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Castelao, Góngora e Rosa Díez

Sexta-feira, 26 Fevereiro 2010Um Comentário

Maurício Castro

De grande interesse consideramos a sentença televisiva da ultra Rosa Díez, politicamente formada e posteriormente saída do PSOE, numha entrevista recente com Iñaki Gabilondo.

Quem isto lê já sabe que nos referimos ao momento em que, querendo definir “numha só palavra” o presidente espanhol, lhe aplicou o adjectivo “gallego”; explicando, isso sim, que o dizia “no sentido mais pejorativo do termo”.

É, como dizemos, de grande interesse, nom porque nos descubra nada da líder da UPyD, mas porque representa a maneira como o nosso povo é visto a partir da mentalidade de sectores influentes da sociedade espanhola desde sempre, ao ponto de constituirmos um tópico literário já desde Luís de Góngora e até a actualidade. Hoje, como ontem, esses sectores vem-nos como qualquer cousa alheia, estranha e diferente, por isso criárom um adjectivo para definir, em espanhol, quem tem um comportamento ou um carácter negativo e diferente do que para eles é “normal”. E até o incorporárom aos seus dicionários!

Castelao falava dos “separadores” para se referir às personalidades da política espanhola da sua época que, com as suas atitudes de desprezo pola Galiza, fomentavam umha insalvável ruptura entre a ideia de Espanha e a realidade material em que alicerçava a condiçom nacional galega. Ele próprio se assumiu, face aos separadores, como “separatista”, de maneira mais vincada na última fase da sua vida, segundo se conclui da leitura das últimas páginas do seu Sempre em Galiza.

Mais de setenta anos depois, os paradigmas mantenhem-se: Aquela Espanha, que continua aí, ainda nom nos assimilou, apesar do ritmo uniformizador que nos impom… e apesar mesmo da vontade de nom poucos galegos e galegas. Som os mesmos separadores, os herdeiros dos monárquicos, mas também de nom poucos republicanos da época de Castelao, os que agora tam bem representa Rosa Díez, como boa parte da intelectualidade oficial do regime. Continuam a julgar que nom somos parte do seu corpo social. Somos um apêndice estranho, incorporado mas ainda nom integrado ao que eles som.

As palavras de Rosa Díez dam continuidade às do poeta e dramaturgo do Século de Ouro espanhol, acima citado, que definiu a Galiza como a terra “cuya maleza es malicia”. As palavras da medíocre servidora de Espanha nascida na Biscaia nom passam de umha pobre recriaçom de um pensamento clássico com algum sustento no sentimento popular, de primária repulsom polo diferente.

Rosa Díez nom nos ofende, nom. Só nos reafirma na nossa legítima identidade e mesmo nos fai sentir grande satisfaçom por nom fazermos parte, com ela, de um projecto nacional baseado na imprescindível aniquilaçom do diferente.

Coincidimos com o último Castelao na impossibilidade da reforma co-soberanista de Espanha. Por isso aspiramos, mais do que à rectificaçom dos seus dicionários e tópicos despectivos, a caminhar por nós próprios o nosso próprio caminho. Em boa vizinhança. É pedir demasiado?