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Nasce o manifesto “Eu nom te espero”, em protesto pola visita papal à capital da Galiza

Sábado, 24 Julho 2010

Este manifesto, que tem já centos de assinantes, denuncia a detracçom de fundos públicos para as despesas que originarám a estáncia do Papa Bieito XVI e os actos relacionados com a sua visita a Compostela.

Além disso, assinalam-se outras conseqüências negativas para a vida normal da cidade, como a excessiva presença policial que a visita pontifícia vai originar além da privatizaçom temporária de espaços públicos, já que determinadas praças da cidade estarám acoutadas para usos relacionados com a estáncia do líder da Igreja Católica.

 O manifesfto surgiu no Centro Social  da Gentalha do Pichel, onde concordavam na falta de resposta social à visita de Ratzinger a Compostela, a pesar de que era pública a imensa quantia de cartos públicos e de recursos que se iam investir nela. A ideia inicial era fazer umha contra-carta em resposta à carta de boas vindas que assinarom uns 10.000 vultos públicos para saudar a chegada do chefe religioso ao estado espanhol.

 A visita produz-se num contexto no que a Igreja está a protagonizar escándalos de abusos sexuais a menores e notícias sobre pronunciamentos homofóbicos e misóginos por parte de membros da sua hierarquia.

MANIFESTO: BENTO XVI NOM TE ESPERAMOS!

A poucos meses da visita do Papa Bento XVI à Galiza, as pessoas abaixo assinantes queremos mostrar publicamente o nosso rejeitamento ao pontífice e aos valores que representa, denunciando também o esbanjamento de dinheiro público em favor dumha determinada fé religiosa.

Face a impudícia da campanha de propaganda desenvolvida por todos os meios de comunicaçom empresariais em favor do evento, demonstrando que a sua gabança de pluralidade serve de pouco, queremos representar o sentir dessa parte da populaçom que rejeita esta visita.

Falamos de aquelas galegas e galegos que padecem nas próprias carnes o corte de direitos sociais básicos com o pretexto dumha crise produzida exclusivamente polo afám de lucro desmedido que move os amos do mundo. De aqueles galegos e galegas que padecem diariamente a degradaçom de serviços essenciais para umha vida boa: hospitais e escolas, transporte público e assistência social. O argumento político é que ‘nom som mais financiáveis’. Mas entom é financiável umha visita que nos custa 4 milhons de euros?

Falamos de aqueles compostelanos e compostelanas que se vem, dia após dia, privadas da sua cidade e dos seus espaços públicos. Umha cidade sacrificada no altar da suposta rendibilidade do turismo de massas como monocultura económica. Em nome do dinheiro, ameaça-se o bem-estar da cidadania: ruas literalmente ocupadas por turistas, comércios históricos devorados por multinacionais, controlos policiais permanentes, severas limitaçons à expressom dos movimentos populares para nom danificar a ‘imagem de marca’ do concelho. Língua autóctone minorizada e marginada para fortalecer a imagem espanhola da cidade.

Esta parte importante da cidadania tampouco tem nada que agradecer ao Papa e à Igreja Católica.

O Papa é o emblema da dupla moral. A sua instituiçom apresenta-se como defensora da dignidade e dos valores solidários. A mesma instituiçom que secundou o auge do fascismo na Europa dos anos 20 e 30. Que apoiou as mais cruéis ditaduras na América Latina. Que alcunhou o golpe de Estado contra a II República espanhola e o primeiro autogoverno galego como ‘cruzada de libertaçom’. Que nom intercedeu polos assassinados e promoveu operaçons de limpeza política com o saldo de milhares de vidas.

Umha instituiçom que colaborou, nos últimos 500 anos, a banir dos espaços públicos a língua galega, burlando-se mesmo do idioma que falavam os fiéis. Umha instituiçom representada em Compostela por um arcebispo que se nega a dizer umha palavra em galego em pleno século XXI.

Umha instituiçom que se aproveita dos pactos favoráveis assinados na Transacçom democrática para incidir negativamente naqueles avanços sociais que a mulher organizada exige, ou para punir formas de relaçom afectiva e sexual que nom entram no seu cánone.

Umha instituiçom que fai bandeira de palavras como cooperaçom e dignidade e diz entregar-se a labores assistenciais. Mas que jamais se atreve a questionar os grandes poderes económicos que imponhem a injustiça no mundo, e que se alinha sempre com a força das armas para o sufoco dos processos revolucionários guiados polos pobres e as oprimidas.

Umha instituiçom que se alarma polo avanço dos ‘valores relativistas’ na nossa mocidade. Paradoxalmente, a igreja nom consegue ainda posicionar-se em favor de valores inquestionáveis e universais: o reparto da riqueza e a justiça social, o respeito a todas as línguas e culturas, o desfrute cidadá do património colectivo, que privatiza quando pode.

As pessoas abaixo assinantes rejeitamos a visita de Bento XVI à Galiza, e exigimos o respeito escrupuloso dos nossos direitos e liberdades para fazer público, nas ruas de Compostela, o nosso rechaço à instituiçom que representa.