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O colectivo comunista basco Boltxe entrevistou o secretário-geral do nosso partido, Carlos Morais

Segunda-feira, 19 Julho 2010

Reproduzimos a traduçom para galego da entrevista realizada ao secretário-geral do nosso partido, Carlos Morais, polos companheiros e companheiras do colectivo comunista basco Boltxe, editor da revista e o site do mesmo nome. A entrevista foi publicada ontem no site de Boltxe e reproduzida hoje mesmo por La Haine.

O original da entrevista pode ser consultado no site de Boltxe (http://www.boltxe.info).

Carlos Morais é o secretário geral de Primeira Linha, partido com militáncia integrada em NÓS-Unidade Popular, pessoa conhecida pola sua vida entregada à militáncia comunista e à libertaçom nacional da Galiza.

Também Carlos é conhecido em Euskal Herria, amigo de nosso povo e nom só de boquilla, em NÓS-UP e em Primeira Linha, as reivindicaçons de soberania, independência e socialismo em Euskal Herria, sempre encontraram um bom aliado. E amigo de Boltxe, desde há muitos anos. Proximamente vai decorrer de novo o Dia da Pátria Galega e perante este novo evento quigemos conhecer as suas opinions e palavras.

Carlos eskerrik asko, por responder a esta série de perguntas que che dirigimos desde Boltxe.

B-Bom encontramos-nos muito perto de outro Dia da Pátria Galega, conta-nos um pouco qual é a situaçom actual de Galiza, e as suas perspectivas de luita.

C- Encontramos-nos no meio de umha dura ofensiva espanholista contra umha dos elementos medulares de nossa identidade nacional, o idioma. A recuperaçom do governo autonómico por parte do PP favoreceu um ataque sem precedentes à utilizaçom do galego no sistema educativo. A capitulaçom do BNG em frente a Espanha e o Capital e a sua política timorata e complexada durante os quatro anos de governo bipartido favoreceu a eclosom de um espanholismo ultra e radical que aposta com clareza em aniquilar o nosso idioma e cultura nacional. Frente a esta situaçom existe um poderoso movimento popular de ampla base, mas dirigido polo autonomismo, e portanto com umha orientaçom defensiva e tacticista, que vem demonstrando na rua com manifestaçons em massa que um destacado sector de nosso povo defende com contundência o galego.

O Mundial de futebol da África do Sul favoreceu o desenvolvimento deste preocupante fenómeno de normalizaçom da simbologia espanhola entre sectores populares, de adesom inconsciente ao projecto espanhol, entre os quais destaca a juventude. A grande campanha mediática de apoio à selecçom contou com o apoio dos grandes partidos espanhóis e o silêncio cúmplice do autonomismo. Há uns dias num programa da Rádio Galega, Guillerme Vasques, o porta-voz do BNG, diante da pergunta de quem desejava que ganhasse o Mundial, sem qualquer problema manifestou que “por coraçom, Espanha e Portugal”!!?

A esquerda independentista foi incapaz de reagir a tempo e em seu conjunto nom estivemos à altura que a realidade reclamava defendendo activamente nosso projecto nacional, denunciando a manobra de diversom que se oculta depois desta campanha tam bem planificada. Em plena ofensiva contra os direitos laborais, contra as conquistas sociais, contra a previdência pública e as pensons, a poucos dias do incremento do IVA, a burguesia opta por promover o chauvinismo exacerbado. Empregando esta clássica cortina de fumo, característica dos períodos de crises, consegue amortecer e atrasar as lutas. Consegue integrar momentaneamente a sectores populares a seu projecto excludente. As massas projectam colectivamente na vitória da selecçom os seus fracassos individuais, a sua frustraçom polo presente adverso e o negro futuro que sabiamente intuem. Milhares de jovens desempregados e com contratos lixo inundam ruas entusiasmados para vitorear a “Roja” e os “heróis” sufragados com bónus económicos que eles nunca conseguirám acumular em décadas de anos de trabalho assalariado. A situaçom é grave porque se nom os frearmos seremos irremediavelmente derrotados. A esquerda revolucionária independentista tem que tirar conclusons desta liçom e recuperar a iniciativa.

