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Colômbia: Terrorismo de Estado em nome da paz

Sexta-feira, 14 Maio 2010

James Petras

A primeira vítima do terrorismo de Estado costuma ser a corrupçom da linguagem, a invençom de eufemismos com os que as palavras significam o oposto e os slogans encobrem delitos graves: Nom existe mais o consenso universal para condenar crimes contra a humanidade. Isso ocorre porque os assassinatos e matanças em massa garantem a “confiança” dos investidores, pois despoja-se aos indígenas das suas terras para poder explorar os minérios. Trabalhadores das empresas de petróleo desaparecem para que petróleo jorre. E a imprensa especializa em economia internacional elogia o sucesso do Presidente na “pacificaçom do país”.

Quando os dirigentes da Europa e América do Norte abraçam narcopresidentes, parece que os criminosos se tornarom respeitáveis e as pessoas respeitáveis criminosas.

Mas em outros países outras vozes colocarom criminosos de guerra do passado e do presente no banco dos réus. Na Argentina, os generais responsáveis polos desaparecimentos passam os seus últimos anos de vida por trás das grades. Na Espanha, Dubai e em outros países expeditarom-se mandados de prisom para comandantes do exército israelita. Na Malásia, Tony Blair, cúmplice da guerra genocida de Bush no Iraque, deve escapar de ser preso polos crimes de guerra cometidos. Colômbia, EUA e Israel, os epicentros de terrorismo de Estado, estám isolados na Assembléia Geral das Naçons Unidas; condenados, mas ainda nom submetidos a julgamento. Os seus dias de impunidade estám chegando ao fim. As guerras intermináveis, a corrupçom galopante e as fraudes financeiras em grande escala (a podredume interna), estám erodindo a fachada do seu poderio militar.

Revelar as mentiras que sustentam as máquinas de matar, os escritores e intelectuais desempenham um papel crucial para acelerar este processo. Imos começar:


As mentiras da nossa época

A doutrina da segurança democrática (nem democrática, nem para a segurança pessoal):

A corrupçom da linguagem acompanha a todos e cada um dos grandes crimes políticos. O conceito de “segurança da democracia” nom é a excepçom. No contexto colombiano actual, assassinar os dirigentes dos movimentos sociais para garantir a reeleiçom de um partido político composto por assassinos políticos é democrático. “Segurança” é o eufemismo para fazer referência aos cemitérios clandestinos cheios de sepulturas sem lápide sob as quais há pessoas sem nome. “A liberdade dos meios de comunicaçom” existe quando proclamam solenemente outra “vitória militar importante…” A matança de camponeses desarmados que cultivavam as suas terras.

Os economistas som “especialistas” quando anunciam que a economia está crescendo… E somente o povo sofre. Os políticos som “estadistas” quando afirmam ser “Um junto do povo…” Exceto com os quatro milhons de despossuídos à força e os 300.000 parentes dos mortos e desaparecidos; os mortos e os despossuídos ainda tenhem que suportar a esse Um que afirma ser o tal “junto do povo”.

Quando o presidente afirma que a guerra é paz, que a militarizaçom é segurança e que as desigualdades som justiça social, somente aqueles que nom conseguem compreender estas Verdades Oficiais devem ter medo de que alguém bata na sua porta à meia-noite.

A definiçom oficial de terrorista

Trata-se de uma pessoa que nom consegue entender que o caminho que conduz à paz passa polo gasto de bilhons de dólares avions de guerra, helicópteros de combate, bases militares e em contratar assessores militares e mercenários terceirizados.

Os inimigos das negociaçons de paz

Segundo o Presidente, esses grupos de defesa direitos humanos, que se oponhem à matança de adversários e proponhem o diálogo na vez de monólogos, som os inimigos de paz; somente os monólogos garantem que exista uma “verdade oficial”, e nom outra.

O preço da prosperidade

Segundo o Presidente e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a pobreza, o desemprego e os baixos salários som o preço da democracia e da prosperidade… Mas, somente os trabalhadores e os camponeses som os que pagam o preço e os ricos som os únicos que prosperam.

Umha nova definiçom Soberania

Segundo o presidente, a nova definiçom da soberania é a de ceder território a umha potência imperialista estrangeira para que instale sete bases militares que actuem segundo o seu próprio contexto legislativo e âmbito de competências. Soberania é equivalente a ocupaçom estrangeira.

A nova definiçom de subversom

Segundo o presidente, os acordos humanitários e as iniciativas de paz som pretextos para a subversom; os seus defensores sabem de antemao que o Estado nom os vai aceitar. Na vez disso, desumanizar o inimigo e os defensores da paz facilita o bombardeio de aldeias subversivas, os “autênticos” inimigos da paz.

Sobre elogios e condenaçom

O que di o facto de que um presidente que todos os grupos e movimentos sociais, que defendem os direitos humanos, condenam, e que toda a imprensa econômica e as instituiçons militares elogiam? 

Um presidente com recordes mundiais

Nom há dúvida de que o Presidente Uribe vai entrar no Guinness Book of Records.
O Presidente tem o apoio de mais narcodeputados do que qualquer outro Presidente ou primeiro-ministro do mundo (incluindo o Afeganistám).

O Presidente é responsável do deslocamento de mais pessoas (quatro milhons de refugiados), no menor tempo (oito anos) do que qualquer outro Presidente do mundo. (desbancou a Israel que conseguiu isso em meio século).

O presidente autorizou a instalaçom de mais bases militares dos EUA que todos os presidentes latinoamericanos juntos. O Presidente é responsável da morte de mais militantes e dirigentes sindicais (1.500) do que qualquer outro líder mundial. Para cada primeiro lugar na categoria morte e usurpaçom, o Presidente Uribe merece uma nova medalha, um prêmio Inóvel.

Mas nom está sozinho. Três presidentes dos EUA, tanto democratas como republicanos (Clinton, Bush e Obama) tenhem fornecido armamentos e centenas de assessores militares no valor de bilhons de dólares para financiar os 30.000 membros dos narcoesquadrons da morte e de 300 mil soldados, que desempenham um papel fundamental na obtençom dos “recordes mundiais” de Uribe.

Recordemos e castiguemos os crimes contra a humanidade, do passado e do presente, mas tomemos a frente na busca do diálogo entre aqueles que estám dispostos a manté-lo, porque constituem umha maioria que acredita na paz através da justiça.