Abrente

Ediçons digitais da publicaçom trimestral do nosso partido

Documentaçom

Textos e outros documentos políticos e informativos de interesse

Ligaçons

Sites recomendados de ámbito nacional e internacional

Opiniom

Artigos assinados sobre temas de actualidade galega e internacional

Video

Documentos audiovisuais disponíveis no nosso portal

Home » Notícias

O grito de Independência, um grito de batalha

Terça-feira, 20 Julho 2010

Reproduzimos na nossa língua o último comunicado do Secretariado do Estador Maior das FARC-EP feito público  no portal da ANNCOL.

“Aqui nom haverá tiranos nem anarquia enquanto eu respire de espada em maos” (Simón Bolívar).

Estamos em marcha pola dignidade da pátria. A Batalha pola independência nom terminou e entrou já na sua etapa decisiva.

Nom podemos proclamar-nos livres quando a política de dominaçom de um império nos subjuga e nos submete com a cumplicidade apátrida das oligarquias e, nos aprisionam as desumanas correntes da escravidom neoliberal.

Um país ocupado militarmente nom é independente. Nom podemos declarar-nos soberanos quando a força militar de uma potência estrangeira enche de bases o território pátrio, pisoteia a dignidade e a bandeira dos EUA ondeia sobre a nossa América a sua ameaça e espólio.
Mas, sim podemos declarar-nos povo em luita pola liberdade!

Estamos já em batalha. Com a certeza de Bolívar, “todos os povos do mundo que tenhem luitado pola liberdade tenhem exterminado por fim seus tiranos”. A justa causa dos povos nom pode ser derrotada. A espada de batalha do Libertador, agora em maos do povo, abrirá os caminhos da esperança e triunfará na contenda da definitiva emancipaçom.

Estendamos hoje a insígnia com es três cores do bicentenário como símbolo de luita e homenagem aos libertadores que sonharam a Grande Naçom de Repúblicas, escudo do nosso destino, aos que nos deram pátria pensando na humanidade e se sacrificaram nos campos de batalha para dignificar os homens e mulheres americanos.

Como duzentos anos atrás “em Bolívar está a emancipaçom”. Essa certeza espalhada sobre o céu de América polo prócer Camilo Torres, deve ser a divisa de nossa campanha na alvorada de Socialismo e Pátria Grande que ilumina o Continente e a América Insular. A colheita amorosa dos libertadores concebida para os povos nom pode ser usurpada nem um minuto a mais polos herdeiros de Satander e a sua perfidia; deve ser desfrutada pelos destinatários originais. O sangue dos libertadores nom abonou os campos de batalha para fazer mais ricos aos ricos nem facilitar novas correntes coloniais, mas para redimir o soberano que é o povo.

Rendemos tributo nesta comemoraçom ao inca Tupac Amaru, ao comuneiro José Antonio Galán, ao negro José Leonardo Chirinos e a todos os esquartejados pola criminal opressom da coroa espanhola. Honra à jovem Policarpa Salavarrieta arcabuzada polos terroristas pacificadores encabeçados polo general espanhol Paulo Morillo. Glória eterna a Francisco José de Calas, Camilo Torres Tenório, a Francisco Carbonel e, a todos aqueles que supliciados nos patíbulos nos mostraram com o seu exemplo o caminho da liberdade.

Aos precursores de nossa independência, Miranda, Nariño e Espejo, nosso reconhecimento eterno. Desenterremos esses grandes patriotas, tirando-os das covas comuns do esquecimento nas quais fôrom confinados pola mentirosa historiografia dos que desviaram o rumo da pátria, para que continuem na batalha.

Ainda ressoava o eco da vitória de Ayacuho quando entalhou a contra-revoluçom na ambiçom sem medida da oligarquia crioula polo poder político ilimitado. Ela encontrou na Doutrina Monroe intriga e alento permanente para dividir o território e despedaçar a obra legislativa bolivariana que mandava colocar o interesse comum por cima do particular.