De resto, o actual governo de Feijó nom manifesta diferenças destacadas com as políticas aplicadas polo tandem Tourinho-Quintana. A receita neoliberal e regionalista do PP nom é qualitativamente diferente da aplicada no seu momento pelo PSOE-BNG. As três forças som responsáveis, em diferentes graus, da situaçom de marginalizaçom, empobrecimento e extrema dependência que padece o nosso país. Nos últimos meses esta corrupta casta política tem estado centrada num debate completamente alheio aos interesses da classe trabalhadora: a fusom das caixas de aforro galegas.

Como representantes dos interesses das diferentes fracçons da burguesia espanhola e autonomista carecem de vontade para dar umha alternativa à grave situaçom da classe trabalhadora galega, a qual é a que sofre com maior dureza nas suas condiçons materiais de existência a opressom nacional de Galiza polo projecto expansionista espanhol. Trabalhamos mais horas por menos salários, temos umha percentagem de precariedade laboral superior à média estatal, padecemos um dos índices de sinistralidade no trabalho mais altos de Europa ocidental, as pensons mais baixas, uns índices de pobreza e exlusom social alarmantes. A emigraçom continua a ser a única alternativa para muitas pessoas. Cada ano, mais de dez mil jovens tenhem que abandonar a Galiza para outras zonas do Estado no que é umha autêntica fuga de cérebros. Espanha contínua a aplicar umha agressiva estratégia turistificadora e energética que destrói a nossa costa, vales e montanhas, arrasando a economia produtiva, liquidando o nosso sector primário para inviabilizar ainda mais o nosso projecto nacional.

Zapatero mantém incólume essa mentalidade neocolonial com que Espanha nos vem tratando secularmente. Na divisom internacional do trabalho o capitalismo espanhol tem-nos relegado a ser um território do que extrair mao de obra barata, mera fonte de energia, onde instalar indústria de enclave e portanto poluente. A Galiza cumpre actualmente esta funçom cujo resultado a converte numa das áreas mais empobrecidas da Europa. A Independência é pois a única alternativa viável para evitar a destruiçom do projecto nacional, o Socialismo o único horizonte para a nossa emancipaçom como classe e a destruiçom do patriarcado a única via para evitar que metade da força de trabalho, as mulheres, continuem exploradas, oprimidas e dominadas. Esta é a alternativa estratégica da esquerda independentista galega representada por NÓS-UP que as comunistas galegas de Primeira Linha apoiamos.

Nom existe nengumha outra saída. A soluçom nom passa por encontrar um cómodo encaixe da Galiza em Espanha, nem por ter mais “peso” em Madrid. nom emana do incremento competencial nem de umha maior representatividade institucional do regionalismo. Mais que nunca, Galiza e sua classe trabalhadora precisam de umha alternativa de esquerda anticapitalista e independentista com apoio e projecçom de massas. Nom é hora de arriar bandeiras, é o momento de erguê-las com orgulho, decisom e coragem.

B-Neste ano, parece ser que no Dia da Pátria contades com a presença de várias “personalidades” e de umha forte presença de forças de ocupaçom?

C- A presença do monarca espanhol em Compostela nom é umha novidade, como também nom a ocupaçom da cidade polas unidades de intervençom da polícia espanhola. Levam mais de umha década a ensaiar esta estratégia com o objectivo de suprimir, empregando a violência simbólica e material, o menor traço de conflito nacional, de classe e de género na capital de Galiza. O operativo basicamente está dirigido a evitar que a esquerda independentista poda dar a conhecer seu projecto e dificultar que se manifeste com normalidade. Nom é um fenómeno novo nem se aplica exclusivamente nas semanas prévias ao 25 de Julho. Neste ano com o Jacobeu levam meses implementando umha política policial de controlos, intimidaçom e ocupaçom de Compostela que gera mal-estar entre a cada vez maiores sectores da cidade. Política complementada com a criminalizaçom e intoxicaçom que dia sim e dia também transmitem os meios de desinformaçom da burguesia.

B-Fala-nos de Primeira Linha: onde se situa ideologicamente? Que ideia tendes do marxismo e do leninismo hoje em dia, em 2010?

