Abrente

Ediçons digitais da publicaçom trimestral do nosso partido

Documentaçom

Textos e outros documentos políticos e informativos de interesse

Ligaçons

Sites recomendados de ámbito nacional e internacional

Opiniom

Artigos assinados sobre temas de actualidade galega e internacional

Video

Documentos audiovisuais disponíveis no nosso portal

Home » Documentaçom, Opiniom

Lenine em Euskal Herria

Segunda-feira, 7 Junho 2010

 

 

Iñaki Gil de San Vicente

Há uns dias tinha que ter-se celebrado na sede bilbaína de IPES, (c/Rodada Nº 25, Bilbo) a apresentaçom do livro “Lenine e a revoluçom” de Jean Salem  (Península, Barcelona 2009), mas à necessidade do debate colectivo impujo-se essa clássica dialéctica entre a irracionalidade global do capitalismo como totalidade que nom pode ser dirigida conscientemente, e a racionalidade parcial da cada umha de suas indústrias concretas. Neste caso, dita dialéctica apresentou-se mediante a forma externa dos típicos “problemas de saturaçom” aérea que atrasarom várias horas a chegada de J. Salem a Bilbo. Durante a espera, as pessoas assistentes decidirom nom deixar-se vencer pola irracionalidade global do capitalismo e, depois de um debate, concluírom que se reuniriam de novo o próximo 3 de Junho no Centro Cívico S. Francisco (Praça Coraçom de María) às 19h30, para, já sem a presença do autor, discutir sobre o conteúdo do livro desde o enfoque que se expressa no título da palestra-debate: “Leninee, revoluçom, autodeterminaçom”.

Foi muita a expectaçom criada polo debate que seguiria  às palavras de J. Salem, já que a actualidade de Lenine a começos do século XXI sustenta-se, no mínimo, em seis razons: Umha, teorizou a questom chave da política em general: a questom do poder e do Estado, e fazer com umha brilhantez e profundidade muito superiores aos tópicos superficiais e bastante reformistas de Foucault. Dous, demonstrou nada menos que desde 1900 a importância crescente das luitas de libertaçom nacional, redondeando a sua argumentaçom com o seu estudo-síntese do imperialismo capitalista, de maneira que nom se pode entender a Lenine, ao marxismo e à história do século XX e do que vai do XXI sem estas contribuiçons. Três, a sua teoria da organizaçom revolucionária, do papel da consciência política organizada dentro da espontaneidade das massas, da interacçom entre a profundizaçom teórica, a propaganda política e a agitaçom de massas, esta teoria geral que se iria melhorando com a experiência segue sendo agora tam válida ou mais que entom. Quatro, o seu esforço por recuperar a filosofia materialista e a dialéctica marxista reivindicando o seu conteúdo emancipador, precisamente em dous momentos críticos para a luita revolucionária. Cinco, as suas impressionantes contribuiçons na Internacional Comunista também em um momento crítico para a humanidade. E seis, a sua praxis militante pessoal, o seu rejeitamento a toda burocracia, honra e privilégio, a sua forma de vida austera e singela, a sua independência de critério e a sua reivindicaçom permanente tanto da autocrítica como da ética marxista como componhentes essenciais da acçom revolucionária.

Por estas e outras razons, Lenine, como reconhece J. Salem ao princípio da sua obra, sofre um duplo ataque: o de silenciá-lo por parte das esquerdas reformistas, já que lhes produz vergonha, e o da criminalizaçom por parte da burguesia já que esta classe compreende o potencial da sua contribuiçom ao marxismo. Lenine envergonha aos conversos marxistas porque a sua praxis descobre a essência do capitalismo, a saber, a dialéctica entre exploraçom assalariada e ditadura de classe burguesa que sustentam a tramoia da democracia ficticia. Um exemplo entre muitos temo-lo nas recentes decisons da burguesia para sair da crise capitalista descargando-a sobre os povos trabalhadores, medidas reaccionárias impostas com nocturnidade, alevosia e autoritarismo explícito, burlando grosseiramente os ritos da sua pomposa democracia parlamentar. 

No Estado espanhol, os conversos silenciam a Lenine, ocultam as suas teses sobre a opressom nacional e o internacionalismo, as suas críticas ao Estado burguês, ao mesmo tempo que esbardalham sobre a “cidadania”, a “democracia” e outras abstracçons ocas; também tentam argumentar umha espécie de federalismo respeituoso com os direitos dos povos no interior de umha “naçom de naçons”, barnizando com umha capa de progresia ao nacionalismo imperialista espanhol, e por nom nos estender, denigram directa ou indirectamente a dialéctica materialista recuperada por Lenine. Há que ocultar ou negar a Lenine porque é demasiado molesto, nom é manipulável. Enquanto a burguesia, que odeia ao revolucionário, ataca-o sem piedade, o reformismo silencia-o. Polo contrário, o independentismo socialista basco tem muito que aprender de Lenine, como veremos.

A conferência que segue é a que se vai oferecer como vítima de sacrifício crítico a maos dos assistentes a dito debate. Escolheu-se esse título por umha razom estritamente leninista: é a análise concreta da realidade concreta o que tem de verificar a correcçom da teoria mediante o critério da prática. O essencial do livro de J. Salem aparece exposto em forma de seis teses expostas entre as páginas 39 e 101. Vamos analisar cada umha das teses na sua aplicabilidade a Euskal Herria, mas vamos fazê-lo segundo umha ordem expositivo elegido por nós já que som as necessidades e as condiçons da luita da libertaçom basca, a nossa história, as que determinam a ordem expositivo.

1º/ “NA ERA DAS MASSAS, A POLÍTICA COMEÇA LÁ ONDE SE ENCONTRAM MILHONS DE HOMENS, INCLUSIVE DEZENAS DE MILHONS. DESLOCAMENTO TENDENCIAL PARA OS PAÍSES DOMINADOS”

Começamos por esta tese de J. Salem que, no entanto, é a sexta do autor, já que ela nos introduz directamente no nosso problema. J. Salem começa desenvolvendo as clássicas exigências de Lenine de que a esquerda revolucionária tem que luitar contra o patriotismo e o chauvinismo do seu próprio país, práctica que tem de chegar a dar o salto da guerra nacional interburguesa e imperialista à guerra civil contre a própria burguesia nacional. Sabemos que Lenine fala aqui de burguesias que oprimem e exploram a outros povos, ou que lhes atacam por razons imperialistas. O autor segue afirmando que é mui possível encontrar-nos com que  as maiores democracias existem no seio das naçons ricas, as que exploram às naçons dependentes. Depois de referir-se a alguns exemplos postos por Lenine, desde a democracia esclavista grega até Inglaterra e Nova Zelanda a começos do século XX, J. Salem recorda que o esquecimento interessado destas realidades de exploraçom nacional é “umha das condiçons indispensáveis para a manutençom da dominaçom da burguesia nos países dominantes” (p.91).

