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Portugal: um país a saque

Sexta-feira, 19 Março 2010

António Barata

– Já são mais de 100 mil os portugueses emigrados em Angola, segundo o Conselho das Comunidades Portuguesas. O Dubai e a Argélia são países actualmente mais procurados pelos trabalhadores portugueses e busca de um emprego e uma vida melhor. “Esta fase é em tudo semelhante aos finais da década de 60, a época da chamada ‘mala de cartão’. São desempregados… muitos deles quadros técnicos e científicos”, segundo o Conselho.

– A taxa de desemprego em Portugal foi a quinta mais elevada entre os 30 Estados membros da OCDE em 2009. Acima de Portugal, com uma taxa de desemprego de 9,6 por cento, encontram-se apenas a Espanha (18,1 %), a República Eslovaca (11,8%), a Irlanda (11,8%) e a Hungria (10,1%). Quanto aos Estados Unidos, tiveram uma taxa de desemprego de 9,3 por cento. A média na OCDE foi de 8,3 por cento. (Dados da OCDE).

– Segundo o  Eurostat (gabinete de estatística europeu), Portugal registou em Dezembro uma taxa de desemprego de 10,4 por cento – acima da média da organização internacional, da União Europeia (9,6%) e da zona euro (10%).

– 60 mil portugueses perderam o seu posto de trabalho na construção civil espanhola. Em 2008 eram cerca 90 mil, actualmente caíram para 30 mil. O Sindicato dos Trabalhadores da Construção do Norte estima que fiquem apenas 15 mil, esperando mais despedimentos devido à grande queda no mercado imobiliário do país vizinho.

– 3,7% foi quanto os trabalhadores portugueses que ganham menos de mil euros perderam com a desvalorização dos seus salários em 2009, e 7% os que ganham mais de mil euros. (Frente Comum dos Sindicatos da Função Pública).

Enquanto isso:

– Os 7 administradores da PT – Portugal Telecon (empresa pública de telecomunicações) receberam 12 milhões de euros em salários, prémios e outras mordomias, no ano de 2009. O que dava para aumentar substancialmente as pensões de sobrevivência de 150 mil portugueses que recebem do Estado  menos de 190 euros mensais. Por dia, os administradores da PT, Zeinal Bava recebe 6905 euros; Monjardino, 4575 euros; Rui Soares (uma espécie de comissário político sem curriculun e caído de para-quedas na administração pela mão do PS), 4200 euros. Na Mota Engil, talvez a maior empresa de construção civil portuguesa, o ex-misnistro socialistas Jorge Coelho (que transitou do governo de Guterres para administração aquela empresa, a qual tem depois disso feito verdadeiros negócios a China – aquisição da Ponte sobre o Tejo, parque de contentores de Alcântara, TGV, novo aeroporto, etc -, em que o Estado se compromete a pagar às empresas controladas pela Mota Engil, sempre que a exploração não dê lucro, o necessário para que estas não tenham prejuízos), 1917 euros todos os dias.

– “Queremos ser a quinta maior instituição financeira no mercado polaco”, disse à agência Lusa o administrador do Millennium BCP Luís Pereira Coutinho. A operação de aumento de capital em 240 milhões de euros do Bank Millennium, cujo maior accionista é o BCP, com uma participação próxima dos 66 por cento, terminou com a procura a ultrapassar a oferta de novas acções. Este aumento de capital permitirá que o banco fique com um rácio de solvabilidade próximo dos 15 por cento e um capital próprio na ordem dos 12 por cento.

– Especuladores reforçam aposta na queda das obrigações portuguesas e a crise em Espanha abre novas ameaças sobre a economia nacional (Jornal de Negócios).

– Luís Champalimaud, presidente do conselho geral e de supervisão do BCP, negoceia financiamento para comprar os dez por cento da Cimpor (Jornal de Negócios).

– As vendas totais da Portucel atingiram os €1,095 milhões, menos 3,2%, mas as vendas de papel aumentaram em 11,1%, em 2009. A produção de pasta branca de eucalipto manteve-se nos níveis de 2008, mas o grupo vendeu uma quantidade menor desta pasta. Os custos de logística desceram cerca de 10% na área de papel e 20% na área de pasta.

O mais espantoso perante tudo isto é que os partidos de esquerda com representação parlamentar – PCP e BE – se recusem a exigir e a trabalhar para derrubar o governo. Ainda ontem, na SIC Notícias, Francisco Louça, quando directamente questionado pela entrevistadora sobre as razões porque não tira o BE as ilações lógicas das análises que faz do socratismo, iludiu a pergunta dizendo que o seu partido não embarca em aventuras, porque “olhando para trás” verifica que o seu partido, que começou com dois deputados, cresceu para os 16. Pelo que vão continuar a fazer “render o peixe”, a bater no governo de Sócrates e a namorar aquilo a que só por brincadeira podem chamar de ala esquerda do PS – Manuel Alegre, Mário Soares, Jorge Cravinho, etc. O que dá um retrato fiel da “esquerda” a que temos direito, uma esquerda oficial, cobarde e ordeira, que à semelhança do CDS/PP e do PSD preferem viver à babugem do regime, essencialmente interessada nos ganhos partidários (e nos tachos) que podem advir das jogatanas politicas e confrontos parlamentares com o PS, quando aquilo que os tempos exigem é que andassem por este país fora a amotinar os trabalhadores e os pobres contra o governo e contra o sistema capitalista.