C- Primeira Linha é um partido comunista fundado o 1º de maio de 1996. Os seus objectivos som organizar ao proletariado e a classe trabalhadora galega para conseguir umha Galiza independente, socialista e nom patriarcal. A Revoluçom Galega é pois nosso objectivo estratégico. Somos umha organizaçom revolucionária que nasceu numha conjuntura nacional e internacional muito desfavorável, em plena crise da esquerda mundial após a implosom do socialismo soviético e a bebedeira neoliberal. Somos a primeira organizaçom comunista fundada na Europa no crepúsculo do século XX, depois da queda do muro de Berlim. Nom somos umha organizaçom facilmente etiquetável. Somos marxistas e leninistas mas conjugamos de forma criativa as contribuiçons de outros espaços de luita. Desde a nossa criaçom há três lustros tentamos avançar com umha original experiência de construçom de um partido comunista de novo tipo. Consideramos que é a classe operária a única com capacidade de convocar e aglutinar sob a sua hegemonia o arco íris emancipador de todas as rebeldias presentes na nossa sociedade, porque é necessário umha simbiose entre o crisol de luitas parciais pola libertaçom da mulher, contra a predaçom do ambiente, o poder adulto ou os direitos sexuais e a eliminaçom da propriedade privada dos meios de produçom. Actualmente ainda somos um projecto modesto, mas temos um percurso e umha experiência nada desprezível no seio da Galiza rebelde e combativa.

Defendemos que Galiza precisa dotar-se de um Estado de carácter operário porque aplicamos a teoria marxista desenvolvida por Lenine nas suas reflexons sobre o direito de autodeterminaçom de que numha formaçom social que padece umha opressom nacional a luita de classes adopta a forma de libertaçom nacional. A contradiçom principal é a de classe mas na nossa realidade concreta esta nom se pode entender nem desenvolver à margem da opressom nacional que padecemos polo imperialismo espanhol.

A nossa actividade está basicamente centrada em impulsionar e desenvolver as organizaçons de massas que fam parte da corrente da esquerda independentista e socialista galega em que estamos enquadrados e que denominamos MLNG; no trabalho no movimento operário, nos movimentos sociais como o feminismo, a defesa e promoçom da língua e cultura galega, a solidariedade internacional.

Antes de finalizar no ano realizaremos o nosso V Congresso, no qual aprovaremos um programa táctico e estratégico definindo com mais precisão a estratégia revolucionária insurreccional que como comunistas galegos consideramos a melhor via para os objectivos que perseguimos. A Revoluçom Galega nom será resultado de umha maioria aritmética parlamentar, e sim consequência da hegemonia política, ideológica, cultural e militar das forças operárias e populares num longo processo de acumulaçom de forças com base numha coerente intervençom teórico-prática.

A actual crise do capitalismo constata que Marx e Lenine continuam mais vigentes que nunca, que a Revoluçom nom só é um objectivo desejável, é umha necessidade impostergável. Há que procurar umha saída política à crise actual. Hoje nom fam sentido os meios termos. Há que chamar as cousas polo seu nome. Esquecer-se dos eufemismos. A crise económica e financeira vai acompanhada por umha crise ecológica, energética, alimentar de incalculáveis consequências que pode derivar num neofeudalismo, numa saída autoritária a escala mundial ou na destruiçom do capitalismo. É o momento da luita, do combate, da crítica radical, descomplexada contra o capitalismo. Da defesa do Socialismo como alternativa viável para a humanidade. Mas para que isto seja possível é imprescindível a auto-organizaçom operária e popular, a luita organizada, um partido comunista de vanguarda com influência de massas. O capitalismo nom cai por si só, há que tombá-lo. Com acçons espontáneas nom basta. Há que planificar e orientar a sua queda. É necessário organizar a luita contundente para derrotar a burguesia e evitar a sua recomposiçom.

B-O movimento de libertaçom galego, participa também do movimento bolivariano… Como estades a contribuir desde a Galiza?