Pouco mais tarde, o autor certifica a correcçom histórica das teses de Lenine sobre a importância crescente e decisiva das luitas de libertaçom nacional, e reproduz palavras as suas do verám de 1921 durante o III Congresso da Internacional Comunista: “É muito evidente que nas iminentes batalhas decisivas da revoluçom mundial, o movimento da maioria da populaçom terrestre, orientada desde o princípio para a libertaçom nacional, voltará-se contra o capitalismo e o imperialismo e desempenhará um papel revolucionário talvez bem mais importante do que pensamos” (p. 96). É incuestionável que a história destes últimos noventa anos confirmou de forma aplastante a veracidade desta tese leninista.

Euskal Herria, naçom à que o jovem Engels definia na década de 1840 como “povo sem história”, condenada ao desaparecimento ao ser absorvida por dous grandes Estados viáveis economicamente, é um exemplo mais do acerto de Lenine. Retrocedemos até o jovem Engels para poder mostrar a enriquecedora evoluçom do marxismo desde entom até Lenine, e até agora, no que toca à opressom nacional. Engels assumia a concepçom mecanicista e determinista abrumadoramente dominante na cultura européia da época, reforçada pola visom hegeliana do desenvolvimiento da Ideia segundo os parámetros da cultura grecorromana, tal qual se lhe definia entom. Semelhante paradigma, que Engels superaria com o tempo, foi reforçado ao pouco tempo dentro do movimento operário graças à força do socialismo lassalheano e da força do eurocentrismo em outros socialismos assentados em Estados colonialistas e imperialistas. Nos Estados espanhol e francês, tal mecanicismo nacionalista e imperialista fai parte do ideário social-democrata, stalinista, eurocomunista e da esquerda supostamente “internacionalista”.

Lenine ficou  impressionado pola tenaz resistência do povo chinês à invasom russa de finais do século XIX, e desde entom a questom nacional foi um componente genético do seu pensamento, até o final da sua vida consciente. Nom podemos analisar aqui os seus avanços intelectuais neste problema, mas sim devemos dizer que nunca o entendeu como secundário ou periférico, senom decisivo para a construçom do socialismo, sobretodo conforme descobria a força reaccionaria do nacionalismo dos Estados dominantes, o peso da cultura e a necessidade de entrelaçar a “revoluçom cultural” com a superaçom do nacionalismo opressor. Em síntese, é sua visom do imperialismo a que nos contribui critérios básicos para entender por quê a história demonstrou o erro de Engels e a vitalidade de muitos povos oprimidos, capazes de encontrar forças libertadoras ali onde o determinismo mecanicista, com crescentes doses de racismo, só via derrota e extinçom.

Mas a contribuiçom leninista vai para além  desta óbvia constataçom. Fai muito bem J. Salem quando nos recorda aquela decisiva contribuiçom bolchevique hoje esquecida de que conquanto a revoluçom estala mais facilmente nos países atrasados e oprimidos, no entanto o socialismo demora mais em se construir nestes países “atrasados”, enquanto nos países capitalistas mais desenvolvidos a revoluçom tem muitas mais dificuldades para vencer no primeiro momento, ainda que depois pode avançar mais rapidamente ao socialismo (pp. 99-101). As débis burguesias colonizadas e colaboracionistas nom puiderom desenvolver plenamente a alienaçom e o fetichismo, mecanismos de integraçom e desuniom, aparelhos burocráticos reformistas, meios de controlo, vigilância e repressom sofisticados, e também nom tenheem as sobreganâncias imperialistas que atontam com as suas migalhas e ideologia reaccionaria às classes exploradas. Ao invés, devem enfrentar-se a furiosos estalidos populares ou a longas guerras de libertaçom nacional, o que lhes leva a supeditar-se ao imperialismo ainda mais cumprindo as suas exigências a mudança de ajuda repressiva. As revoluçons e luitas de libertaçom podem estalar assim com relativa facilidade, se nom som destroçadas polos erros das esquerdas ou pola invasom estrangeira, mas, umha vez conseguida a vitória, enfrentam-se a pesados travons históricos materiais e culturais, físicos e simbólicos, sem recursos e baixos crescentes cercos e agressons imperialistas, todo o qual dificulta sobremaneira o avanço ao socialismo. Avanço que se tem que apoiar na consciência nacional e de classe operária e popular, camponesa e artesá, do povo trabalhador.

As burguesias imperialistas sim desenvolverom esses e outros sistemas de alienaçom e repressom, de consenso e coacçom, o que lhes permite desunir à classe trabalhadora, sobornar a sua aristocracia operária, atar material e psicologicamente às massas exploradas com o que Marx muito acertadamente definiu como as “cadeiais de ouro” do consumismo, enfrentar à pequena burguesia ao povo trabalhador cortando assim a criaçom de um maioritário movimento popular integrador e incluínte, e estimulando à pequena burguesia e aos sectores menos conscientes do proletariado a que se mobilizem com o fascismo, o militarismo e a contrarrevoluçom, etc. As revoluçons enfrentam-se a muitas mais dificuldades no imperialismo por isto mesmo, e som aplastadas a sangue e fogo, mediante o terrorismo mais sanguinário, do mesmo modo com o que som exterminadas as luitas de libertaçom, ou com mais brutalidade inclusive. Mas quando essas revoluçons triunfam tenhem mais recursos económicos e culturais para avançar ao socialismo.

Euskal Herria aparece aqui  como um dos casos atípicos, raros, porque simultanea a opressom nacional com um capitalismo muito industrializado, a existência de umha grande burguesia de origem basca totalmente espanholizada e afrancesada e que odia inclusive a sua antiga origem basca até tal grau que castelaniza e afrancessa os seus apelidos, com um poderossísimo sentimento de construçom nacional e de classe arraigado cada vez mais no povo trabalhador, o choque entre um complexo linguístico-cultural com sólidas raízes preindoeuropeas e precristianas e duas grandes línguas e culturas estrangeiras que se impuserom só graças ao interesse económico e político das classes ricas autóctonas e à superioridade militar dos Estados espanhol e francês, sustenta e amo das anteriores. Estas e outras peculiaridades bascas tenhem algumhas semelhanças de fundo com Irlanda e outros povos oprimidos dentro do capitalismo imperialista, mas tenhem também diferenças significativas que nom devemos esquecer.

A teoria marxista do desenvolvimento desigual e combinado explica por quê  e como o povo mais antigo de Europa, pequeno e aplastado por dous grandes Estados é, por isso mesmo, um dos focos mais brilhantes da luita polo socialismo em Europa. Sendo um país capitalista altamente industrializado, com potentes empresas multinacionais, com toda a efectividade alienante de fetichismo social inerente à mercantilizaçom assalariada, apesar e destas e outras características do sistema burguês assentado o povo trabalhador basco desenvolveu umha destacada força emancipadora em todos os sentidos. Por tanto, a luita polo socialismo e a independência em Euskal Herria se desenvolve sob o paradoxo de, por um lado, dispor das “vantagens” da opressom nacional para avançar com relativa velocidade na sua emancipaçom, enquanto, polo outro lado, sofrer da “desvantagem” do capitalismo altamente industrializado, o que dificulta relativamente a sua autoorganizaçom.

