesta batalha cainita para manter as cousas no seu sítio. Os pilares da terra som febles, tenhem abalado em mais dumha ocasiom, e torres mui grandes caírom. Os poderosos sabem-no, e nunca umha medida policial está de mais para garantir por mais tempo a “paz social” que permita aboiar os negócios. 


Assim é que podemos entender donde vem que um político reaccionário, educado no papanatismo idiota do individualismo burguês, pretenda cobrir expediente este curso gabando-se de outorgar ao professorado a categoria de autoridade pública. Segundo ele e os seus, esta decissom permitirá conter a fúria rebelde dumha juventude perdida que converte o professorado no alvo da sua ira.


Nom vam desencaminhados. Mais dum caso há. E alguns elementos da análise nom som banais. Mas nessa realidade unidimensional em que vivem, a resposta é umha e dura.


Como o poder é adulto, o caso inverso, tam ou mais comum que o anterior, de jovens insultados, ridiculizados ou maltratados polo professorado, nom terá especial protecçom. A quem lhe ocorreria que os alunos e alunas fossem autoridades públicas? Assim sim soa absurdo. Pois da outra volta também o é. É um absurdo… legitimado polo poder. Ele é que fai que as cousas virarem absurdas ou lógicas. E nada mais longe da intençom do estudantado revolucionário que aceitar o critério dado. Nós sim queremos que se ouça a nossa autoridade: a voz do estudantado organizado.