C- A Galiza mantém historicamente intensos laços com os povos latino-americanos e caribenhos. Durante mais de um longo século centenas de milhares de compatriotas emigrárom ao continente de Bolívar, Manuelita Sáez, Mariátegui, Celia Sánchez, Fidel, o Che e Marulanda, à procura de um futuro melhor, escapando da miséria a que nos condena Espanha. Mas também em determinadas etapas históricas ali encontramos umha retaguarda para quem procurava refúgio do fascismo, e para quem participava na reorganizaçom da resistência nacional e de classe. Nesse continente estivo durante décadas a legalidade democrática e nacional do Conselho de Galiza, o governo galego no exílio. Nom podemos obviar que nessas terras compugemos o nosso Hino Nacional, foi criada a nossa bandeira, fundada a Academia Galega, editamos as primeiras publicaçons periódicas independentistas, desenvolvemos a nossa cultura e idioma. Buenos Aires, México, Havana ou Caracas representam muito para o nosso País, para a nossa luita pola independência e o socialismo.

Parcialmente, compensamos esta impagável hospitalidade participando na criaçom do movimento operário, de sindicatos e organizaçons revolucionárias, implicando-nos na sua luita pola soberania e a liberdade. Muitas galegas e galegos ou descendentes de galegos combatêrom nos exércitos libertadores de Martí, de Fidel ou de Rober Santucho.

Todo isto gerou profundos vínculos de amizade, respeito e solidariedade entre nossos povos. A nossa activa participaçom no Movimento Continental Bolivariano responde a duas causas. Em primeiro lugar, somos umha organizaçom patriótica mas também internacionalista. A nossa luita desenvolve-se na Galiza, mas nom somos alheios a nengum combate pola liberdade, contra o capitalismo e o imperialismo que tenha lugar em qualquer parte do mundo. Em breve, a editora ligada ao nosso partido vai publicar um livro inédito sobre o seqüestro polo DRIL em Janeiro de 1961 do Santa María, um paquete de passageiros português. Um dos artífices desta acçom promovida por umha organizaçom político-militar galego-portuguesa foi José Fernandes “Comandante Soutomaior”, um combatente comunista que estivo na guerrilha depois do golpe fascista de 1936, e posteriormente foi assessor do MIR Venezuelano, colaborou com a revoluçom cubana e representou directamente o guevarismo como delegado da Tricontinental no Vietname e Laos. É um exemplo a seguir que reivindicamos e do que como revolucionários galegas nos sentimos orgulhosos.

A nossa presença no MCB contribui para pagar esta dívida histórica que temos, mas basicamente pretende reactivar a solidariedade, cooperaçom e intercâmbio mútuo, dando a conhecer entre boa parte do melhor da esquerda desse continente que somos um povo que luita exactamente por idêntico objectivo contra o que há agora 200 anos se levantárom Bolívar, Sucre ou Artigas: o imperialismo espanhol. Damos a conhecer a luita galega procurando solidariedade, mas também difundimos aqui a justa luita do movimento bolivariano, da insurgência colombiana.

B-E da tua perspectiva galega, como vês o movimento bolivariano e as luitas dos povos da América?

C- Actualmente os processos em curso na Venezuela, Bolívia ou Equador encontram-se numha encruzilhada em que é necessário maior definiçom política, audácia e clarificaçom ideológica. Ou bem se opta por um capitalismo de estado de traços anti-imperialistas e populistas, por reproduzir modelos nacional-democráticos ensaiados décadas antes sem sucesso, ou bem se avança na construçom de um socialismo genuíno, afastado do eleitoralismo burguês e do etapismo dos manuais soviéticos.

Nom é o mesmo o que se passa no Equador, onde Correa abandonou as suas promessas, aplica políticas neoliberais, reprime o movimento popular e a esquerda revolucionária, tenta a conciliaçom com Washington e os seus representantes no Palácio de Nariño de Bogotá, que o processo venezuelano ou boliviano. Hugo Chavez deve despreender-se da boliburguesia que seqüestrou os anseios do povo bolivariano e abrir umha nova fase do processo revolucionário, onde o chamado Socialismo do século XXI passe de ser retórica do imaginário governamental a ser umha realidade tangível. Há que superar o contrato social interclassista, o estatismo, as práticas caudilhistas, dando protagonismo ao povo trabalhador e iniciar umha revoluçom ideológica que mude as mentalidades para assim poder sentar com firmeza as bases de umha Revoluçom Socialista. Nom é possível a conciliaçom com a burguesia nacional nem manter políticas erráticas à hora de se relacionar com as potências imperialistas.