Deste modo, as forças emancipadoras desatadas pola opressom nacional, além de ser freadas pola repressom, chocam também com as forças alienantes do capitalismo mais desenvolvido. No entanto e ao mesmo tempo, o paradoxo converte-se assim em contradiçom porque, entom, intervém no sentido oposto outra força emancipadora que se fusiona com a independentista, a força da luita de classes socialista comum a todo capitalismo. O paradoxo tensa-se ao máximo como um resorte pola sua própria contradiçom interna, e o choque entre, por um lado, a libertaçom nacional e de classe, mais a antipatriarcal, e polo lado irreconciliável, a exploraçom nacional, de classe e patriarcal, este antagonismo remove até as raízes mais profundas da longa história do povo mais antigo de Europa que ao mesmo tempo, por esta mesma luita revolucionária, passa a ser um dos mais avançados na libertaçom radical. Todos os componentes da existência social som assim afectados polas ciclópeas forças materiais e morais desencadeadas pola compressom do tempo histórico que se concentra no presente. Umha língua formada quando nom existia nem o ferro nem o dinheiro, nem a propriedade privada nem a opressom patriarcal, a cada vez mais perseguida pola moderna civilizaçom patriarco-burguesa, salta a ser instrumento vivo e vigoroso de criaçom de liberdade, de arte e ciência, de socialismo, um salto que quer chegar do comunismo primitivo ao comunismo que nascerá no século XXI.

Semelhante síntese entre contradiçom e paradoxo determina toda a luita de libertaçom do Povo Basco. Somente a majestuosa capacidade de análise concreta da realidade concreta desenvolvida por Lenine, só este método marxista pode resolver o denominado “mistério basco” que pulveriza todos os dogmatismos. De facto, este paradoxo explicável pola lei de desenvolvimento desigual e combinado aplicada a Euskal Herria tem umha profunda identidade com a situaçom de cerco imperialista que sofreu a revoluçom bolchevique depois das derrotas das ondas revolucionárias européias, e com a alternativa criada por Lenine, tal como expom Salem (pp. 100-101) de resistir avançando na medida do possível até que outra onda revolucionária fosse em auxilio da URSS. No final da década de 1970 a onda prerrevolucionaria que tinha varrido ao franquismo foi detida e vencida graças à claudicaçom das principais esquerdas, progressistas e democrático-burguesas estatais.

A parte do Povo Basco sob dominaçom espanhola ficou  isolada, cercada pola furiosa recuperaçom do nacionalismo espanhol que chegaria a graus involucionistas tremendos a raiz da tessoirada de Fevereiro de 1981. Salvando todas as diferenças, existe  algo mais que umha similitude de cojunturas entre a URSS de entom e a Euskal Herria de finais de 1970. Este ponto é tam importante que depois o analisaremos com mais detalhe.

2º/  “UMHA REVOLUÇOM POLÍTICA É TAMBÉM E SOBRETODO UMHA REVOLUÇOM “SOCIAL”, UMHA MUDANÇA NA SITUAÇOM DAS CLASSES NAS QUE SE DIVIDE A SOCIEDADE”

Esta é a segunda tese de J. Salem e nós também a citamos em segundo lugar porque afirma algo que é decisivo para o correcto entendimento da longa luita de libertaçom basca. Salem recorda-nos que Lenine fazia questom de que a revoluçom se pode prolongar durante meses e inclusive durante anos, e que nom deve ser entendida como “um acto único” (p.52). Mais ainda, esta tese leninista é vital para todos os processos de libertaçom nacional como iremos vendo. Sempre citando a Lenine, o autor segue-nos recordando que a revoluçom é a demoliçom pola força de umha superestructura política caduca, na que o proletariado toma o papel dirigente das massas, o primeiro lugar. No entanto, ocorre que conquanto as condiçons objectivas para o triunfo revolucionário podem estar dadas, podem existir e existem de facto, quando as contradiçons chegarom a um ponto crítico de nom volta, pese a isto e por razons repressivas e de capacidade de integraçom capitalista, também ocorre com frequência que nestes momentos nom existem ou estám pouco desenvolvidas as condiçons subjetivas suficientes para dar o salto revolucionário vitorioso, para realizar esse “acto único” de demoliçom violenta do poder burgués e instauraçom de outro poder diferente, o proletario (pp.57-58).

As naçons oprimidas tenhem que valorizar com soma precisom esta dialéctica entre as condiçons objectivas e as subjetivas, com tanto ou mais coidado que o que tenhem que aplicar as forças revolucionárias num povo que nom sofre opressom nacional e que somente se enfrenta a sua classe exploradora própria, em umha primeira instância. As naçons oprimidas carecem de um Estado próprio e, portanto, de um poder defensivo com recursos em longo prazo, a nom ser que os crêem nas duras condiçons de clandestinidade. Mesmo assim, dispondo desses recursos defensivos, tenhem de calibrar com precisom quirúrgica o grau de vantagem militar do Estado ocupante para evitar que este destroce ao povo oprimido de um simples zarpazo, como ocorreu tantas vezes por aventurerismo irreflexivo e voluntarista.

Reduzir a revoluçom a um “acto único” esquecendo que pode durar anos e que sofre altibaijos e retrocessos, este erro é mais daninho para um povo que nom sofre opressom nacional que para o que sim a sofre. Voltamos a encontrar-nos aqui com o papel crucial do Estado em um e em outro caso. Ainda que seja um Estado burguês, o povo que nom sofre opressom nacional tem mais recursos de autoorganizaçom que o que deve luitar contra o Estado ocupante e contra a burguesia colaboracionista autóctona. Ao igual que um esclavagista branco nom compreende a realidade do escravo negro, e que um machista nom entende a realidade da mulher aplastada, e o peso decisivo das estruturas de poder esclavista e patriarcal que multiplicam as misérias das mulheres e massas esclavizadas, e ao igual que um patrom nom entende a consciência de classe dos seus trabalhadores, também nom a cultura política de um povo que desconhece o que é a opressom nacional pola singela razom de que nom a sofre, nom pode imaginar as tremendas dificuldades que devem superar na sua emancipaçom as naçons oprimidas.

Para estas é suicida jogar-se o seu futuro a umha sozinha baza, como em umha ruleta, depositando todas as suas esperanças em “um único acto” insurreccional. As condiçons nas que Lenine tivo que dirigir a tomada do Palácio de Inverno nom som as mesmas que as que sofriam os povos chinês, vietnamita, cubano e tantos outros. E ainda que Lenine teorizou brilhantemente em que consistia a arte da insurrecçom, o seu método teórico-político e organizativo também serve para os povos que tenhem de desenvolver longos processos de libertaçom nos que as mobilizaçons pacíficas e nom violentas, as greves legais e outras formas de mobilizaçom de massas podem interactuar com outras formas de luita, sendo inclusive mais numerosas que as violentas. As naçons oprimidas tendem, pola sua mesma situaçom estrutural, a desenvolver dinâmicas mais ou menos prolongadas segundo os contextos e conjunturas, nas que a interacçom dos métodos pode chegar a eficazes níveis de sofisticaçom. E o recurso último à vitória mediante um acordo pacífico que abra novas perspectivas, ou mediante umha vitória militar efeito de umha longa campanha na que também houvo negociaçons com o invasor, ou mediante umha insurrecçom de massas, estas variáveis, com as suas misturas respectivas, costumam ser decididas segundo sejam os altibaijos do conflito. Somente nos casos de umha ajuda externa decisiva que aplaste ao exército ocupante, ou que debilite ao seu Estado ao abrir outras frentes, ou o derrube do Estado pola sua mesma crise interna, somente assim pode umha luita de libertaçom nacional jogar-se o seu futuro a umha única baza.

