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A Rosalia

Quarta-feira, 5 Maio 2010

Rute Cortiço

Aproveito o mês de Maio como escusa para falar um bocadinho de língua e de linguagem sexista.

É obvio que a língua em si nom é sexista, mas sim o uso que se fai dela, é o meio co que nos comunicamos, co que transmitimos a nossa forma de pensar, entom é normal que em umha sociedade machista a língua também o seja.

Umha sociedade andro e heterocêntrica será reflectida na sua forma de expressom como indicador de estruturas e procesos sociais, como reprodutor da realidade aparente e consensualizada e como afiançadora de roles e preconceitos. Com a linguagem assumimos papéis e estereótipos sexistas, valorizamos capacidades e funçons atribuídas a homens, enquanto que se desvalorizam a subordinam as actividades atribuídas às mulheres.

Assume-se que a linguagem machista é umha pequena agressom que nom tem maior importáncia e que as mulheres assumimos com humor, e se nom for assim é porque somos umha “femininazis” que nom sabemos comportar-nos.

Assim que vamos explicar porque é tam importante para nós sermos conscientes desta importante agressom machista que temos que suportar em todo o momento e todos os dias:

A linguagem machista exclui e ignora as mulheres, invisibiliza-as, dificulta a sua identificaçom e associa as mulheres com avaliaçons negativas.

Apresenta a mulher como um ser dependente do homem.

Associa as mulheres com os papéis, comportamentos e características tradicionais feminizadas.

Utiliza termos femininos como despectivos (víbora, pécora, loba…), estes termos em masculino nom tenhem nengumha carga negativa nem insultante.

O seu uso é discriminatório e parcial, impondo barreiras injustas ao desenvolvimento pessoal e colectivo, na linguagem somos desprezadas, insultadas e ignoradas.

Mas todas sabemos que estamos rodeadas por pessoas adormecidas com o sistema patriarco-burguês, portanto será singelo encontrar-nos com pessoas reticentes a mudar o seu jeito de expressar-se com multidom de “argumentos”, vamos ver uns exemplos, já que qualquer dia podemos encontrar-nos com Ana Maria Matute e temos que estar preparadas.

Amiúde, di-se-nos que estamos a malgastar os nossos esforços em inúteis batalhas lingüísticas, em vez de luitarmos polo que verdadeiramente importa como pode ser a violência machista entendida como violência únicamente física, mas é que a opressom da mulher existe também e sobretodo (além de nas formas materiais e práticas) nos razoamentos e no pensamento manifestando-se nos procedimentos lingüísticos. Concebemos a realidade através da representaçom que fazemos mediante a linguagem, e isso sim que é muito importante, já que é a nossa realidade.

Afírma-se que queremos umha língua antinatural e recarregada, que o uso de barras e arrobas é por isto completamente desaconselhável. Polo pouco que eu entendo, sempre se usarom barras com em e/ou ou para por a forma singular acompanhada do plural, também se alega que a arroba nom é aconselhavel por nom ser pronunciavél; entom suponho que também serám contra de outras grafias impronunciáveis como (), ?, !, “…

O masculino é genérico, esta inocente afirmaçom ignora que partimos de umha linguagem feita por e para os homens que os nomeia a eles ou a toda a humanidade, em honra aos valores sociais e culturais patriarcais e androcéntricos impostos. Assim a metade da populaçom fica invisibilizada, e com a responsabilidade de se dar por aludida ou nom, já que desde crianças aprendemos quando estamos incluídas ou nom nesse masculino supostamente genérico.

Também se nos di que somos contra a natural economia da linguagem, o objectivo da linguagem nom sexista nom consiste em construir oraçons intermináveis se nom em representar também as mulheres na língua.

Com certeza também escuitastes que a linguagem nom sexista son mal e inventa palavras. Nom é que invente palavras: é que dá expressom às experiências e processos das mulheres que careciam dela; por isso, devemos incorporar palavras como técnica, informática, soldadora, advogada, médica…

A linguagem tem umha importáncia vital no caminho para a igualdade de mulheres e homens, e tem possibilidades para nomear-nos a tod@s sem ocultar ninguém.

Daquelas que cantan ás pombas i ás frores 

todos din que teñen alma de muller; 

pois eu que non as canto, Virxe da Paloma, 

.¡Ai!, ¿de qué a teréi?

Rosalía de Castro 

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