A situaçom cubana também é preocupante. O modelo estatista está esgotado e o actual governo é incapaz de reorientar a construçom do socialismo que demanda a esquerda da Revoluçom. Segue empregando velhas receitas que a história demonstrou incorrectas. Sem participaçom e envolvimento popular, sem democracia socialista, sem autogestom e cogestom operária dos meios de produçom nom é possível construir um modelo alternativo ao capitalismo nem manter o apoio em massa do povo. Raúl e a sua equipa equivocam-se ao procurar na Igreja católica um aliado para contornar a difícil situaçom económica, social e de legitimaçom política deste processo revolucionário tam importante para o futuro da América Latina e as Caraíbas.

O recente resultado das ilegítimas eleiçons colombianas constata que, frente à fraude em massa de um regime narcoparaterrorista, o projecto representado polas FARC-EP e o movimento popular continua a ser a única via para derrotar a oligarquia e os apetites expansionistas ianques da Nossa América. A solidariedade activa com a insurgência é muito importante para avançar na consolidaçom da segunda e definitiva independência e sentar as bases para ter verdadeiras possibilidades de vitória na inevitável confrontaçom em grande escala que o imperialismo prepara contra os povos latino-americanos e caribenhos.

Hoje a espada de Bolívar percorre de novo boa parte do continente. Está a assistir-se à recomposiçom de umha nova esquerda revolucionária com estreitos vínculos com os movimentos sociais, afastada dos modelos burocráticos e pactistas dos velhos PCs que tanto dano produzírom à causa do Socialismo. O projecto do Che Guevara é um referente indispensável para conseguir avançar para verdadeiras revoluçons socialistas, evitando reproduzir caricaturas de revoluçom.

B-Mudando radicalmente de tema: o quase eterno conflito lingüístico na Galiza. Que nos podes contar?

C- Inicialmente o projecto expansionista castelhano, a partir do século XIX o espanhol, levam mais de 500 anos tentando destruir o idioma e a cultura nacional galega, basicamente sua língua: o galego-português. Até o presente, empregárom infrutiferamente todas as estratégias possíveis para o conseguir. Mas nas últimas três décadas avançárom mais neste objectivo que nos cinco séculos anteriores. Um período tam prolongado sem soberania provocou umha inevitável erosom do idioma. A pressom espanholizadora acelerada durante o franquismo fué contrapesada por umha sociedade onde o mundo rural mantinha um peso hegemónico. As modificaçons na morfologia de classes de Galiza derivadas da industrializaçom desenvolvimentista imposta a partir da década dos 60 do século XX e alguns dos principais fenómenos derivados: escolarizaçom obrigatória, expansom dos meios de comunicaçom de massas, provocaram um traumático mudança social que facilitou primeiro a espanholizaçom de amplos sectores populares urbanos e posteriormente da juventude.

Trinta anos de Autonomia nom só nom serviram para galeguizar a Galiza, fôrom determinantes no processo de espanholizaçom em curso. A imposiçom do decreto de 1982 que impom umha norma ortográfica espanhola para o nosso idioma nos territórios da Comunidade Autónoma tam só favoreceu a hibridaçom, antessala do desaparecimento de um idioma. As instituiçons autonómicas nom só nom garantem a escolarizaçom em galego, tampouco o cumprimento da tímida legislaçom. Isto provocou a queda de galego-hablantes a percentagens que nom garantem sua continuidade. Se nom se produzir umha inversom linguística em duas geraçons nosso idioma nacional pode desaparecer. Paradoxalmente, no período 2005-2009 o governo autonómico do PSOE-BNG nom apostou no avanço da galeguizaçom do sistema educativo, mas a extrema-direita do PP tem feito da “liberdade” lingüística bandeira na recuperaçom da gestom do governo. A sua inesperada vitória provocou umha ofensiva descomplexada contra o galego plasmada na recém aprovada ruptura do pacto assinado na era Fraga, cuja consequência é a reduçom da obrigatoriedade de dar aulas em galego num conjunto de matérias.

