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NÓS-UP convoca concentracçom em Compostela contra Jacobeu

Sexta-feira, 23 Julho 2010

Neste sábado, véspera do Dia da Pátria, a Assembleia Comarcal da Unidade Popular de Compostela convoca às 13h umha concentraçom na praça da Galiza para denunciar o Jacobeu 2010.

A mobilizaçom da-lhe continuidade à campanha que NÓS-UP leva desenvolvendo nos últimos meses na capital da Galiza. A campanha que consta de um suporte gráfico de sete cartazes.

Um genérico com a legenda “O lugar é Compostela. A pergunta é porquê? Ilustrado com umha cruz de Santiago provocando umha ferida. E seis cartazes bimensais de carácter temático para denunciar a fraude económica da iniciativa e o incremento da precariedade laboral que provoca; a conversom da cidade num parque temático; a espanholizaçom e marginalizaçom da nossa cultura; o recorte de liberdade e a abafante ocupaçom policial; a promoçom do nacional-catolicismo; e o esbanjamento de recursos vinculado à Cidade da Cultura e ao teleférico previsto.

A continuaçom reproduzimos o manifesto que acompanha à campanha.

 

O lugar é Compostela. A pergunta é porquê?

Já passárom dezassete anos desde que o governo autonómico tomara a decisom de fazer própria umha celebraçom católica, como é o ano santo compostelano, e empregá-la como escusa para levar avante umha operaçom económica de grande envergadura sob a denominaçom de “Xacobeo”.

O Jacobeu apresentou-se como a grande oportunidade para activar o desenvolvimento da Galiza convertendo-a numha espécie de imenso parque turístico, com o seu centro em Compostela e com o leit-motiv das peregrinaçons ao suposto túmulo do Apóstolo Santiago.

Todo seriam benefícios e os investimentos de capital provocados pola exploraçom turística seriam um revulsivo para a activaçom da economia do País. Quando menos, isso foi o que nos vendêrom nas administraçons responsáveis.

Hoje, a quase duas décadas do invento do Jacobeu, a realidade fica muito longe da idílica visom que se nos quijo transmitir. Galiza afronta o quinto Jacobeu sendo consciente do limitado desta iniciativa, mas sem que os dirigentes políticos responsáveis asumam os erros e continuem numha fugida avante.

A suposta capacidade de activaçom económica atribuída ao Jacobeu resultou umha autêntica fraude. Por mais que os responsáveis políticos insistam na incidência destes fastos para o aumento do PIB da Galiza, a análise rigorosa das séries que as próprias instituiçons oficiais fornecem revelam que o Jacobeu nom supujo aumento significativo nengum, e sim que a evoluçom do PIB galego mantivesse umha tendência altista durante estes anos sem importar que fosse ano santo ou nom.

De facto, esta tendência à alta do PIB galego é constante desde mesmo antes da invençom do Jacobeu e nom sofreu modificaçom até o estalido da crise em 2009 quando aparece umha retracçom.

Mas se a celebraçom do Jacobeu nom supom um benefício directo no desenvolvimento económico da Galiza, como é que se podem justificar os investimentos milionários na sua celebraçom?

Repare-se que para o 2010 a “Sociedade anónima de xestión do Xacobeo”, a entidade criada em 1993 polo governo autonómico para gerir este evento, conta com um orçamento de 43,1 milhons de euros e que essa verba se viu afectada polas medidas de austeridade provocadas pola crise. Imaginemos qual deveria ser o montante do orçamento se nom nos encontrássemos num momento de recessom.

Porém, sendo justos, haverá que reconhecer que as gigantescas quantidades de dinheiro investidas à volta do Jacobeu tivérom influência no desenvolvimento macro-económico do país. Nom poderia ser doutro jeito, já que um volume de capitais tam elevado influi por activa ou por passiva numha economia das dimensons da galega.

Entom, a pergunta que surge é outra. Nom teria sido milhor investir essas quantidades na promoçom doutras actividades que tivessem gerado umha riqueza maior na Galiza?

Aliás, a realidade mostrou-nos que as pejas nom venhem apenas dos reduzidos resultados económicos que transparecem os dados do PIB. Nom se trata só de resultados quantitativos, mas também qualitativos.