3º/  “A REVOLUÇOM É UMHA GUERRA, E A POLÍTICA É, DE MANEIRA GERAL, COMPARÁVEL À ARTE MILITAR

Esta é a primeira tese apresentada por J. Salem mas nós a apresentamos no terceiro lugar porque precisávamos analisar primeiro as duas anteriores para localizar o debate no contexto basco. Aqui J. Salem certifica nom só algo que é sabido pola experiência marxista, senom por toda a experiência política desde que existe a exploraçom da maioria pola minoria. Ainda que as linguagens e o uso de conceitos político-militares variem de um autor a outro, e de umha época a outra dependendo dos sistemas conceptuais dominantes nos modos de produçom dados e nas suas respectivas formaçons socioeconómicas, sendo isto assim, também é certo que desde o aparecimento da violência opresora existe umha estreita conexom mais ou menos visível entre propriedade privada, política e violência, conexom que tem no Estado o seu ponto centralizador como se aprecia lendo a Herodoto, Sun Tzu, Tucídides, Jenofonte, etc.  Maquiavelo nom inventou nada novo neste sentido. Outro tanto sucede, obrigatoriamente, com a linguagem machista, sexista e patriarcal, violento em extremo, geneticamente assentado em todas as sociedades baseadas na exploraçom da mulher polo homem.

Algumhas correntes do pacifismo mais obtuso e cegato proponhem a “desmilitarizaçom” da cultura, como se tal cousa fosse possível em umha sociedade na que a mesma cultura depende dos ganhos extraídos pola classe proprietária das forças produtivas tanto às massas trabalhadoras mediante a sua exploraçom como às naçons e povos que oprime violentamente para lhes saquear até o alento, ou aos que ameaça com a invasom aniquiladora se nom aceitam as condiçons do atacante. Já que citamos a Maquiavelo, recordemos como dijo que os suíços eram livres porque tinham armas. A proverbial e admirada “cultura pacífica?”suíça baseia-se nas suas armas e no egoísmo do mais corrupto e podre das burguesias mundiais, dos ditadores terroristas, dos reicinhos sanguinarios e dos presidentes déspotas, que guardam o seu ouro ensangrentado e ilegal na banca suíça, país denominado como a “puta de Europa” na jerga económico-diplomática.

Nom imos perder mais tempo com umha ideologia, a pacifista  -nom há que confundir pacifismo com métodos pacíficos de luita pola justiça-, que só tem colheitado fracassos em toda a sua história. Sim queremos recordar o que explica J. Salem sobre como o componhente militar da política razona a necessidade dos “retrocessos tácticos” realizados por Lenine e polos bolcheviques nos momentos críticos da revoluçom, recorrendo a dous exemplos contundentes como forom o Tratado de Paz  de Brest-Litosvk de Março de 1918 e a Nova Política Económica, ou NEP, de finais de 1922 (pp. 48-52). Em ambos casos, Lenine usou magistralmente a linguagem militar para convencer aos bolcheviques da necessidade de fazer “concessons ao inimigo” para “obter tempo de recuperaçom”, etc. Agora temos que recordar o visto acima (pp. 100-101) sobre o reacçom de Lenine ao cerco imperialista depois da derrota da onda revolucionária internacional. A URSS aparecia como um reduto cercado polo inimigo, rodeado polo atacante e sem possibilidade algumha de receber reforços do exterior, sem ser salvado pola derrota exterior do inimigo. Nos três casos, a dialéctica entre guerra e política, entre política e guerra, demonstrou a sua fecundidade prática.

Aplicando o método de Lenine a Euskal Herria, vemos na situaçom basca de finais dos ´70 e começos dos ´80 umha identidade sustantiva que se apresenta em formas diferentes por razons fáceis de entender. Os bolcheviques tiverom que readecuar a sua táctica em 1918 para nom ser varridos polos alemáns e em 1922 para obter um tempo de recuperaçom productiva depois dos ingentes destrozos causados por oito anos de guerras e desastres naturais, de sabotagens e de doenças. Sectores bolcheviques e de outras forças revolucionárias criticarom mui duramente aquelas decisons acusando-as de derrotismo, giro à direita, mao tendida ao reformismo, etc. Depois, quando a derrota revolucionária internacional deixou cercada à URSS, a decisom de Lenine de 1923 de seguir avançando na medida das suas forças sem cair no pesimismo defensivo a ultranza, de resistência numantina, senom mobilizando todos os recursos criativos e de construçom de que eram capazes os esgotados povos trabalhadores que compunham a URSS, esta decisom também nom foi entendida por outros sectores.

As duas primeiras decisons forom mudanças tácticas dentro de umha linha estratégica destinada a conquistar uns objectivos irrenunciáveis, mas aparentavam ser cessons reformistas ao inimigo. A reafirmaçom de 1923 de seguir para adiante construindo primeiro as bases da cultura e das forças produtivas para, mais adiante e ao calor das vitórias revolucionárias internacionais, avançar ao socialismo, esta decisom tomada no meio do cerco asfixiante imperialista, mostra a fidelidade a ultranza aos objectivos históricos. Em Euskal Herria, a esquerda independentista demonstrou a mesma fidelidade a ultranza aos objectivos estratégicos ao adaptar os seus esquemas anteriores à vitória burguesa espanhola em 1978,  conseguida depois da claudicaçom do grosso das esquerdas estatais. Também houvo sectores do independentismo basco e de ultraesquerdistas estatais que denunciarom como reformismo esta mudança táctica. Mais tarde, conforme nos ´80 se desinflavam os restos da esquerda revolucionária estatal, e a repressom aumentava de maneira imparável a começos dos ´90, a esquerda basca reafirmou-se nos seus objectivos passando da simples resistência à estratégia de construçom nacional no meio do crescente cerco de exterminio repressivo desencadeado polo Estado espanhol.

Nom seriam as únicas vezes nas que se mostraria a identidade de fundo entre a surprendente capacidade de resposta do bolchevismo e a da esquerda independentista e socialista basca. Voltaremos a encontrar-nos com ela mais adiante, quando estudemos o presente, no que se começam a recolher os frutos a mais de um terço de século de fidelidade histórica aos objectivos irrenunciáveis, e de coerência estratégica por dentro e por embaixo das mudanças tácticas. Mas antes de chegar ao presente devemos seguir estudando a Lenine no livro de J. Salem.

