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Três reflexons a raiz da luita grega

Sexta-feira, 7 Maio 2010

Iñaki Gil de San Vicente

A impressionante luita da classe trabalhadora grega contra os ataques devastadores do capital exige-nos três reflexons urgentes. A primeira é que na contramao da ideologia reformista e interclassista desenvolvida nos últimos decenios, a luita de classes nom desaparece, nom se extingue nunca, senom que como já dissera o Manifesto Comunista há mais de século e médio, mantem-se latente, no subsolo social, actuando de forma imperceptível como a velha toupa da que falara Karl Marx. Durante os períodos de relativa “normalidade”, de bonança económica e de capacidade de concessom de melhoras por parte da burguesia, nestes períodos, a luita de classes mantém-se reduzida às pressons por melhoras socioeconómicas e sociopolíticas. Desde 1945 e em parte devido à presença da URSS mas também devido a que as classes trabalhadoras européias nom esqueciam o colaboracionismo das suas burguesias com os ocupantes nazis, por estas e outras razons, como os benefícios económicos da reconstruçom, etc., neste período denominado os “trinta gloriosos” da história capitalista, a luita de classes aparentemente desapareceu na sua forma dura.

Houvo ásperas mobilizaçons entre finais dos ´60 e meiados dos ´80, mas nom chegarom à intensidade revolucionária e contrarrevolucionária dos anos 1917-1939. A resposta do capital a essa onda e à crise económica de entom foi o denominado “neoliberalismo” e a aceleraçom do processo de unificaçom européia. De novo, pareceu que a luita de classes desaparecia sepultada sob os escombros da URSS. Mas na segunda metade dos ´90 resurgirom os “brotes vermelhos” em vários países europeus, e desde entom, com altibaijos e retrocessos mas lentamente para acima, voltam as luitas sociais num contexto de típica polarizaçom sociopolítica e eleitoral na que o neofascismo é azuzado polo capital em previsom da paulatina mobilizaçom operária e popular. É nestes momentos quando se demonstra a correcçom histórica da teoria marxista da organizaçom, da dialéctica entre consciência e mal-estar difuso, entre organizaçom e espontaneidade, da necessidade de manter sempre umha luita organizada com perspectivas estratégicas. Na Grécia as esquerdas praticarom esta teoria e agora demonstram o seu acerto. No Estado espanhol, a “esquerda” ajoelhou-se ante o cadáver do ditador Franco e os efeitos os sofremos todos e todas.

A segunda reflexom trata sobre a mentira da “Europa democrática”. Mentem-nos quando falam da “construçom democrática de Europa”. O que realmente ocorre é a brutal vigencia histórica da lei da concentraçom e centralizaçom de capitais, que fai que as burguesias fortes dominem às débis pola violência interimperialista ou pola pressom político-económica, ou por ambas ao mesmo tempo. A lei da concentraçom e centralizaçom de capitais tem modelado a evoluçom européia em quatro grandes fases de reorganizaçom. Encontramos-nos na quarta, a iniciada depois da guerra de 1939-45. As três anteriores acelerarom-se e se impuserom mediante sanguinárias guerras que abarcarom todos os espaços onde a civilizaçom européia tinha colocado as suas gadoupas. O Tratado de Wetsfalia de 1648, o Congresso de Viena de 1815 e Yalta e Postdam em 1945 sancionarom as três reordenaçons anteriores impostas depois de guerras atrozes. Mas a quarta, que tivo no Tratado de Maastricht de 1992 um dos seus momentos decisivos, está sem se fechar definitivamente porque, por agora, o euroimperialismo nom pode recorrer a outra guerra mundial.

Carecemos de espaço para analisar as relaçons de supeditaçom do euroimperialismo ao imperialismo ocidental dirigido polos EUA, e a agudizaçom das contradiçons mundiais que abre a possibilidade de guerras locais que desencadeiem dinâmicas prebélicas a grande escala. Os intelectuais burgueses nom podiam imaginar há duas décadas a evoluçom do mundo, e riam a gargalhadas da teoria marxista do imperialismo. Agora a realidade da-lhes pánico e nom fam senom justificar como seja o espeluznante rearme imperialista mundial. Enquanto as contradiçons de fundo se agudizan, as burguesias européias mais poderosas jogarom com o povo trabalhador grego, e com os demais, como joga o depredador com a sua presa, apertando pouco a pouco a soga ao redor do seu pescoço, num sádico jogo de controlar o tempo económico-político em funçom dos seus interesses internos e da debilidade crescente da vítima. Ao nom poder impor militarmente, por agora, as suas exigências recorrem a pressons económicas e políticas a cada vez mais duras, ameaçando directamente com a expulsom da zona euro, e com outras medidas mais drásticas, o que causa pavor nessas burguesías débis que tenhem mais medo aos seus próprios povos explorados que aos tiburons financieiro-industriais.

A terceira e última reflexom surge precisamente do comportamento das burguesias débis, que aceitam as duríssimas exigências externas contra os seus povos com tal de se manter no poder. A classe trabalhadora grega está a luitar pola verdadeira independência do seu país, independência prática recusada pola sua burguesia ao aceitar a dominaçom imposta por potências estrangeiras, polo FMI, polo capital financeiro, etc. Desde há alguns anos, independentistas vascos explicavam em foros internacionais o surgimiento de novas opresiones nacionais dentro da UE, sobre povos oficialmente soberanos, invisíveis desde a cegueira dogmática, como efeito da transferência de valor, do saque legalizado pola UE da riqueza dos povos e Estados débis a maos dos fortes, mostrando que já actuava na prática a Europa das duas velocidades, inclusive com o aparecimento de umha periféria sobreexplorada dentro da UE. A crise capitalista real emergida entre verám de 2007 e 2008 intensifica estas exploraçons nacionais dentro da UE.

Num alarde de cinismo hipócrita  acusa-se ao povo grego de ter falsificado ou ocultado dados sobre a sua verdadeira situaçom económica para nom perder a confiança dos mercados financeiros. O capitalismo é terrorista, corrupto e mentiroso na sua mesma essência e as mentiras da grande banca, dos monopólios e dos Estados imperialistas som qualitativa e quantitativamente mais daninhos para a humanidade que as do pequeno e pobre Estado grego. O povo grego deve exigir responsabilidades a sua classe dominante, e carregar só sobre esta os custos da crise. Mesmo assim, o povo trabalhador grego tem a sorte de dispor do seu próprio Estado, de ser sequer formalmente independente, o que aumenta a sua capacidade de luita e de defesa contra esta nova forma de opresom nacional invisível. Outros povos nom temos esses recursos, e os devemos conseguir quanto antes para nos defender da ferocidad do euroimperialismo. Euskal Herria precisa um Estado independente que assuma a defesa do seu povo trabalhador no meio da crise mundial.