Tal como o prognosticou o Libertador, nom tardarom em buscar um novo amo. Atacarom a concepçom bolivariana da unidade de povos numha Grande Naçom, apoiados no sofisma da Doutrina Monroe. Ela foi o seu ponto de apóio para assaltar o poder e lograr o seu miserável sonho de substituir os vireis na opressom. Essa Doutrina era o disfarce da avaricia do Destino Manifesto, que jamais pensou enfrentar a armada colonial británica nem a Santa Aliança que projetava restaurar em América o predomínio do trono espanhol, mas anexar repúblicas, saquear recursos e, submeter os povos politicamente.

Traíram a grandeza trocando a possibilidade do surgimento de um novo poder continental que fosse equilíbrio do universo e esperança da humanidade pola submissom a uma potência estrangeira. Só lhes interessava assaltar o poder político com a ajuda externa para acrescentar as suas fortunas pessoais e pôr-as a salvo da revoluçom social. Dóceis a seu novo amo desmobilizaram, por conveniência recíproca, o Exército Libertador, único garante da independência e as conquistas sociais, força dissuasiva ao mesmo tempo, das ambiçons neocoloniais do governo de Washington.

Os codiciosos e agressivos líderes no Norte, inspirados sempre no cálculo aritmético, possuídos pola ambiçom de erigir a sua prosperidade sobre a base do espólio dos povos do sul, nom podiam tolerar a implantaçom do plano estratégico de Bolívar no Congresso de Panamá que contemplava a formaçom de umha liga perpétua das naçons antes colónias espanholas, presidida por uma autoridade política permanente, com um exército unificado concebido para a defesa e para a campanha da libertaçom das ilhas de Cuba e Porto Rico, consideradas por Washington, apêndices do seu espaço continental. Lhes mortificava a ideia do Libertador de fazer efetiva a cidadania hispanoamericana entre povos irmaos, o estabelecimento de um poder político inimigo da escravidom, e sobretodo, o propósito de impulsionar um regime de comércio preferencial que figera prevalecer a cláusula de naçom mais favorecida para as repúblicas irmás coligadas.

Todas essa medidas pensadas polo Libertador Simón Bolívar para preservar a independência e a dignidade das naçons hispanoamericanas se interpunham como fortificaçom inexpugnável frente às insólitas pretensons do Destino Manifesto, inventado pelos fundadores do império para auto-legitimar o espólio.

Por isso enviaram a instruçom perversa aos seus ministros na Colômbia, México e Perú, de estimular as rivalidades entre as nossas repúblicas, o espírito chauvinista, desatar a espionagem, a conspiraçom e a intriga, minar o prestígio do Libertador e, por isso, foi Bolívar o alvo de seus iracundos ataques.

Eliminar a figura política do Libertador, a sua poderosa influencia em América Latina foi a sua obsessom até causar sua morte física e o eclipse transitório de seu projeto político e social.
Todas as desgraças e misérias da Nossa América tem essa origem. “Os Estados Unidos parecem destinados pola providência para encher a América de misérias em nome da liberdade”, tinha profetizado Simón Bolívar.

A revoluçom ficou inconclusa desde 1830 pela acçom predadora da banda de excludentes crioulos comandada polo governo de Washington.

“Toda revoluçom – dizia o Libertador – tem três etapas: a da guerra, a reformadora e a da organizaçom. A primeira pertence ao passado; foi obra dos soldados. A segunda, a cobrimos com o Congresso de Cúcuta e o governo de Bogotá. A terceira, será abordada por mim em Panamá”.
Esse é o ponto de partida para retomar a obra da independência e a revoluçom. A 200 anos de iniciada a gesta independentista o projecto de Bolívar segue assombrosamente vigente, como se tivesse sido concebido para os tempos de hoje. O povo que pode, o povo que constrói, tem a palavra. E desta vez Bolívar é o povo empunhando a sua espada com a irredutível determinaçom de luitar pola concretizaçom do seu grande sonho.

Mas, o só grito de independência nom é suficiente; ficou demonstrado pola explosom simultánea de gritos que estremeceram o Continente e, que fôrom calados rapidamente polas sanguinárias forças punitivas da coroa. Nenhum povo pode obter a sua liberdade se carece de força própria. Desta vez, o novo grito de independência, deve ser o grito de todos, o grito dos excluídos, reforçado pola mobilizaçom decidida, com a luita multiforme, com as armas da unidade, da inteligência e da força. É esta a hora de todos os povos. Eles tenhem combatido e combatem hoje, som eles os que aportam milhares de heróis destacados ou anónimos. Foi o povo a força viva do Exército bolivariano que derrotou o regime colonial na América do Sul e, será protagonista do triunfo inevitável da revoluçom política e social.

