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Actualidade do socialismo

Sábado, 4 Abril 2009Um Comentário

Ninguém duvida do importante papel que os povos da América Latina venhem jogando durante última década para a evoluçom geral das expectativas revolucionárias no mundo. No contexto da actual crise sistémica, o revolucionário dominicano Narciso Isa Conde analisa a última cimeira do G-20 e o panorama aberto no continente americano e no mundo.

Narciso Isa Conde

A actual crise do capitalismo nom é umha simples crise financeira e, em conseqüência, nom será ultrapassada com injecçons multimilionárias de dólares e euros, nem com a nova regulaçom do sistema financeiro decidida recentemente no G-20.

É umha crise sem precedente, de carácter sistémico e estrutural. Umha multi-crise que tem provocado a maior de todas as crises do capitalismo mundial: umha real crise da civilizaçom burguesa, de sobreproduçom, financeira, ambiental, institucional militar, urbanista, tecnológica… que pom em risco a existência da humanidade.

As receitas do 29 nom servem para esta crise. O keynesianismo fijo a sua própria crise e é ilusório restaurá-lo em direcçom a novos “Estados do Bem-estar”.

Esse capitalismo nom volta, por mais que teimem os Estados “esbandalhados” em suprir partes dos fundos subtraídos polos donos dos poderosos bancos de negócios e por mais que prometam ajudas financeiras via FMI, que nem por sombras compensarám os estragos do capitalismo em crise.

Neste contexto, se nom produzirem mudanças estruturais a favor da autodeterminaçom e do tránsito para umha sociedade nacional e continental alternativa ao capitalismo, vai expandir-se a barbárie, açoitando à sua passagem as nossas sociedades e agravando o sofrimento dos e das mais facas. Porque nas condiçons de hoje, qualquer receita destinada a salvar o capital, termina batendo nos e nas trabalhadoras, os povos e os países dependentes.

Os imperialismos europeu e estado-unidense venhem determinados para este continente. Vam concorrer polo seu domínio como factor importante para, dentro de sua lógica egoísta, tratar de atenuar sua intensa e prolongada depressom.

As suas graves carências de hidrocarburos, carvom, água, minerais estratégicos e biodiversidade, tendem a potencializar o seu espírito conquistador e recolonizador, independentemente das aparentes moderaçons proclamadas polas suas administraçons de governo.

Nom cederám nem na expansom militar na regiom, nem na determinaçom de nos explorar mais intensamente. No político, os seus canhons estám localizados fundamentalmente contra a Venezuela, Bolívia e Equador e processos afins. Muito especialmente contra a Venezuela e também contra a heróica insurgência e a formidável resistência civil colombianas.

Por isso as agressivas declaraçons de Obama contra Chávez e a revoluçom bolivariana. Por isso perdura a ameaça da sua IV Frota e sua decisom de continuar a financiar o Plano Colômbia-Iniciativa Andina, passando por cima das suas passadas objecçons ao regime criminoso de Uribe. Essa é a avançada militar do império para conquistar a ambicionada Amazonia e todo parece indicar que a nova administraçom estado-unidense continua amarrada a esses desígnios.

O seu trato ao Brasil é outro, porque sabe que está mais aferrado ao seu projecto de grande naçom em conciliaçom com o imperialismo, mais asido a ele do que à unidade bolivariana. Porque o valoriza como factor de divisom ou moderaçom, dadas as suas intençons de subordinar outros a partir dos interesses da grande burguesia paulista e dadas as suas capacidades para abrandar a beligeráncia de alguns. Tal explica porque junto a Lula, na “Cimeira do G-20”, participárom também as presidentas da Argentina e do Chile e o presidente do México e fôrom excluídos Chávez, Correa e Evo, enquanto Cuba é namorada por Lula para que se entenda com Obama.

Esta grande crise nom tem fronteiras ao interior do planeta e em funçom das necessidades imperiais vai cevar-se com os nossos países, se nom a entendermos como umha grande oportunidade para nos libertarmos da dependência capitalista e para socializarmos as nossas riquezas e capacidades, evitando que os corruptos poderes estabelecidos, divorciados dos interesses dos nossos povos, terminem impondo-lhes maiores sacrifícios. Agora é que é verdade aquilo dito por Rosa Luxemburgo: “Socialismo ou barbárie!”

Esse repto passa por radicalizar as luitas, por aprofundar nas reformas e transformaçons iniciais, por promover os combates a favor das mudanças revolucionárias de orientaçom socialista, por alargar o mapa político da quarta onda revolucionária, por deslocar os governos de direita e radicalizar os de esquerda, por coordenar forças populares e luitas sociais e políticas, por abraçar umha estratégia revolucionária comum, por revitalizar o latino-americanismo e o internacionalismo, por ultrapassar as posiçons que limitam a unidade e a integraçom fundamentalmente ao puramente estatal-governamental e por potencializá-la a partir dos povos e das suas organizaçons.

Isto obriga a umha mudança positiva para a solidariedade com a insurgência e a oposiçom de esquerda e progressista colombiana. A tratar os processos peruano, salvadorenho (sobretodo após a recente vitória eleitoral) e mexicano como os mais propensos a alargar e incrementar a onda de mudança. A resistir e reverter a patir dos povos, das forças patrióticas e dos governos autodeterminados, a contraofensiva imperial, jogando cada espaço e cada força os papéis que lhes som próprios.

Aqui, na República Dominicana, está em andamento umha nova vaga de protestos e parece gestar-se umha grave crise de gobernabilidade se estas luitas continuam a estender-se e a aprofundar e se a podrémia oficial continua o seu agitado curso. O desafio é angustiante porque o atraso das forças políticas da mudança é enorme e a oportunidade é de ouro.

O caos prolongado ou o tránsito para o novo socialismo é o grande dilema da humanidade. Sinais ominosos de barbarie estám presentes dando mais pertinência ao pensamento de Marx e dos seus continuadores. Nunca antes o socialismo e o comunismo tinham tido tanta razom de ser. E essa verdade nom deve estar alheia nossa pátria.