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O hiyab, a islamofobia e o estado aconfessional

Quarta-feira, 21 Abril 2010

Ramiro Vidal Alvarinho

As reviravoltas que tem a pura xenofobia para justificar as agressons que infringe às suas vítimas, às vezes som curiosas. Nom direi surpreendentes, porque surpreender já nom me surpreende qualquer cousa. Já vim demasiadas cousas retorcidas, excêntricas e paradoxais na vida, como para me surpreender com a facilidade que o fazia antes.

De quando em vez salta umha notícia como a que acabamos de conhecer: na localidade madrilena de Pozuelo de Alarcón, umha rapariga foi pressionada para dessistir de levar ao liceu onde estudava o hiyab, ou seja, um pano para a cabeça que se costuma utilizar nos países do Magreb (até onde eu sei) Noutros países de maioria mussulmana ou de cultura árabe utilizam-se complementos e peças de roupa parecidos. Os media do sistema jogam à confusom chamando-lhe “véu islámico”, para remarcar que o pano tem a ver com a religiom que pratica quem o leva.

Eu tenho já uns aninhos, a mim nom se me engana tam facilmente. Às vezes fazer memória é umha boa vacina contra os enganos. Mais ou menos até os anos quarenta do passado século, podíamos dizer que a totalidade das mulheres galegas levavam a cabeça coberta com um pano. O mesmo podíamos dizer das mulheres doutros povos da Península Ibérica e mesmo do Sul de Europa. Nos anos sessenta nom era tam estranho ver mulheres com pano na cabeça, de qualquer idade, ainda que já a estética tivesse mudado bastante. Mas nos anos oitenta, os da minha infáncia, praticamente nom havia mulher de mais de sessenta anos que nom utilizasse pano. Hábitos de vestimenta herdados, que depois se fôrom perdendo, mas nom pertencem a um passado tam longíquo.

Esta Europa tam moderna e tam livre já esqueceu tudo aquilo e agora quer preservar a sua “modernidade” dizendo a quem traz consigo outros costumes o que tem que fazer. Neste caso, as autoridades educativas madrilenas querem, em nome da liberdade da mulher, proibir a Najwa, umha adolescente de origem marroquina, levar o hiyab ao liceu, porque é um símbolo das discriminaçons que o islám infringe às mulheres. É certo que o uso do hiyab tem a ver com o facto de, no mundo islámico, considerar-se um tabu o facto de as mulheres mostrarem o seu cabelo. Outra cousa é como inferimos, do facto de que umha adolescente de religiom mussulmana utilize o hiyab, que por trás desse uso há umha imposiçom por parte das autoridades religiosas, ou por parte da autoridade paterna, além de que polos vistos aqui nem se dérom ao labor, os pretensos libertadores, em escuitar a voz de quem queriam “libertar”.

Um hiyab nom é um burka, nem muitíssimo menos. Nem a situaçom das mulheres em Marrocos é a mesma que no Afeganistám, nem é sequer igual a situaçom de umha mulher marroquina na sua terra natal do que fora dela. E em qualquer caso, eu, que conheço bairros da Corunha com ampla presença magrebina, como a Agra ou Monte Alto, vejo nos parques, pola rua, nas cafetarias… mulheres magrebinas que utilizam hiyab, a falarem com outras mulheres magrebinas que nom utilizam hiyab e que fam com o seu cabelo cousas tam pouco mussulmanas como pintá-lo ou cardá-lo, com o qual parece que num contexto como o nosso as conotaçons religiosas do hiyab se diluem de maneira bastante manifesta com outros motivos que tenhem mais a ver com a cultura, com os usos estéticos de umha zona determinada do planeta, etc. E seguramente o facto de utilizar o hiyab nom tenha muito a ver com o grau ou nom de devoçom religiosa de cada mulher (e se fosse ao contrário, porque tinha que ser negativo?), já que me consta que mulheres que nom usam hiyab na sua vida diária, sim o usam para ir à mesquita.

Querem desterrar o hiyab dos liceus e das escolas para que o hiyab se converta numha anomalia, num sintoma de algo mau, perigoso, estranho. Um traço intruso na paisagem de modernidade europeia em que nos queremos ver reflectidos. E também, claro, para fomentar o auto-ódio na comunidade mussulmana. O problema é que, a partir da razom, é muito complicado fundamentar a proibiçom do hiyab. Porque se for por umha questom estética, nom deixa de ser um pano. Um pedaço de tecido, nom muito diferente dos que luzem nas suas cabeças jovens de qualquer dos dous sexos que tiverem umha estética inspirada no hip-hop, ou no hardcore, ou no heavy metal, ou no rock and roll… se se proíbe às jovens mussulmanas o hiyab, haverá que proibir outras cousas; estamos dispost@s? E se o que se pretender é proibir o hiyab enquanto a que é um “distintivo” religioso, proibamos as cruzes e as estrelas de David, e porque nom, também as rastas e as bandeiras da Etiópia com o leom branco, ou esses nom som distintivos igualmente religiosos? Evidentemente, nom som as cousas tam singelas como alguns pretendem. De facto, despejemos os crucifixos das salas de aulas, e mais ainda, eliminemos a religiom, qualquer religiom, do currículo escolar. Está disposto a fazer isso o executivo de Esperanza Aguirre? Está disposto a fazer isso o PSOE, actualmente no governo do Estado espanhol?

Francamente, se nos queremos preocupar da liberdade das mulheres, preocupemo-nos com quem a ameaça de verdade. Essa cúria católica que interfere na vida social e política continuamente, fazendo juízos de valor escandalosos, incitando à agressom sexual contra as mulheres que abortam, ou fazendo leituras delirantes sobre a violência machista, enfim, essa igreja católica, ainda poderosa e influente, grande valedora da direita a que pertence Esperanza Aguirre, obscurantista, ultra, que nom sai da demonizaçom do corpo e a sexualidade da mulher. O hiyab, neste momento e neste lugar, nom é o problema.