Há uma espiral ascendendo rumo à liberdade. A luita dos patriotas do século XIX tem um fio condutor, umha articulaçom com a dos patriotas do século XXI. Aqueles luitaram em um agitado contexto de crise do mundo colonial. Iniciava-se a consolidaçom do sistema capitalista com o saqueio e a escravidom de povos, mas, ao mesmo tempo, a invasom napoleônica a Espanha estimulava em Hispanoamérica a ruptura radical com o regime colonial. A luita dos patriotas do Século XXI pola definitiva independência, nom só está ligada à derrota do sistema capitalista e à dominaçom imperial, senom que exige a superaçom desse sistema decadente e a chegada de uma nova era de justiça: A do Socialismo e da Pátria Grande. A atual crise estrutural do capitalismo é o toque do clarim que anuncia ao povo que está na hora de se lançar à batalha definitiva pola emancipaçom.

Washington está preocupado com Bolívar, ainda, vivo e palpitante nos anseios de justiça dos povos, na vigência de seu pensamento e projecto político e social, no reencontro dos excluídos com a história verdadeira que lhes diz que fôrom eles, a sua dignidade, o objetivo principal do projecto originário de naçom.

Como o império enxerga na consciência dos povos um obstáculo ao espólio, entom, recorre à força e à movimentaçom do seu poderio militar para negar por meio da violência o a dissuasom, o que exigem o senso comum e a justiça. Nom nascemos para ser vassalos de ninguém, nem pátio traseiro de potência algumha. A América do Sul é nossa porque nascemos nela. Temos direito à dignidade humana e a construir o modelo de sociedade que nos leve a construir a nossa felicidade.
O que nos importa que EUA espalhe as suas bases militares no Caribe e no Continente, se estamos dispostos a ser livres. Como diria Bolívar à meio da efervescência independentista da Sociedade Patriótica: “ponhamos sem temor a pedra fundamental da liberdade suramericana; vacilar é sucumbir”.

Enfrentemos com o escudo da dignidade latinoamericana e caribenha as incessantes agressons e desrespeitos do monstro do norte, fundido esse escudo no mais duro e resistente aço da unidade. “Porque a divisom é a que nos está matando”, devemos destruí-la. A dispersom e ausência de unidade som as responsáveis polo tremendo abismo que nos separa de nosso destino de Grande Naçom, de potência de humanidade e liberdade. Rompamos as correntes mentais e culturais que mantém presa a consciência coletiva. O nosso dever é desconhecer o escravizante canto de sereia do império e, escutar a palavra amorosa do pai e Libertador, que nos diz, que “unidos seremos fortes e mereceremos respeito”; divididos e isolados, pereceremos”. A unidade é nossa força e nossa esperança.

Rechacemos com decoro pátrio as bases e avançados operativos militares do exército dos EUA na Colômbia. Castiguemos com o repúdio colectivo os governantes vassalos, de colónia, que permitiram o ultraje e que emprestaram o território como base de agressom ianque contra os povos do Continente; os apátridas que têm ajoelhado por 200 anos a nossa dignidade ante a águia imperial e, que tenhem cravado o punhal da política neoliberal e do Fundo Monetário Internacional no coraçom da Colômbia; os desavergonhados peons do império que emprestam o seu sentimento escravo para impedir em nome de Washington a incontestável ola bolivariana que percorre o Continente.

A marcha patriótica bicentenária avança já. Como dizia Bolívar: “o impulso da revoluçom está dado, já ninguém o poderá deter (…) O exemplo da liberdade é sedutor e, aquele da liberdade doméstica é imperioso e arrebatador (…) Devemos triunfar polo caminho da revoluçom e nom por outro (…) A lei da repartiçom de bens é para toda Colômbia”

Começou a mobilizaçom dos povos. Estamos nessa batalha. Com a espada do Grande Herói triunfará a independência definitiva, a Pátria Grande e o Socialismo.

 

Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP

Montanhas da Colômbia 15 de Julho de 2010

Ano do bicentenário do grito de independência