Abrente

Ediçons digitais da publicaçom trimestral do nosso partido

Documentaçom

Textos e outros documentos políticos e informativos de interesse

Ligaçons

Sites recomendados de ámbito nacional e internacional

Opiniom

Artigos assinados sobre temas de actualidade galega e internacional

Video

Documentos audiovisuais disponíveis no nosso portal

Home » Notícias

Esquerda independentista nom vai participar em “homenagens” a Garzón

Sábado, 17 Abril 2010

NÓS-Unidade Popular emitiu um comunicado esclarecendo a sua posiçom contrária aos actos que sectores reformistas estám a organizar em apoio ao “juiz estrela” Baltasar Garzón, conhecido polo seu serviço à estratégia de perseguiçom política e judicial do Estado contra os independentismos de esquerda no Estado espanhol, nomeadamente o basco.

Umha estratégia que tem incluído dispersom, torturas e todo o tipo de arbitrariedades abrigadas, segundo tenhem denunciado organizaçons nom governamentais internacionais, polo aparelho judicial, nomeadamente a Audiência Nacional de que Garzón tem sido a peça mais destacada durante anos.

Reproduzimos integramente o comunicado da organizaçom independentista. 

A Esquerda Independentista nom esquece quem é Garzón

Perante a convocatória para o dia 24 de Abril de umha concentraçom de apoio a Garzón, em princípio subscrita por dez entidades de diversa índole da cidade de Ferrol, NÓS-Unidade Popular recorda, por se alguns abandonados ao simplismo da política oficial esquecêrom, que Baltasar Garzón é um juíz salpicado pola tortura e o terrorismo de estado.

Que neste momento o aparelho judicial espanhol, em maos da extrema-direita, tenha paralisada a sua investigaçom sobre os desaparecidos na guerra civil e na repressom franquista, obedece, isso é certo, a umha dura pugna dos herdeiros directos do franquismo (com o apoio descarado do PP) para fazer imortal e intocável a herança do Caudilho. Nom é nengum acaso que na causa que se lhe abriu ao juíz por prevaricaçom se tenham apresentado como acusaçom organizaçons ultras como Falange Española de las JONS, Manos Limpias ou Libertad e Identidad.

De qualquer maneira, o lamentável é que Garzón, com o historial que pesa sobre as suas costas, se converta no rosto da memória histórica, um direito que corresponde a todo povo exercer de maneira participativa, crítica e sem censuras, e nom porque um dia as instituiçons lhes outorguem de maneira caritativa a capacidade para lembrar o que, também por um decreto nom escrito, até esse momento era incorrecto reivindicar. Lamentável e contraditório, pois algum dia haverá que também apelar à memória histórica para lembrar os mortos e desaparecidos da democracia bourbónica, numha guerra suja em que Garzón participou do lado dos carrascos.

A nossa condiçom de organizaçom independentista, socialista e antipatriarcal, enfrentada de maneira diametral portanto ao regime monárquico e burguês espanhol, solidária com outros movimentos de libertaçom e portanto também e muito especialmente com o basco, exemplo para muitos outros movimentos sobretodo na Europa, obriga-nos a nom perdermos a composiçom de lugar nesta questom evidentemente colateral, pois destapar os crimes dos sublevados no 36 nom depende da continuidade da carreira judicial de Garzón. Que nós apoiemos o cumprimento da Lei de Memória Histórica por parte das instituiçons do Estado espanhol obedece apenas à necessidade de assinalar a contradiçom existente entre a pretensa nova página na história que suporia a instauraçom do Regime bourbónico e as dificuldades de facto que há para cumprir as leis por parte das instituiçons desse regime, polas resistências encontradas nas próprias estruturas de poder. Outra conversa é pensar que a memória histórica depende dessa lei, que desde um primeiro momento julgamos insuficiente.

A condiçom de carrasco de Garzón é tam manifesta, que desde a pouca esquerda conseqüente que fica no Estado espanhol, além dos movimentos de libertaçom, repete-se constantemente a pergunta de quando e quem vai julgar Garzón. Em que momento e em que lugar será possível esclarecer de maneira precisa a sua relaçom com a trama dos GAL e episódios do carácter sinistro de Intxaurrondo, por exemplo.

A memória histórica como movimento social nom deveria (ainda que pareça que em parte aceita esse papel) aparecer como comparsa num novo show garzoniano; também é certo que ainda que haja umhas entidades maioritariamente reconhecidas como vanguarda da memória histórica, nom tenhem o seu monopólio. A memória histórica somos todos e a Esquerda Independentista também contribuiu para ela, em Ferrol, na Corunha, em Ponte Areias, em Tui… com acçons que nos colocárom em lugar referencial, por termos feito o que outros desejariam mas nom se atrevem a fazer.

É a partir dessa legitimidade que dizemos que nom vamos participar em nengum acto de apoio ao juiz Baltasar Garzón