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Cumprem-se 100 anos do nascimento de Ricardo Carvalho Calero: homenagem em Ferrol

Quarta-feira, 24 Março 2010

Coincidindo com o primeiro centenário do nascimento de Carvalho Calero e duas décadas da sua morte, diversas entidades apoiam os actos que tradicionalmente vem convocando a Fundaçom Artábria ao pé da casa natal do intelectual ferrolano. Será no próximo sábado dia 27 de Março. A lembrança do primeiro catedrático de Língua e Literatura Galega, republicano, defensor da autodeterminaçom galega e da unidade lingüística galego-luso-brasileira, contará com umha oferta floral, um recital poético e um jantar de confraternizaçom, segundo informa a Fundaçom Artábria no seu blogue.

Reproduzimos a seguir o manifesto difundido com motivo desta data de homenagem:

No Centenário do nascimento de Carvalho Calero, um ferrolano galego e universal

Decorridos 20 anos da morte e 100 do nascimento, a figura de Carvalho nom deixa de crescer e botar raízes na história da Galiza como intelectual integral, cultivador de todos os géneros literários, estudioso da história literária galega e defensor da dignidade lingüística do nosso povo.

Desde o seu compromisso de juventude com o galeguismo de esquerda, a sua participaçom na luita antifascista no Exército republicano, a prisom, a docência nos anos de pedra da ditadura, e o labor de investigaçom lingüistica e literária na etapa posterior, Carvalho Calero caracterizou-se sempre pola independência em relaçom ao poder.

Como estudioso do ámbito filológico e sociolingüístico, autor teatral, poético, romancista… Carvalho representa a geraçom que, antes do golpe fascista de 36, tentou dotar a Galiza de todo o que caracteriza os países normalizados e independentes. É um elo que une a geraçom de Castelao com a do novo nacionalismo do pós-franquismo. De facto, aginha que o abrandamento da ditadura o permitiu, já na madurez vital, o autor ferrolano voltou a esse mesmo compromisso teórico e prático com o País. Fijo-o com afám construtivo, mas sem vender as suas convicçons ao aparelho institucional que começou a fraguar-se a finais da década de 70, quando ele já era o primeiro catedrático de Língua e Literatura Galega.

Apesar de que ninguém pode negar o valor da sua obra, as instituiçons autonómicas condenárom-no ao ostracismo na última etapa da sua vida, por negar-se a abençoar o caminho que se dispunham a seguir em matéria de política lingüística. Por defender, frente às teses que queriam isolar o galego, a unidade lingüística galego-portuguesa e por defender, frente às teses bilingüistas, umha Galiza em galego.

Foi, o daqueles anos 70 e 80, o esforço mais produtivo de Carvalho Calero para o País, como o passar do tempo se tem encarregado de demonstrar. Se há trinta anos era difícil defender a aposta reintegracionista quando Portugal e o Brasil eram realidades tam afastadas, hoje vemos que, sem dúvida, o velho professor estava no certo quando afirmava que o galego seria galego-português ou nom passaria de ser um galego-castelhano.

Já quase ninguém elabora discursos, como daquela se faziam, a defender o isolacionismo galego contra o seu ámbito de relaçom natural. Hoje discutem-se os ritmos ou, em muitos casos, fica-se na desídia e na passividade que mantém o galego em posiçom totalmente deficitária em termos funcionais. Contodo, inclusive a norma escrita utilizada polos poderes públicos tem experimentado algumhas aproximaçons tímidas ao português, como Carvalho defendeu.

As teses reintegracionistas que liderou com firmeza nos anos 70 e 80 estám hoje mais estendidas que nunca apesar da falta de compromisso das instituiçons. Quase ninguém duvida de que esse é o caminho, e incluso há iniciativas diversificadas para avançar nesssa direcçom, ainda que sejam quase sempre sem nengum apoio institucional.

É esse o aspecto que hoje queremos salientar da imensa figura de poeta, dramaturgo, romancista e investigador do ferrolano universal. O seu inquebrantável compromisso com o idioma e com o país, tam necessário naqueles anos e, se calhar, ainda mais necessário no tempo que nos toca viver a nós. Um compromisso que o levou a defender sem ambigüidades que o caminho era, que o caminho é o reencontro com os países que nom mundo falam, como nós, galego.

Hoje enfrentamos umha estratégia legal e institucional de grandes dimensons contra a normalizaçom do nosso idioma. Neste momento, devemos alçar a voz e a acçom colectiva em defesa de umha Galiza em galego, seguindo também aí as teses do velho professor. Hoje, mais do que nunca, reivindicar um Dia das Letras para Carvalho é reivindicar um reconhecimento colectivo nom só da sua pessoa e de toda umha vida dedicada ao galego e à Galiza; é também reivindicar o idioma e o país como o compromisso colectivo de um povo que se nega a deixar morrer a sua identidade.