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O discurso da nada, como arma contrainsurgente

Segunda-feira, 22 Março 2010

Ramiro Vidal Alvarinho

Estava eu como com a mosca trás da orelha com essa curiosa campanha de “Esto sólo lo arreglamos entre todos”. Quê havia tras disso? Nom era que a cousa me parecera sequer rompedora no estético, no que é a linguagem publicitária parece-se muito a certas campanhas de entidades financeiras, agências de seguros, etc, que manejam umhas chaves de imagem e de comunicaçom que querem deixar de ser convencionais, que querem dar sensaçom mais de movimento popular do que de projecto empresarial…

…essa semelhança puidem comprovar que nom era um acaso. Ir ao web da campanha é bastante revelador. Lêr a história, já dá pistas, porque é tam pouco crível que já um se vai fazendo à ideia do que vem sendo o invento…nom há mais que ver  o que che querem fazer acreditar que é, para perceberes o que realmente é. Segundo o que se di no web, tudo surge da ideia de um profissional do márketing, que lhe deu à imaginaçom, desenvolveu um projecto, apresentou-no numha cámara de comércio, na cámara de comércio ficarom entusiasmados com o tema, e a cousa foi medrando, foi medrando, de tal jeito que chegou ao Conselho Superior de Cámaras de Comércio e ao projecto forom-se somando importantes grupos empresariais que apoiam “de maneira anónima”. Haveria que dizer que essa colaboraçom nom é tam anónima, desde o momento em que no próprio web aparecem os nomes dos “desinteressados benefactores” do cacharro (Iberdrola, Endesa, Cepsa, Caja Madrid, El Corte Inglés…) tanto mistério para afinal descobrir que o couso em questom era o que parecia a pesar do muito que teimam em que pareza outra cousa…com efeito, umha campanha do capital para que tod@s contribuamos a salvar este maltreito artilúgio chamado capitalismo, gerador de injustiça, fame, exploraçom e horror. Com talante amável, com linguagem descontraída, naturalmente. Na literatura que justifica esta argalhada, os conceitos que se repetem insistentemente som confiança, criatividade, movimento, superaçom…geralidades e vaquidades lançadas desde um parachuvas chamado Fundación Confianza, umha entidade (ou similar) que di nom ter ánimo de lucro, nom julgar políticas públicas, nom ser partidarista…enfim.

 Fundamentalmente há duas cousas que me venhem à cabeça fazendo umha pequena observaçom do miolo deste artifício de distracçom (quase circense, diria eu) e isto sem entrar a julgar polo miúdo as imbecilidades que um pode escuitar nos vídeos, ainda que mençom á parte poderiam merecer alguns elementos que aparecem aí oferecendo as suas fórmulas mágicas (vamos, a algum apenas lhe falta dizer que nom há dor e que a crise é um estado mental). A primeira cousa que me vem à cabeça é o muito esforço que o grande capital espanhol está a investir em dar-lhe um enfeite novo a esse velho discurso de que nom é momento de montar folhom, que há que arrimar o ombreiro, que há que apertar o cinto…um esforço enorme, que me sugire que o final do túnel nom está tam perto, ou que provavelmente isto mais do que um tunel é um poço. Essa apelaçom ao “grande nós” patriótico, interclassista, totalizador, anulador do discurso ideológico, furibundamente antidialéctico e rotundamente confissional, volta ao cenário espaventando os ecos ainda audíveis das vozes que há uns dias reclamavam nas ruas umha greve geral. Por outra parte, constato o grande calote substentado na essência do capitalismo…fazer que se fai, perante a ausência de projecto, perante a ausência de alternativas…enquanto ponhemos a centos de pessoas de toda condiçom a brincar como que dam soluçons originais para “sairmos da crise”, o capital implementa as suas soluçons de verdade: recurtamentos nas políticas sociais, despedimento livre, ERE’s, deslocalizaçons, embargos e desafiúzos…