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Prestige: atentado terrorista contra Galiza

Quarta-feira, 12 Fevereiro 2003

Noa Rios Bergantinhos

O acidente do Prestige em águas da Galiza, e o posterior afundamento do petroleiro contaminando mais de 900 quilómetros do litoral galego e a paralisaçom de um dos alicerces básicos da nossa economia, nom é fruto das inclemências metereológicas, ou da dureza da Costa da Morte, é conseqüência da lógica capitalista do máximo benefício, da opressom nacional de carácter colonial que padece a Galiza polo Estado espanhol, e do desinteresse, descoordenaçom e criminosa atitude com a que o PP está gestionando a situaçom.

Galiza está padecendo umha das crises nacionais mais graves da nossa história contemporánea que suporá condenar ao desemprego e à emigraçom dezenas de milhares de trabalhadoras e trabalhadores, a ruína de comarcas e vilas inteiras, umha nova reconversom económica que afectará todos os sectores produtivos, com umha queda do PIB entre cinco e seis pontos, pois dos 74 principais, 54 mantenhem um vínculo directo ou indirecto com o mar. A pesca, na Galiza, move oficialmente mais de 3.127 milhons de euros anuais.

O acidente do Prestige nom é umha novidade no nosso país. Galiza leva assistindo de maneira cíclica a situaçons semelhantes. No último quartel de século sofrêmos o 10% das marés negras de todo o planeta, o 65% dos acidentes de petrolerios da Europa. Apesar de estes antecedentes os governos espanhóis e autonómicos carecem dos planos e os mínimos meios para evitar, combater e paliar este tipo de catástrofes claramente evitáveis. O capitalismo espanhol negou à Galiza os instrumentos técnicos, os recursos humanos, imprescindíveis para fazer frente a situaçons que nom som novas.

A passividade do PP e as toscas manipulaçons da maioria dos meios de comunicaçom no tratamento da dimensom e realidade da catástrofe ecológica e sócio-laboral, gerou um massivo e espontáneo sentimento de indignaçom colectiva. Umha resposta social inédita que denuncia os responsáveis, e reivindica imediatas medidas políticas para solucionar a crise económica derivada do vertido de milhares de toneladas de fuelóleo ao mar. Galiza desde meados de Novembro acha-se em “mobilizaçom permanente” com manifestaçons de centenares de milhares de pessoas. Este fenómeno rompe os esquemas e preconceitos de povo submisso e manso. Todo parece indicar a possibilidade de que destacados sectores do povo trabalhador estám despertando da letargia alienante do franquismo e sua prolongaçom monárquico-burguesa. Ante a ausência do Estado, fôrom as populaçons trabalhadoras afectadas de comarcas inteiras as que com seus próprios meios, suas ferramentas de trabalho e suas maos, impedírom, de forma muitas vezes heróica, a entrada do veneno nas rias. Este processo de autoorganizaçom popular, está favorecendo um difuso, e de momento, primário incremento da consciência nacional e do orgulho de pertencer a um povo abandonado e oprimido. Esta tendo lugar umha relativa radicalizaçom das reivindicaçons, dos protestos, das formas de luita que indicam possíveis mudanças estruturais na sociedade galega. Esta rápida politizaçom contribuiu ao fracasso das estratégias de censura e manipulaçom de massas praticadas polos meios de comunicaçom da burguesia.

O movimento popular está “dirigido” pola plataforma Nunca Mais e polo colectivo de artistas e intelectuais Burla Negra. Ambas as entidades estám baixo a influência do reformismo autonomista do BNG, que vetou unicamente a presença no seu seio da esquerda independentista representada por NÓS-Unidade Popular e as entidades sectoriais do MLNG.

A grave crise de legitimidade do PP e a radicalizaçom do movimento de massas provocou temor no BNG que renunciou a politizar o discurso e as reivindicaçons, pois o seu principal objectivo é capitalizá-lo eleitoralmente nas municipais de Maio. As mobilizaçons solicitam a demissom das autoridades responsáveis, mas o BNG veta a convocatória de greve geral; as manifestaçons reivindicam democracia e justiça para a Galiza, mas o BNG, com o PSOE, aposta por manter a estabilidade institucional por meio dumha moçom de censura a Fraga que apenas supujo o balom de oxigénio que pedia o regime. Ambas as organizaçons -a primeira vem de assinar um pacto de estabilidade com o neofascismo fraguiano denominado “Diálogo institucional”, que supom a definitiva integraçom no quadro jurídico espanhol e a renúncia ao exercício de autodeterminaçom-, nom desejam que o PP se desmorone eleitoralmente em Maio porque poderia, unido às graves divergências internas da Junta da Galiza, forçar Fraga a convocar eleiçons autonómicas antecipadas depois do verao. Nem ao PSOE, nem ao BNG lhes interessa gestionar agora a Junta com o Prestige soltando fuelóleo e com umha crise económica que agrava a já de por si situaçom dependente do nosso país.

O independentismo galego está participando activamente no movimento popular introduzindo o discurso nacional, de classe e de género, popularizando a alternativa independentista, socialista e antipatriarcal, cujos eixos políticos em esta conjuntura baseiam-se em solicitar a demissom e prisom para os responsáveis, incluído o monarca espanhol como chefe do Estado responsável directo do ecogenocídio do nosso litoral e a ameaça de destruiçom de milhares de postos de trabalho; a ilegalizaçom do Partido Popular responsável directo do fracasso da gestom na catástrofe; a convocatória de umha greve geral para obrigar ao Estado espanhol ue evite que o Prestige siga contaminando as nossas costas nos próximos anos: diariamente está vertendo mais de cem toneladas de fuelóleo, e um plano sócio-económico integral de reactivaçom e recuperaçom das zonas mais afectadas.

Porque deve ser Espanha quem resolva o problema que gerou. A limpeza das praias, a regeneraçom do litoral, corresponde às autoridades espanholas. O voluntariado baixo a supervisom das instituiçons, grupos ecologistas subsidiados, exército, ou as ONGs, pode ser um lavado de consciências para muita gente que bem intencionadamente quer colaborar, mas na prática é pouco útil até que nom se evite que o barco siga soltando fuelóleo, e tam só desvia e dilui as contradiçons nacionais, de classe e de género em curso entre Galiza e Espanha. Bem diferente é colaborar directamente, sem intermediários institucionais ou oficiais, com as populaçons directamente afectadas. Isto é a solidariedade que reclama o povo trabalhador galego, e nom os donativos e esmolas que os meios de comunicaçom e as instituiçons espanholas estám promocionando dentro do seu esquema colonial. Galiza quer justiça, nom caridade.

Apenas a pressom popular, a mobilizaçom social, logrará que a oligarquia espanhola ponha os meios económicos, técnicos e humanos para superar e solucionar a crise nacional.

Apenas um processo revolucionário endógeno, que logre dotar a nossa naçom dum estado próprio para construir umha sociedade socialista e nom patriarcal, evitará que sigamos sendo pasto da lógica terrorista do capitalismo, de novas marés negras.

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