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Obrigado, Rosa Díez

Sábado, 27 Fevereiro 20103 Comentários

Ramiro Vidal Alvarinho

A Rosa Díez nom há nem que ameaçá-la, nem que exigir-lhe desculpas (de que nos serviriam umhas desculpas que sabemos que nom iam ser sinceras?) nem há que levá-la perante tribunal nengum. Há um dito muito católico que di “no pecado leva a penitência”, e mais ou menos é o que acontece com Rosa Díez… que é refém de um lastro cultural e ideológico que a pom em evidência constantemente. Isto apesar de que, no jogo da política, compete com muitas camisolas… porque já se sabe que quem vive de carronha, apresentará-se sempre sob bandeiras de conveniência que edulcorem a sua condiçom.

UPyD nunca tivo um conceito demasiado bom da Galiza nem dos galegos, e realmente botando mao da hemeroteca podemos apreciar nom apenas qual é a percepçom que esta força política da Galiza e a sua realidade, mas também como som especialistas em jogar sempre com vantagem na hora de se posicionarem sobre qualquer tema.

Eu ainda lembro aquelas declaraçons do Fernando Savater, a dizer que dentro dos nacionalismos ibéricos o que lhe suscitava algumha compreensom era o galego, por aquilo de que Galiza sempre fora esquecida e maltratada polas administraçons centrais, e porque era um nacionalismo “de pobres”. Resultava demasiado óbvio todo o preconceito que tais decleraçons encerravam. Evidentemente, essa piscadela envenenada às amplas camadas da populaçom da CAG que acumulam umha sensaçom de agravo histórico à Galiza perante outros territórios do Estado fai-se ao calor de umha visom da Galiza como povo atrasado, pobre e mesmo pouco evoluído sociopolíticamente, ao que mesmo desde Madrid há que lhe dar às vezes empurrons para que se mova no seu próprio interesse. Na esquerda espanholista também há muito desse esquema mental. É claro que esse discurso mudou umha vez que o BNG tocou poder na Junta e implementou iniciativas que entravam em contradicçom com o projecto nacional de Espanha uniforme que partilha UPyD com outros lobbies ultra-centralistas. O nacionalismo compreensível e até útil ao sistema dos “desvalidos” galegos, passou a ser um perigo.

Um bocado também com esse esquema de arrazoado foi que Rosa Díez se fotografou com Aminetu Haidar; a independentista Aminetu Haidar, haveria que sublinhar, porque claro, fica muito progre isso de tirar umha foto com umha coitada mulherinha do terceiro mundo que agoniza num aeroporto, mas a Frente Polisário é ao Estado marroquino o que seriam as esquerdas independentistas galega, basca ou catalá ao Estado espanhol, mais ou menos… e com isto quero dizer que os saarauis nom som uns indivíduos pitorescos que nascêrom com vocaçom de párias para que os progres europeus limpem as suas consciências pequeno-burguesas à sua costa, ainda que muito legitimamente eles se aproveitem dos tinglados que aqui se montam, na teoria para ajudar o Saara; os saarauis levam geraçons a fazer a guerra ao Estado marroquino, porque aspiram a ter um Estado próprio… som tam “separatistas” como nós, ainda que algum veja o Tinduf como umha espécie de parque temático para fazer férias solidárias. Haverá que ver, se algum dia há Estado saaraui, a reacçom de algum destes progres se os representantes legítimos do povo saaraui reclamam a Espanha responsabilidades políticas pola Marcha Verde e outras atrozidades que tenhem a sua raíz na venda oculta que se operou desse território a Marrocos.

Em contraposiçom com esses gestos progres e humanitários, como o show de Rosa Díez a alouminhar Aminetu Haidar ou a montar o show em El Aaiun, estám as dúzias de faixas partilhadas com a extrema-direita espanhola mais clássica, em manifestaçons pola supremacia lingüística do espanhol (umha delas a de há um ano em Compostela) ou em marchas “contra o terrorismo”. Esses som os actos que retratam UPyD e Rosa Díez… e os que há que recordar quando alguém ponha em causa a natureza ideológica de um fenómeno como UPyD. Eu decerto nom vou de maos dadas com a Falange em nengum tipo de acto… nem numha manifestaçom para reclamar mais semáforos, nem na festa do grelo com maionese. Di-me com quem andas…

Entom, as declaraçons em CNN+, na entrevista que lhe fijo recentemente o jornalista Iñaki Gabilondo, de Rosa Díez, na qual com efeito utilizou o termo “gallego” para insultar, dando por boas as acepçons pejorativas que a palavra tem em espanhol, em princípio nom me surpreendem, de alguém que demonstra sempre muito pouco respeito por realidades que ignora de maneira manifesta. Em todo o caso, para mim constituem um acto de honradez intelectual de enorme valor, porque graças a ele confirmamos o rol que ela, no seu projecto de Espanha “una, grande y libre” nos reserva como colectivo. Somos os parvos da fita. Um instrumento e nom um sujeito acredor do respeito que mereceria qualquer outro povo polo simples feito de o ser. Nom gastemos portanto energias em nos indignar, simplesmente esperemos que haja mais episódios como este, porque quanto mais se repetirem estes lances, mais fácil nos vai ser assinalar o que para nós é evidente e para outros, por desventura, parece que ainda nom está tam claro.

Portanto, senhora Díez, eu expresso-lhe o meu mais sincero agradecimento, e, por favor, continue assim.