Os comunistas galegas nom vamos cessar no empenho de evitar a destruiçom de umha cultura cujo primeiro documento escrito que se conhece data de 1175, como também sabemos que a única estratégia viável para normalizar nossa língua e cultura passa por romper a barreira mental do rio Minho, apostando na unidade linguística galega-portuguesa frente à dialectizaçom da normativa imposta pela Real Academia Galega. Mas isto nom será plenamente possível sem recuperarmos a soberania perdida mediante a conquista da segunda e definitiva independência nacional.

B-Existem possibilidades de trabalho comum entre o soberanismo galego, tam dividido e fragmentado?

C- Sim, claro que existem. O único que se precisa é vontade por parte de todos os agentes implicados. Nós levamos mais de dez anos promovendo espaços de unidade e convergência. Todas as iniciativas que na última década perseguiam ultrapassar esta divisom ou bem fôrom promovidas unilateralmente por nós, ou contavam com o nosso envolvimento directo.

Nom se pode converter a unidade num fetiche. Levamos anos manifestando que som três os princípios inegociáveis para participarmos activamente em qualquer espaço tendente a superar a divisom do campo da esquerda independentista. A indiscutível definiçom de esquerda anticapitalista. O reconhecimento da pluralidade política e ideológica do espaço resultante. E finalmente a plena autonomia frente ao regionalismo. Primeira Linha há um par de meses manifestou claramente que somos partidários de aliança amplas em base a programas avançados, nom a unidades estreitas com projectos de mínimos.

Lamentavelmente na actualidade nom existem condiçons subjectivas para avançar neste desejado horizonte. Como comunistas galegos, nom vamos renunciar ao nosso projecto estratégico. Nom podemos implicar-nos em complexados projectos interclassistas com umha linha ambígua no plano nacional e social, que substituem o independentismo polo soberanismo e evitam definir o objectivo socialista de nosso movimento de libertaçom nacional. Nom podemos aderir a espaços que mantenhem umha posiçom conciliadora com o autonomismo, ou que colaboram com o espanholismo social-democrata. Para nós, o BNG e todo o que representa fai parte do regime espanhol. Levamos anos manifestando que nós nom estamos por construir umha fotocópia em cores do BNG nem por recuperar obsoletos modelos maquilhados de nostalgia. É legítimo aspirar a fundar em Galiza umha nova força política semelhante a ERC ou a EA, mas Primeira Linha nom vai subir a um comboio de via estreita e curto percurso porque os nossos vagons nom encaixam, nem há vontade de compartilhar a locomotiva.

E isto nom há que o viver como um drama. Hoje o mais sensato é aplicar a palavra de ordem de caminhar separados, golpear juntos. Nas luitas coincidiremos. Cada umha das partes desse poliedro de organizaçons e colectivos desenvolverá o seu específico projecto. O futuro constatará quem acerte e quem nom consegue avançar ao ritmo desejado. Nesse momento a unidade será resultado de um acordo político, de um desejo honesto, nunca de umha imposiçom ou da exclusom de alguma das partes. Múltiplas experiências históricas constataram que há unidades que somam, que outras multiplicam mas que também há unidades que restam. Na actualidade, na Galiza nom é possível umha unidade imediata da esquerda independentista, porque boa parte das peças aposta na divisom. Negá-lo é praticar o cinismo e a hipocresia, que nom tenhem cabimento no campo da esquerda transformadora.

B- Vamos ir acabando a entrevista falando de Euskal Herria? Que impressons tens do processo democrático desde Galiza?

C- Cada povo tem que procurar o seu próprio caminho, a sua particular via para a sua libertaçom nacional e emancipaçom social de género.