  

4º/  “UMHA REVOLUÇOM ESTÁ FEITA DE UMHA “SÉRIE” DE BATALHAS; CORRESPONDE AO PARTIDO DE VANGUARDIA FACILITAR EM CADA ETAPA UMHA CONSIGNA ADAPTADA À SITUAÇOM OBJECTIVA; A ELE INCUMBE RECONHECER O “MOMENTO OPORTUNO” DA INSURRECÇOM”

  

Esta é a terceira tese de J. Salem mas nós a pomos em quarto lugar. As revoluçons som processos longos e incertos que nom tenhem o futuro assegurado senom que o resultado depende da mesma luita, das sucessivas “batalhas” que determinam os ritmos e as variantes no seu devir. Nom som “um acto único” porque a sua evoluçom depende de umha complexa interacçom de forças e factores de diversa índole que Lenine soubo sintetizar com a seguinte definiçom que cita Salem (p. 58) extraída do texto “O izquierdismo, doença infantil do comunismo”, de primavera de 1920: “Para a revoluçom nom basta que as massas exploradas e oprimidas tenham consciência da imposibilidade de seguir vivendo como vivem e exijam mudanças; para a revoluçom, é necessário que os exploradores nom poidam seguir vivendo e governando como vivem e governam. Só quando “os de abaixo” nom querem e “os de acima” nom podem seguir vivendo à antiga, só entom pode triunfar a revoluçom”.

Como se aprecia, a dialéctica entre as condiçons objectivas e as subjectivas integra tanto o nível de consciência das massas exploradas como o nível de crise e agotamento das classes exploradoras. Durante o longo processo revolucionário as relaçons de força mudam lentamente, às vezes sem que se poida se apreciar a simples vista o débil movimento interno já que a superfície quotidiana aparenta ser estática. O “partido de vanguarda” deve saber captar esses pequenos ruídos subterrâneos, inaudíveis para a maioria, e descobrer que crise e contradiçons estruturais os causam. Descobrir a sua origem e a sua tendência evolutiva, e elaborar a acçom necessária para acelerar o seu avanço, ou variá-lo na direcçom justa, som tarefas vitais para o “partido de vanguarda” porque se nom as realiza ele ninguém o fará, enquanto o Estado sim tem aparelhos especializados na tarefa oposta, a contrarrevolucionária, com recursos materiais e com dedicaçom permanente. A inactividade da revoluçom nesta tarefa supom a derrota.

Mas toda praxis revolucionária tem sempre um componhente de incerteza já que a casualidade e a reacçom burguesa, bem como as debilidades internas das massas exploradas, interactuam de diversos modos. Por isto mesmo, nom se pode predizer com exactidom o como e o quando estalará o acto crucial do processo revolucionário: a tomada do poder. Segundo Lenine, a “revoluçom popular” (p. 59) nom tem umha data fixada com precisom. Este critério é decisivo para entender por que o “partido de vanguarda” nom deve permanecer à espera senom que deve aproveitar todas as oportunidades sérias, assentadas no estudo do movimento das contradiçons, para intervir sobre elas com iniciativa e audacia. Nos momentos críticos que sempre surgem na cada processo revolucionário, o “partido de vanguarda” tem de saber criar ocasions nova, ou ao menos saber aproveitar as existentes. Durante estas crises, a espera é a morte (p.61).

As naçons oprimidas tenhem nestas teses leninistas um poderoso instrumento teórico e prático. As forças independentistas devem saber ofertar alternativas integradoras, incluintes e nom excluintes, ao resto de forças soberanistas e autonomistas que por medo, egoísmo ou alienaçom nom podem ou nom querem ainda avançar mais. As crises internas ao Estado ocupante e à burguesia autóctona colaboracionista podem e devem ser utilizadas polo “partido de vanguarda” para tomar ou recuperar a iniciativa estratégica, para abrir novas vias de avanço desbloqueando e superando os obstáculos repressivos criados polo Estado. De facto, isto é o que veu realizando o independentismo socialista basco desde o seu nascimento. Aproveitando os momentos de crises, debatendo as suas características e tendências, com maiores ou menores fricçons e correntes internas que também derivarom em cissons que se sairom da esquerda independentista, esta força política realizou periódicos saltos na sua criatividade e iniciativa. Nom podemos estender-nos agora na história interna da esquerda independentista basca, nas suas sucessivas cissons, rupturas e reagrupamentos, história idêntica no fundo à bolchevique, também cheia de conflitos do mesmo cariz, mas sim é necessário recordar que ao igual que estes, os revolucionários bascos também mantiverom firmes os seus objectivos.

 

J. Salem volta aqui a recordar-nos o visto na tese anterior sobre a necessidade de nom cair na pasividade derrotista do cercado, do rodeado por forças inimigas superiores. Citando palavras de Lenine ditas em 1918, o processo revolucionário nom deve nunca limitar-se a “resistir numha fortaleza asediada” (p.62) senom que deve romper o cerco, tomar a iniciativa e avançar na ampliaçom de forças emancipadoras. Como fazé-lo? A resposta é singela: aumentar as batalhas polas reivindicaçons sociais, económicas e políticas “democráticas em todos os âmbitos” mas sabendo que tarde ou cedo chegarám a propor a questom central sempre presente em Lenine, a do poder, e mais concretamente a da expropiaçom dos expropiadores (p. 63). Encontramo-nos, por tanto, em frente a um debate decisivo para os povos dominados, o da dialéctica entre reforma e revoluçom já que, em última instância, a opressom nacional consiste em reduzir ao povo ocupado a mera força produtiva esclavizada polo ocupante, que a explore no seu benefício. A independência socialista é, assim, a expropiaçom dos expropiadores imperialistas que se tinham apropriado mediante a violência bélica ou económica, ou ambas ao mesmo tempo, da naçom ocupada.

  

5º/  “OS SOCIALISTAS NOM DEVEM RENUNCIAR À LUITA A FAVOR DAS REFORMAS”

Nós citámos esta tese em quinto lugar coincidindo com o ordem expositivo de J. Salem, quem nos recorda (p. 83) umha argumentaçom de Lenine de 1916 a favor da luita polas reformas, explicando-o assim: “Os socialistas nom podem renunciar à luita polas reformas; entre outras cousas, também devem votar nos parlamentos por qualquer melhora, ainda que seja mínima, da situaçom das massas; por exemplo, polo aumento da ajuda aos habitantes das regions devastadas, pola diminuiçom da opressom nacional, etc.”. Salem poderia apresentar outras muitas citas de Lenine sobre a necessidade da luita socialista polas reformas mas vale-nos com esta. A luita polas reformas desde e para um objectivo revolucionário abarca à totalidade enteira do projecto emancipador, muito especialmente ao sustentado polos sectores mais explorados, como as mulheres, terceira idade e infância, sectores empobrecidos e marginados, emigrantes, e à classe trabalhadora e ao seu sindicalismo sociopolítico.

Para umha naçom oprimida que poida e queira realizar umha luita parlamentar e institucional, este argumento leninista explica o valor pedagógico e mobilizador da luita nos limitados marcos. A cada processo libertador tem de decidir que marcos impostos polo Estado ocupante aceita ou recusa para luitar neles. Sem entrar agora ao debate inconcluso sobre as diversas posturas internas ao bolchevismo a respeito da luita parlamentar sob a ditadura ou dictablanda zarista, sobre a sua efectividade última, e sobre as críticas que recebia a tese de Lenine ao respeito, o que sim é certo é que umha naçom oprimida tem de decidir livremente se utiliza ou nom, e como os utiliza, os escassos ou amplos espaços institucionais tolerados polo Estado opresor. Além dos âmbitos de luita polas reformas acima enunciados e que afectam aos sectores, faixas, capas e classes exploradas, num povo oprimido a luita polas reformas também é necessária para recuperar o seu complexo linguístico-cultural, a sua história, a sua identidade e referentes imaginarios.