O desenvolvimento da indústria turística no País, que até 1993 era certamente baixo, sofreu um crescimento exponencial, mas isto reflectiu-se também na extensom do modelo de emprego que caracteriza a este sector económico. Estacionalidade, eventualidade, salários de miséria… som as particularidades concretas do que normalmente chamamos precariedade laboral, um dos presentes que o Jacobeu trouxo consigo.

Também nom há que esquecer que neste mundo globalizado em que moramos o turismo é um dos sectores económicos com um factor dependência é mais importante. Assim, numha actividade económica na qual por definiçom o consumidor é alheio à realidade social em que se insere materialmente o próprio sector, nom pode estranhar que seja praticamente impossível desenvolver um projecto económico-produtivo auto-centrado. Assim, o fenómeno da turistificaçom alimentado polo Jacobeu ajudou ainda mais a fazer da economia galega umha realidade subsidiária de avatares externos.

Tendo em conta este factor da relaçom entre Jacobeu e dependência externa, lógico por outra parte, se tivermos em conta que o que pretende o Jacobeu e que cheguem a Galiza o maior número de visitantes foráneos que for possível, nom pode surpreender-nos o papel que a cultura galega joga no invento.

A política cultural promovida polo Jacobeu é a que melhor se acomoda à lógica do turismo. O visitante que vem passar uns dias ao nosso país nom precisa mais que de uns tópicos básicos que lhe dem umha mínima noçom do exotismo de estar numha terra que nom é a sua, mas que nom suponham nengum entrave para o prazenteiro gozo da experiência jacobeia.

Assim, o Jacobeu converte-se numha maquinaria propagandística da Galiza de “gaita e pandeireta”, “das verdes paisagens” e a “saborosa gastronomia”, e na qual elementos centrais do nosso ser cultural, em especial o nosso idioma, som marginalizados e ocultos para nom “dificultar” a chegada de mais visitantes.

O Jacobeu converte-se num agente espanholizador de primeira ordem enquanto a “galeguidade” fica reduzida a umha pílula digerível polas massas de visitantes foráneos aos quais se deve facilitar a sua estadia sem “incomodá-los” com cousas tais como o nosso idioma nacional.  

Esta capacidade de estranhamento de que goza o fenómeno do Jacobeu tem a sua máxima expressom na cidade de Compostela.

Cá o fenómeno da turistificaçom tem sido levado ao seu “máximo esplendor” conseguindo que todo o núcleo histórico compostelano se converta, em especial em época estival, num grande parque temático. Assim, a zona velha foi expropriada aos seus habitantes para o visitante poder gozar com maior comodidade sem tropezar com os avatares da quotidianeidade da vizinhança de Compostela.

A zona velha é cada vez mais um corpo estranho para os próprios habitantes da capital do nosso país.

A situaçom atinge umha dimensom mais grave quando reparamos na pressom policial que por volta do Jacobeu é reforçada na nossa cidade. Umha pressom que atinge os seus pontos mais altos com motivo das comemoraçons do Dia da Pátria e nas datas em que algum personagem de renome visita Compostela.

Nesses dias concretos, a já de por si abafante presença dum contingente armado nas nossas ruas vê-se reforçada pola imposiçom dum autêntico estado de sítio, onde os direitos de livre circulaçom, manifestaçom e expressom som reduzidos e mesmo suspendidos de facto.

Porém, nom é de mais lembrar que a origem de todo isto, que as administraçons se esforçam por nos vender como a máxima expressom da galeguidade, o caminho que liga Galiza e Compostela com a Europa e o mundo enteiro, e nom sabemos quantas cousas mais; é antes de mais umha celebraçom religiosa.

Umha celebraçom privada da Igreja Católica, mas que conta com o patrocínio das administraçons públicas, o que evidentemente choca com umha visom laica do que deve ser a atitude do Estado diante das confessons religiosas.

Tendo em conta todas estas valorizaçons e reflexons, a pergunta que NÓS-Unidade Popular quer trasladar ao conjunto do povo galego é: Tem algum sentido que as administraçons públicas continuem a organizar o Jacobeu?

Para nós a resposta é um nítido e rotundo NOM!