Nós participamos como partido convidado junto à delegaçom de NÓS-Unidade Popular no acto em que se assinou o acordo de colaboraçom entre a esquerda abertzale e EA. Como fizemos desde a nossa constituiçom, sempre mantivemos umha estreita amizade com o independentismo socialista basco, com a luita de vosso povo pola independência e o socialismo. Nem nos momentos mais difíceis deixamos de manifestar activamente nosso apoio e solidariedade, como bem sabedes. Da mesma forma, quando nom coincidimos, nom apoiamos iniciativas que consideramos nom cumpriam os requisitos mínimos aceitáveis para participarmos. A sinceridade e a honestidade, bem como o respeito e a nom ingerência, devem ser virtudes inerentes nas relaçons internacionalistas entre revolucionárias.

A partir deste respeito mútuo que tentamos praticar, como também da confiança política que gera mais de meio século de exemplar luita, respeitamos as decisons que a esquerda abertzale adoptou. Isto nom evita que vejamos com certa preocupaçom alguns sintomas que estám a emergir do debate interno como consequência da durísima repressom a que os Estados espanhol e francês venhem submetendo a esquerda abertzale. A dialéctica a aplicar na combinaçom das formas de luita utilizadas deve ser avaliada permanentemente por umha organizaçom revolucionária. Desconhecemos elementos fundamentais para poder avaliarmos com maior rigor a plasmaçom do acordo rubricado a 20 de Junho em Bilbau. O tempo constatará se som correctas.

B- Como avaliades, de Primeira Linha, a evoluçom da Esquerda Abertzale e o seu difícil trabalho no meio de repressom, ilegalizaçons, etc?

C- A última década foi muito dura para as esquerdas independentistas em general, e bem mais para a basca em particular. Adaptar-se às novas formas de combate que aplica o inimigo é básico para nom perecer na luita. Em todos estes anos, a esquerda abertzale tem demonstrado enorme capacidade para superar as mudanças tácticas e estratégicas do inimigo comum que compartilhamos: o projecto assimilacionista espanhol. Hoje tem diante um enorme repto e tomou maioritariamente um caminho que nom é novo, mas que ao invés de anteriores experiências parece excessivamente influenciado por factores exógenos. Evitar a derrota estratégica é prioritário na hora de ensauar movimentos tácticos. Mas também é fundamental evitar que os movimentos conjunturais adoptem a natureza de estratégicos. Os principais factores identitários do processo basco, o seu específico perfil antissistémico que tanta projecçom e apoios conseguiu a escala internacional nom deveriam ser modificados substancialmente. Tal como em 1977-79 ou em 1989-1991 nom se deixou seduzir pelos cantos de sereia da social-democracia, nos dias de hoje também tem que evitar procurar atalhos que nem sempre conduzem ao mesmo lugar.

B- Agora sim, para terminar, entre comunistas? Continuas a ver umha saída em chave marxista e socialista para a humanidade?

C- Nom existe outra hipótese. A crise capitalista só se soluciona com a Revoluçom socialista. Hoje os comunistas devemos implicar-nos em todas as lutas, participar sem complexos em todos os combates. Está a criar-se um caldo de cultivo propício para que os nossos ideais, a mais bela criaçom da humanidade, voltem a ser escuitados e seguidos polas massas, tenham eco entre as trabalhadoras e a juventude.

Eles sabem-no. Estám preocupados. Nom é por acaso que a superestrutura ideológica do capitalismo esteja a dedicar esforços a combater Marx e a Lenine, a criminalizar as greves e as luitas. Mas para ter sucesso há que actuar com habilidade, inteligência e planeamento. Há que passar à ofensiva: agitar nas ruas, centros de estudo e de trabalho; organizar a classe operária, a juventude e as mulheres; reactivar a batalha ideológica, formar militantes e quadros; manter umha prática coerente com o discurso. O futuro é nosso, mas nom vai ser fácil conquistarmo-lo.

Bom, reiteramos o agradecimento às tuas palavras e desejamos para ti, para Primeira Linha e NÓS-UP toda sorte de avanços e bom trabalho e também produtivo em prol do socialismo e a independência para a Galiza. Em Boltxe nom ocultamos nossa simpatia polo vosso movimento político, sodes os nossos camaradas da Galiza e nesse sentido sempre tereis em Boltxe, companheir@s e camaradas de luita e com certeza amig@s. Um prazer ta ondo izan!!