Em Euskal Herria, a luita em instituiçons e parlamentos foi positiva, tanto que, ao princípio, as forças reformistas bascas e as espanholistas aliarom-se para expulsar à esquerda dos “parlamentos vizinhais”, dos Concelhos, que som os lugares mais próximos e imediatos, vivenciais inclusive, nos que o povo trabalhador pode seguir em tempo real, de bem perto, e vigiar assiduamente que fai ou que nom fai cada força política. Os “democratas” aliarom-se para realizar verdadeiros pactos “contra natura” com tal de obter maiorias nos concelhos governados pola esquerda independentista, e umha vez obtida essa maioria expulsavam ao alcalde abertzale entregando o poder municipal a outra força política nom independentista. Do mesmo modo, nas diputaciones ou “parlamentos provinciais” estas alianças procuravam impedir a acçom do independentismo nos territórios. Com respeito ao parlamento espanhol, o Estado recorreu simplesmente ao terrorismo tentando assassinar aos eleitos bascoss eleitos democraticamente, e matando a um deles em 1989. Vendo os falhos destas repressons, o nacionalismo espanhol decidiu impor a Lei de Partidos em 2002 para, entre outras medidas, impedir definitivamente a luita municipal, institucional e parlamentar da esquerda independentista basca. Recordemos, por exemplo, que quando esta esquerda era a segunda força nas eleiçons municipais em todo o Povo Basco sob dominaçom espanhola.

A prática da esquerda independentista basca nos espaços citados coincide plenamente com a cita de Lenine, porque procura potenciar todo o relacionado com os direitos nacionais negados, com a identidade basca perseguida directa ou indirectamente, com o desenvolvimento e enriquecimento da unidade entre a luita de classes polo socialismo e a independência basca, e assim um longo etcétera no que há que incluir à prática do movimentos populares e sociais, de toda série de organismos e colectivos de base autoorganizados, do sindicalismo sociopolítico, e da interacçom entre o movimento operário e de massas com a intervençom nos parlamentos, diputaçons e concelhos. Em frente a esta dinâmica popular em ascensom, o nacionalismo espanhol só tinha o recurso repressivo, o endurecimiento e a ampliaçom das proibiçons de todo tipo, como o está a fazer.

Ademais, J. Salem recorda-nos o outro componhente da dialéctica entre reforma e revoluçom que propom Lenine: a luita polas reformas só fam sentido e eficácia acumulativa se vam dentro da luita pola revoluçom, se a cada conquista em umha reforma que beneficia às classes exploradas ajuda por isso mesmo a aumentar a sua consciência revolucionária, a sua capacidade organizativa, o seu pensamento teórico e político; as reformas devem ser parte de umha dinâmica ascendente na confluência revolucionária, na extensom das forças emancipadoras que, mediante as reformas conquistadas, vam arrinconando e debilitando ao poder explorador e aumentando a força do povo, já que, segundo Lenine, os revolucionários nom devem esquecer jamais que: “às vezes é o próprio inimigo o que cede umha determinada posiçom com o fim de dividir aos atacantes para os bater melhor. Nom esquecerom jamais que, só se tenhem sempre presente «o objectivo final», só se a cada passo do  «movimento» e a cada reforma parcial som valorizados isoladamente, desde o ponto de vista geral da luita revolucionária, poderá-se livrar o movimento de passos em falso e erros ignominiosos” (pp. 82-84).

A importância da luita polas conquistas democráticas, polas reformas que melhoram as condiçons de vida e de trabalho, que reduzem a opressom nacional, etc., esta luita é tanto mais necessária naqueles povos oprimidos que tenhem um alto componente de emigraçom assentada durante anos. É estes casos, a identidade nacional oprimida tem de avançar com vitórias concretas, materiais e tangíveis, reformas positivas que demonstram na prática a essas massas emigrantes que somente o avanço nos direitos nacionais pode ajudar-lhes  a melhorar a sua vida e que, polo contrário, a opressom nacional as piora porquanto som parte do povo oprimido, ainda que de diferente origem. A experiência extraída da luita municipal, institucional e parlamentar confirma esta tese. Pois bem, a razom última que explica por que se tem ilegalizado e proibido a luita da esquerda basca polas reformas mediante as instituiçons toleradas polo Estado espanhol nom é outra que a expressada por Lenine, que essa luita polas reformas estava sempre inserida na luita geral pola independência e o socialismo em Euskal Herria.

 

6º/  “OS GRANDES PROBLEMAS DA VIDA DOS POVOS RESOLVEM-SE SOMENTE POLA FORÇA”.

Nós concluímos com a tese quarta de J. Salem porque pensamos que resume o ponto crítico sempre proposto por Lenine: quem tem o poder, e como e para que o emprega? Para os povos oprimidos estas interrogantes som mais importantes ainda para as classes exploradas nom oprimidas nacionalmente, sendo-o e muito para estas últimas. Excepto nos mui contados casos nos que o invasor extermina até à classe autóctona dominante, despreocupándo-se par utilizá-la como peom colaboracionista, excepto nestes casos tam raros na história, os povos trabalhadores nacionalmente oprimidos tenhem que tomar consciência de que o poder ao que se enfrentam é duplamente perigoso: tem a força do Estado estrangeiro e tem a legitimidade da burguesia autóctona colaboracionista. Voltamos assim a um dos componhentes do paradoxo e contradiçom que percorre toda a história basca acima exposta.

Por tanto, a teoria do poder, do Estado e da violência, a teoria marxista, adquire toda a sua importância nas luitas de libertaçom nacional. Salem recorda-nos ao Lenine do “Estado e a revoluçom” quando di que: “o proletariado precisa o poder do Estado, umha organizaçom centralizada da força, umha organizaçom da violência, tanto para reprimir a resistência dos exploradores como para dirigir à grande massa da populaçom — campesinado, pequena burguesia, semiproletariado–  na posta em marcha da economia socialista” (pp. 66-67). Como vemos, Lenine inclui em um parágrafo vários problemas decisivos: a democracia socialista enfrentada à democracia burguesa, ou o que é o mesmo, a ditadura da maioria proletária sobre a minoria burguesa; o Estado como centralizador da violência; a aliança do povo trabalhador baixo a direcçom proletaria com o semiprolatariado, o campesinado e a pequena burguesia; e a construçom do socialismo.

Dissemos acima, várias vezes, que Euskal Herria encontra-se em umha situaçom idêntica no fundo à que se encontrava a URSS depois da derrota da onda revolucionária européia e asfixiada polo cerco imperialista. Qualquer veleidade insurreccionalista do assalto ao poder do Estado, que ademais está a 500 Km. de Euskal Herría resultaria suicida. Recordemos como a II República espanhola afogou em sangue à Astúrias insurrecta e soviética em 1934, com as tropas árabes mandadas polo genocida Franco, que além de assassinar em massa violarom a centenas de mulheres e nenas, com a bençom da Igreja católica. Recordemos como as massas camponesas e artesanas bascas resistirom nas chamadas “guerras carlistas” do século XIX ao exército invasor espanhol só até que este pode mobilizar toda a sua força depois de superar as crises internas do Estado espanhol. Recordemos como as greves gerais e as insurrecciones operárias bascas entre 1890 e 1922 forom aplastadas polas forças repressivas espanholas. Recordemos como a II República abandonou a sua sorte, sem apenas lhe enviar armas, ao Governo Basco que resistia à desesperada em Bizkaia entre Outubro de 1936 e o verám de 1937. Recordemos como os sucessivos estados de excepçom impostos polo franquismo contra o Povo Basco concentrarom ingentes forças repressivas na nossa naçom. Agora mesmo, padecemos a cifra mais alta da UE de forças repressivas por número de habitantes.

