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…Estado aconfessional?

Terça-feira, 25 Maio 2010

Ramiro Vidal Alvarinho

Depois de sabermos por notícia publicada neste mesmo web que o Estado espanhol destina… 650 milhons anuais de euros!!! Aos ordenados do professorado de Religiom (católica) em escolas e liceus, um nom pode mais que reafirmar-se na conclusom já há muito tempo alcançada de que o Estado espanhol nom é aconfessional por muito que o proclame na sua essencialista e incongruente Constituiçom. Todos sabemos que a Igreja Católica tem umha série prerrogativas e uns privilégios outorgados “baixo corda” mas sem muito dissimulo, e um dos privilégios mais evidentes é a sua permanência no ensino público, por se fosse pouca vantagem o facto de controlar quase a totalidade do ensino privado. Ensino privado financiado em parte polas instituiçons do Estado, já que nom há que esquecer os concertos educativos, que na CAG o bipartido pretendeu suprimir e que o PP se apressou em reestabelecer, sempre fiel aos seus amigos poderosos.

 

A pretensa aconfessionalidade do Estado espanhol é um ornamento, um elemento de tunning jurídico que na prática nom se corresponde com a realidade que vivemos todos os dias; é como o direito a um trabalho digno, o direito a umha habitaçom ou o direito a nom ser discriminado por razom de sexo, idade, raça ou religiom, nom fai falta dizer o que se preocupam as próprias instituiçons do Estado com que isso se cumpra… simplesmente abonda com a constataçom diária de que o desemprego cresce sem freio e existem camadas da sociedade especialmente punidas por essa forma de exclusom social, simplesmente abonda com comprovar que hoje há mais gente a morar na rua do que se recorda em muitos anos, e das situaçons discriminatórias por diferentes motivos, já para quê falar; evidentemente dam-se em todos os supostos citados e em muitos outros… a língua, a orientaçom sexual, a imagem, a ideologia, som motivos de discriminaçom quotidiana e aliás até está comunmente assumido que assim deve ser.

 

Ao nacionalismo espanhol enche-se-lhe a boca gabando-se da maravilhosa democracia espanhola, fruto de umha transiçom exemplar, com umha monarquia que nos sai barata e que veste muito; até tem caché democrático, ainda que seja mais inventado do que outra cousa. Enche-se-lhes a boca com isso de que Espanha é um Estado social, democrático e de direito, curioso alambique adjectivístico que se traduz em nada… e aliás até é um Estado aconfessional. É um Estado aconfessional com um chefe de Estado coroado por expresso desejo de alguém que foi “Caudillo” da Espanha “por la gracia de Dios”, um Estado aconfessional com umha monarquia católica, onde os casamentos, baptizados e outros actos familiares do clam régio som também actos de Estado, um Estado aconfessional onde a igreja recebe do erário público ingentes quantias de dinheiro só através do IRPF (olho, também através da opçom “fins sociais”) e, como digo, um Estado aconfessional que permite que a Igreja Católica mova peons no ensino público. Professorado que depende a nível docente e a nível disciplinar da sua correspondente diocese, que nomeia e demite livremente o arcebispo de serviço, que nom há garantia nengumha da sua capacidade pedagógica (nom necessitam umha titulaçom, nem passam por nengum concurso-oposiçom) e cujos salários paga o Estado através dos correspondentes departamentos de educaçom de cada autonomia.

 

Interessante saber que a maioria deste professorado com tam peculiar situaçom laboral assume o seu trabalho como um labor de evangelizaçom, no qual o importante é ser crente e dar testemunho de vida cristá. Portanto, este pessoal sabe muito bem que vai fazer aos centros de ensino; o que eu pergunto a mim próprio é se umha escola, um liceu aconfessionais podem permitir que uns docentes sobre os quais nom se pode exercer controlo nengum nem há forma de pedir-lhes conta por nada (nem polos conteúdos que leccionam, nem polos métodos, nem por nada) entrem nos centros de ensino para fazere, umha cousa que nom entra dentro das funçons do ensino público.

A mim que me expliquem a que necessidades reais obedece o facto de que no ensino público exista umha matéria chamada Religiom, tanto tem que esta matéria seja avaliável ou nom avaliável. Tem o alunado católico umhas necessidades espirituais tam especiais, ou será que a Igreja Católica aproveita para pregar nas salas de estudo o que se calhar muitas pessoas jovens nom lhes vam escuitar pregar nos púlpitos, porque aliás cada vez se vai menos a misas? Realmente nom é possível leccionar umha formaçom ética e humanística que valha para todo o alunado, seja da confissom que for, e também para aqueles que nom som de confissom nengumha?

 

O “aconfessional” Estado espanhol financia com esplendidez a evangelizaçom da juventude, deve ser para que o pessoal jovem nom perda a esperança de que Deus premeie a sua fe levando-os a um mundo melhor, e assim nom se rebele polas injustiças deste capitalismo selvagem da especulaçom impúdica, da exploraçom criminosa, da miséria galopante. Os crucifixos a esconjurar o germe da luita de classes, ou, por dizê-lo em forma de palavra de ordem política “fai a comuniom e nom a revoluçom”.