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Colômbia: continuísmo sangrento e ilegítimo

Sábado, 17 Julho 2010

Narciso Isa Conde

 

“Com o triunfo ilegítimo do continuísmo, repudiado pela abstençom cidadá, o país entrou num processo de radicalizaçom da luita política, no que o povo será protagonista de primeira linha… Estamos muito próximo de outros quatro anos de ofensiva oligárquica contra o povo em todas as ordens, lambuzado com melifluas e enganosas promessas oficiais em torno de umha vitória militar, como repetiram sem cessar durante 46 anos, sem se preocuparem, nem muito menos se comprometerem, para superar as causas que geram o conflito”. (“O triunfo ilegitimo” Secretariado das FARC-EP)

 

Santos substituirá Uribe: lascas de um mesmo pau sangrento.

Dizem que na Colômbia há democracia e que se fizeram “eleiçons livres”. Mas nos oito anos de governos de Álvaro Uribe Vélez -isto sem contar o meio século anterior de “guerra suja”- disparou a níveis horríveis o número de desaparecidos, assassinados, deslocados, torturados, masacrados? Nada estranho num regime surgido do abraço carnal do paramilitarismo  com umha das oligarquias mas vorazes e sangrentas da America e  um imperialismo altamente militarizado e agressivo.

Na Colômbia existe um narco-estado terrorista que impom um carimbo policial-militar e paramilitar em todo o seu território.

A Colômbia converteu-se em plataforma de sete bases militares estado-unidense destinada a tutelar e nutrir a contra-insurgência; e a preparar, junto à IV frota dos EUA posicionada nas redondezas, a conquista militar da Amazonia.

A “democracia representativa” desse país está montada sobre esse arsenal e sobre um verdadeiro estado de terror. As suas eleiçons estám marcadas polo medo, a narcopolítica e a fraude arteira.

Dizem que Santos conseguiu 69% dos votos e que Atanás Mockus, ambos neoliberais com matizes diferentes, conseguiu 27.5%.

Visto superficialmente, o continuador de Uribe arrasou Mockus e pareceria que se trata de umha maioria esmagadora. Assim, de resto, tencionam vender esses resultados as grandes agências dês-informativas imperialistas, reforçando a falsa ideia de que o povo colombiano votou em grande polos chamados sucessos do guerreirismo oficial.

Mas acontece que 69% que se atribui a Santos é calculado sobre os 45% de votos depositados, já que a abstençom foi de 55%, alguns dim que de muito mais! O mesmo serve para os 27.5% atribuídos a Mockus.

Estes resultados, bem e francamente lidos, significam que em Juan Manuel Santo votou apenas à roda dos 27%  de os/as eleitores/as colombianos/as e que em Atanás Mockus votou por volta dos 13% ou 14 do total, já que também há que restar os votos nulos.

Santos, por tanto, “arrasou” Mockus exclusivamente dentro da minoria que votou, mas a verdade é que nom conseguiu motivar a seu favor nem sequer um terço das e dos registados no censo eleitoral colombiano. Inclusive juntos, Santos e Mockus, só somam 42% dos registados nesse censo, enquanto a abstençom atingiu 55%.

Entre a minoria votante, simpatizante da extrema-direita, a direita e o centro- direita político que coincidiu nas urnas, ganhou o mas de direita, o mais guerreirista dos dous. Isto dá para se estranhar.

Mas ao mesmo tempo o suposto triunfador ficou totalmente ilegitimado em frente da sociedade e ante a própria “democracia representativa” que diz encarnar. Como ficou também ilegitimado, em maior grau ainda, quem  ainda diz ser a “alternativa” dentro do sistema político decadente que impera na Colômbia.

Ganhou realmente a abstençom. Ganhárom todos os que nom acreditam nessa falsa democracia. Ganhou a insurgência armada. Ganhou a oposiçom radical nom armada. Ganhárom os movimentos sociais contestatários. Ganhárom os povos originários e os deslocados pela guerra suja.

Só que se trata de umha vitória sem representaçom institucional, de um triunfo extra-institucional dentro de um processo inconcluso. umha vitória que para além das inibiçons por indiferença ou apoliticidade, expressa o desenvolvimento progressivo de umha espécie de contrapoder popular enfrentado ao estado de terror e à classe dominante-governante oligárquica e mafiosa desse país.

Julgam vocês que em tais condiçons o Diabo Santos pode assegurar capacidade para derrotar as FARC e o ELN e para prometer e anunciar o fim da insurgência?

Pode um Presidente tam ilegitimo prometer o que durante quase meio século todos os seus antecessores -procedentes como ele da  rançosa oligarquia colombiana subordinada aos EUA- prometêrom sem conseguir?

Estes resultados eleitorais mostram precisamente as profundas raízes sociais do conflito armado na Colômbia, a enorme base popular divorciada do sistema dominante dentro dessa sociedade e a impossibilidade do sucesso militar de um poder oligárquico-mafioso a cada vez mas ilegitimo, desgastado e antinacional.

Mostram claramente até onde chegou o descrédito de seus protagonistas e beneficiários, mascarados com contínuas avalanches de mentiras mediáticas destinadas a justificar o negócio da guerra suja tutelada polos EUA, cada vez mais dependente do seu fluxo de armamentos e da sua intervençom directa.

A verdade é que quem carece de força política no seio do povo Colombiano, mal pode garantir em tais circunstáncias a sua vitória pola via militar.

Com fanfarronaria nom se ganham nem guerras nem as eleiçons. Santos nom ganhou porque nom é Santo e sim Diabo, e porque realmente foi derrotado polos tantos/as que votárom por nengum, porque foi minimizado e ilegitimado polos que ante a falta de opçom alternativa decidírom enfrentar o ouro corruptor e o terror afastando-se das urnas.

Uribe e Santos, os seus padrinhos Bush e Obama, continuam no governo sem terem ganho. Na verdade fôrom parcialmente derrotados e esperam-nos derrotas maiores, num continente que dixo basta e começou a andar.

Derrotas maiores relacionadas com o processo de conversom da resistência e o contrapoder em desenvolvimento em poder hegemónico, em nova institucionalidade, em novo Estado e novo governo. Nessas quatro cousas misturadas, sem patentes nem hierarquias definidas no tempo, impulsionadas polas mais variadas formas de luita, polas suas ricas combinaçons, pola infinita criatividade de um povo que tem sabido sobreviver, resistir, despregar heroísmo e criar forças transformadoras em condiçons  de sometimiento e crueldade realmente excepcionais e horrendas.

As vitórias pírricas som realmente contrariedades e esta foi umha vitória pírrica dos Santos, Uribe, os falcons de Washington e dos seus demónios.

À mentira de que os dias da insurgência estám contados, agrega-se umha outra maior: “que as FARC estám acabadas”.

O que nom podem explicar os governantes colombianos é porque, se isso for assim, pedem ao G8, à Uniom Europeia e a um grande número de governos do mundo umha maior ajuda para as perseguir e as derrotar.

A verdade toma relevo quando se apreciam tantas incoerências e umha ocupaçom militar a cada vez maior de parte de EUA.

É forte a luita, mas nom há maneira de derrotar militarmente a resistência multifacética do povo colombiano. A saída política ao conflito armado terá de impor-se sobre os senhores da guerra, da fame, a narcocorrupçom e o sangue.