Mas esta realidade nom é argumento contra a teoria marxista da violência, e menos ainda contra a experiência histórica que mostra que nengum povo conquistou a sua liberdade plena por métodos pacíficos. Alguns sim conquistarom a sua liberdade burguesa, a sua independência política formal, por métodos pacíficos ou escassamente violentos, obrigado sobretodo a umha confluencia fugaz de factores externos e internos que debilitarom ao Estado ocupante, obrigando-lhe a liberar a sua presa. O caso da implosom da URSS é o mais recente, mas as naçons que se tenhem “libertado” da “ditadura russa” caírom em outra ditadura pior, sofrerom drásticos retrocessos nas suas condiçons sociais e estám submetidos à dominaçom invisível ou muito visível do imperialismo. Outros exemplos os temos nas descolonizaçons pactuadas ou oferecidas por potências imperialistas decadentes, que outorgavam a independência política formal às classes ricas corruptas, incluído assento na ONU, mas controlada económica e internacionalmente pola metrópole. A independência verdadeira, isto é, que o povo trabalhador seja proprietário de si mesmo, que nom seja explorado economicamente polas potências imperialistas ainda que aparente gozar da “soberania política” formal, esta independência plena só é possível com o socialismo.

Agora bem, para umha naçom aplastada é melhor gozar ao menos da independência política formal, que nom dispor nem sequer dela. Há multidom de medidas progressistas imprescindíveis, necessárias e urgentes, que podem tomar-se com um Estado próprio por muito débil que seja, o problema é o da decisom política e social de avançar ou nom à independência verdadeira a partir dos logros já atingidos. Da mesma forma em que a luita revolucionária polas reformas consegue que estas sejam escalons e avanços na emancipaçom, do mesmo modo, a luita independentista e socialista consegue que a “primeira independência”, a burguesa e formal, seja um trampolim para a segunda independência, a socialista. Forom os povos das Américas os que acunharom há uns anos ambos termos, o de “primeira” e “segunda” independências para resumir o longo processo de 500 anos de luita contra os invasores europeus, processo que conseguiu a “primeira” independência em alguns povos justo a começos do século XIX com a expulsom dos ocupantes espanhóis depois de 300 anos de opressom, e é agora  –Cuba começou antes–  quando se fortalece a onda independentista e socialista actual, desde começos do século XXI. Durante estes séculos, os povos das Américas recorrerom à interacçom de todas as formas de luita política para avançar à “primeira2 independência, e desta à “segunda” e definitiva, a socialista.

Euskal Herria nom tem suficientes recursos militares para declarar nem sequer a sua “primeira” independência porque seria massacrada sem piedade pola católica Espanha, mas, por outra parte, vai acumulando forças independentistas, soberanistas e democráticas para avançar na sua construçom nacional dentro das a cada vez mais restringidas liberdades sobreviventes. Quê fazer entom com a experiência histórica acima descrita na tese 6º? Antes que nada há que voltar a Lenine precisamente na sua teoria da violência. Sabemos que, ao igual que Marx e Engels em determinados períodos, Lenine também pensou muito seriamente, e o teorizou, que era possível o avanço pacífico à revoluçom socialista se tanto o “partido de vanguarda”, como o resto de forças progressistas e as classes exploradas, actuavam com rapidez e contundência enquanto se mantinham determinadas condiçons conjunturais de debilidade e desconcerto da burguesia russa zarista. Se se aproveitava rápida e contundentemente a profunda crise capitalista, dizia Lenine, nom se precisaria da violência insurreccional e a revoluçom poderá triunfar por métodos pacíficos. Mas aquelas fugaces e excepcionais condiçons esfumarom-se rapidamente, como suspeitava Lenine, porque a burguesia reagiu e a revoluçom duvidou. A violência revolucionária fijo-se assim imprescindível para acabar com a barbarie zarista e imperialista. Outras revoluçons e luitas de libertaçom nacional viverom situaçons idênticas, e em certa forma, por exemplo, agora mesmo se está a produzir em Venezuela e Bolívia algo parecido ao pensado por Marx, Engels e Lenine nas raras, excepcionais e fugaces condiçons que analisarom com extremo coidado.

Quer isto dizer que, em primeiro lugar, o marxismo nom nega a possibilidade do trânsito pacífico ao socialismo em países isolados, mas sim afirma de imediato e o demonstra teoricamente, que esta possibilidade é a cada vez mais remota, que depende de umha extraordinária e dificilíssima conjunçom de factores objectivos e subjectivos, e que as burguesias em solitário e o imperialismo no seu conjunto tomam cada dia mais medidas para exterminar de raiz toda remota possibilidade neste sentido. Em segundo lugar, o marxismo sustenta que, por tanto, há que estar preparado para a violência revolucionária porque, polo visto historicamente e demonstrado teoricamente, a possibilidade abrumadoramente maioritária da violência criminosa burguesa converteu-se em probabilidade quase absoluta de que as burguesias concretas resistam à desesperada ao avanço popular nos seus respectivos Estados, e em certeza absoluta, ao todo certeza teórica, de que o imperialismo como unidade mundial do poder burguês, decidirá morrer matando, decidirá –já o decidiu–  saltar ao abismo do exterminio humano total mediante armagedons fanáticos, antes que devolver as forças productivas à humanidade trabalhadora, preferindo o holocausto ao comunismo.

Em terceiro lugar, que, por tanto, essa preparaçom para a violência revolucionária tem que ter em conta sempre as situaçons particulares, concretas e generais a nível nacional, estatal e mundial, bem como as mudanças e melhoras permanentes que os Estados burgueses fam na sua violência fundante, opresora e injusta. O “partido de vanguarda” tem que valorizar em todo momento estas situaçons para responder às novas necessidades com as mudanças tácticas e estratégicas necessárias procurando acelerar o avanço aos objectivos irrenunciáveis. É precisamente a isto é ao que se referem as citas que J. Salem fai de Lenine, quando este, fazendo questom da correcçom da tese marxista de que “a violência é a parteira de toda velha sociedade que leva no seu seio outra nova”, também fai questom da necessidade de variar as formas e tácticas da violência revolucionária respondendo às mudanças prévias realizadas pola burguesia na sua violência reaccionária (pp. 80-81).

E em quarto lugar, a necessidade de variar as tácticas e as estratégias da violência revolucionária, e de estudar sempre a melhor interacçom de todas as formas de luita política, abandonando umhas em umha cojuntura ou contexto determinado para virar toda a pressom de massas em outras, nas mais eficazes em cada período, esta capacidade procura sempre acelerar a vitória, acortar no máximo possível a necessidade do uso da violência ampliando no possível o uso de luitas nom violentas. Trata-se da interacçom entre a norma ética do mal menor necessário e do princípio político da maior aglutinaçom possível de forças emancipadoras. Isto é, de calibrar na cada fase de luita que método é mais efectivo na acumulaçom e ampliaçom de forças liberadoras, para eliminar os que se puderam converter em um travom relativo e impulsionar as que aceleram a luita revolucionária na nova fase.

Chegados a este ponto temos que voltar ao dito por Lenine sobre a aliança entre o povo trabalhador e o camponês, o semiproletariado e a pequena  burguesia, aliança dirigida e liderada polo proletariado. Temos que o fazer porque existe umha conexom directa entre a teoria da violência e a teoria da acumulaçom de forças emancipadoras. Nengumha forma de luita é válida quando é recusada polo povo, quando debilita politicamente, quando divide às classes exploradas. A efectividade das forma de luita deve ser minuciosamente estudada porque, entre outras razons, é muita a complexa variedade das fracçons de classe, capas e estratos internos ao povo trabalhador, complejidade que aumenta ao se fortalecer a aliança entre o povo e os sectores citados, o semiproletariado, o camponês e a pequena burguesia. A efectividade das formas de luita deve ser estudada no seu impacto tanto sobre o conjunto desta aliança como sobre cada um dos seus componentes internos. Quanto mais complexa é a estrutura social e classista, e quanto mais ampla e variada é a aliança que impulsiona o povo trabalhador, mais extraordinário e sofisticado deve ser o método de valoraçom da efectividade política das formas de luita.

Há que partir do facto de que a aliança nom é só política, também é e deve ser de projecto social e económico, e de debate linguístico-cultural, fundamentalmente nas naçons oprimidas. Ou seja, é e deve ser um projecto de construçom nacional desde critérios progressistas e democráticos, no que se integrem diversos componhentes baixo a hegemonia socialista e independentista do povo trabalhador. Em sociedades capitalistas industrializadas a estrutura classista está mui sectorializada porque a burguesia precisa, por um lado, dividir e fragmentar às classes assalariadas para explorá-las melhor, impedir a sua unidade e independência política de classe, e aliená-las; e por outro lado, também precisa essa fragmentaçom por razons produtivas e económicas. Ambos motivos formam umha unidade irrompível político-económica, social, cultural e ideológica. Nas naçons oprimidas dentro do capitalismo altamente industrializado, o Estado ocupante intervém em todo momento para aumentar a divisom e a desuniom mediante, entre outros métodos, também o de azuzar o seu nacionalismo imperialista, procurando enfrentar à populaçom de origem emigrante com a populaçom autóctona. Estes e outros factores devem ser tidos em conta na valoraçom da efectividade dos métodos de acçom política.

A esquerda independentista basca leva anos impulsionando a aproximaçom e a concordancia de forças democráticas, progressistas, soberanistas e independentistas nom só para resistir à opressom nacional e à exploraçom de classe, e a outras formas de dominaçom, senom, sobretodo, para avançar na construçom de umha força sociopolítica de massas que arrincone ao Estado e à burguesia colaboracionista, obrigando-lhes a chegar a acordos democráticos básicos. Nas condiçons bascas de isolamento e cerco descritas, a construçom deste bloco democrático e soberanista vai para diante apesar de todas as manobras repressivas que aplica um Estado em crise profunda, a cada vez mais nervoso. Ao mesmo tempo, a esquerda basca sustentou um intenso debate com umha muito ampla participaçom da sua militancia, valorizando as mudanças sociais que se estám a dar no Povo Basco no meio de umha pavorosa crise mundial. Umha das conclusons do debate que culminou no documento Zutik Euskal Herria!, é que vom se formando rapidamente as condiçons para um salto na acçom política de massas, teórico-cultural e institucional que permita, depois de cinco décadas, superar já determinadas formas de luita política violenta porque se chegou, por fim, a umha acumulaçom de forças sociopolíticas e de massas capaz de avançar para a “primeira” independência.

Nom fai sentido elucubrar agora sobre as linhas evolutivas possíveis ou prováveis, sobre o resultado concreto em longo prazo, etc., porque, a diferença que o que se podia pensar há só duas ou três anos, na actualidade há duas realidades novas que determinam todo o futuro: umha, o grau de decisom e coerência atingido polo bloco soberanista e as crescentes expectativas optimistas que está a gerar; e outra a crise estrutural, de longa duraçom, que afecta ao capitalismo mundial, à UE e muito especialmente ao Estado espanhol, crise que se agrava ao integrar no seu todo sistémico características novas que nunca antes tinham interactuado ao mesmo tempo com a crise estritamente socioeconómica. Agora, a crise nom é só de superproducçom e excedentaria causada pola queda da taxa média de benefício, cujo detonante foi umha pavorosa crise financeira, senom que, sendo também isto, ao mesmo tempo é umha crise ecológica,  energética e alimentária a escala mundial. Nunca o capitalismo sofreu umha crise global como a presente, que, ademais, golpeia com brutal virulência ao Estado espanhol nas suas grandes quebras irresolúveis que arrasta desde a sua mesma formaçom histórica.

Ambas realidades novas abrem expectativas inexistentes há poucos anos. De facto, nos dous últimos anos é clara a tendência à alça das mobilizaçons populares em Euskal Herria enteira, que nom só na peninsular, tendência nítida nos últimos meses nos que é o movimento operário e popular o que marca a direcçom geral do processo democrático, sem desdenhar as importantes intervençons de outros movimentos e colectivos, alguns dos quais som de recente criaçom precisamente ao calor e baixo o impulso da dinâmica geral.

Agora bem, a constataçom evidente do aumento da força de massas em Euskal Herria, a proposta lançada no documento Zutik Euskal Herria!, etc., nom anula a correcçom teórica da tese acima exposta, a sexta do nosso texto e a quarta no de J. Salem. Todo indica que conquanto podemos avançar muito e mais rápido para metas que nos acerquem à “primeira” independência e para ela mesma, sem ingerencias de nengum tipo de violência armada, o panorama mudará a pior e muito quando nos acerquemos à “segunda”, a verdadeira e definitiva independência, a que se sustenta num Estado operário baseado na democracia socialista, na economia planificada horizontalmente mediante a intervençom rectora do poder soviético e conselhista, e dentro de umha crescente solidariedade internacionalista entre os povos. O tempo que demoremos em passar da “primeira” à “segunda2 independência dependerá da interacçom entre as condiçons objectivas e as subjetivas, e quanto mais fortes, conscientes e em massa sejam as segundas, as subjetivas, mais possibilidades haverá de aplicar umha das decisivas contribuiçons do marxismo: a audacia e a iniciativa poupam sofrimento, e quanto mais poderoso e ofensivo seja o movimento revolucionário mais rápido e menos doloroso e violento será o parto da nova sociedade socialista.

Por todo o visto, Lenine está tam vigente agora, a começos do século XXI, como o estava a começos do século XX. Mais ainda, agora é quando podemos apreciar com mais perspectiva histórica e rigor teórico todo o potencial emancipador inserido na majestuosa contribuiçom de Lenine e do bolchevismo, do marxismo em soma, à emancipaçom da humanidade.