Abrente

Ediçons digitais da publicaçom trimestral do nosso partido

Documentaçom

Textos e outros documentos políticos e informativos de interesse

Ligaçons

Sites recomendados de ámbito nacional e internacional

Opiniom

Artigos assinados sobre temas de actualidade galega e internacional

Video

Documentos audiovisuais disponíveis no nosso portal

Home » Opiniom

Ocultar a merda e nom resolver os problemas

Terça-feira, 19 Janeiro 2010

Ramiro Vidal Alvarinho

É o que está a acontecer nalgum concelho galego a respeito da insuficiente e polémica Lei da Memória Histórica. Concretamente em dous concelhos cuja presidência de cámara está em maos do PSOE, impulsionador da antedita lei no ano 2006; dous concelhos, já agora, nada pequenos e bastante importantes. O que está a acontecer em Ferrol com a estátua do “cavalo” e na Corunha com a estátua de Millán Astray, venhem sendo basicamente duas manifestaçons inequívocas de falta de vontade política para cumprir com a legislaçom que se di defender.

Estas duas esculturas, tenhem em comum primeiro, que rendem homenagem ao sanguinário “Caudillo de las Españas” no primeiro caso, e no segundo ao seu cunhado, fundador da Legión Española e ministro do franquismo – ou seja, vultos os dous do (antigo?) regime – e, segundo, que carecem, segundo os peritos na matéria, de valor histórico – artístico (nom som, portanto, monumentos). E, ainda assim, parece que forças obscuras empecem que estes pedaços de metal dem, até que enfim, no que deveria ser o seu destino: a fundiçom. Fundir estas esculturas para construir um digno monumento que renda homenagem às vítimas do franquismo, esse seria o final justo para estes obscenos restos do fascismo espanhol.

Evidentemente, somos conscientes de que no Estado espanhol, nas suas estruturas de poder, sobrevivem elementos que nom desejam que a eliminaçom dos símbolos franquistas se verifique, e sobre isso o MLNG tem reflectido muito. Na Corunha e em Ferrol, esses elementos som bem visíveis e tenhem boas relaçons no PSOE local. Por seu turno, o PSOE nom tem pressa por ser coerente com o que defende a nível estatal e elude o enfrentamento com os sectores reaccionários de ambas cidades. Também nom tem empacho em “matar ao mensageiro”, quando fica em evidência o seu incumprimento com a legalidade vigorante. Assim, a colaboraçom necessária das cámaras municipais na repressom daqueles que protagonizam actos de protesto pola presença destes objectos extemporáneos é umha realidade indefectível ainda com presença do autonomismo no governo, como é o caso da Corunha.

Nom se fai nada por fazer efectiva a Lei da Memória Histórica, e pune-se a aquele que ousa pôr o dedo na ferida. Um absoluto estado de injustiça que torna em heróico qualquer gesto de desafio a esta conivência intencionada com a burla que se lhe está a perpetrar ao tempo. Porque o fascismo bem sabe que tempo burlado é tempo ganho. E o exercício conseqüente da memória colectiva nom se dá bem com isso, como bem sabe a corrupta social-democracia espanhola.

Que o próximo destino da estátua do cavalo seja um armazém, elimina no imediato umha incongruência com o suposto sentido do gesto que supujo retirar a mole de bronze da Porta Nova. Com efeito, a estátua já nom presidia a central praça ferrolana, mas seguia patente ao público, ainda que fosse em dependências militares. Isto seguia a ser um incumprimento com a lei, pois o exército espanhol é também Estado espanhol; a nom ser que se disponha expressamente, nom fai sentido qualquer que umha instituiçom do Estado se subtraia ao cumprimento de umha lei estatal. Em todo o caso, também sabemos que o reino do exército é como o do Papa “…nom é deste mundo”. Elimina-se essa parte do problema, com porta aberta à reversibilidade; como entra a estátua no armazém, pode sair. Mas enquanto permanecer oculta estará a dormir um sono indefinido, à espera de que as águas da opiniom pública voltem à calma… e dentro de dez ou vinte anos, que acontecerá? Pois que, se calhar, o franquismo poderia voltar visualizar a oportunidade de devolver à exposiçom pública o objecto. O certo é que a carga poética da situaçom é enorme… toda umha metáfora de como escorrenta o fascismo o juízo da história.

O relaxamento a território militar do objecto incómodo, é claro que nom é umha soluçom real a essa estridência da simbologia franquista nos nossos espaços públicos. Essa segunda parte para a que se abre caminho, com a decissom tomada a respeito da estátua do “cavalo”, vai converter os armazéns do exército espanhol em galerias dos horrores adormecidos. Franco a descansar na sua guarida, aguardando o momento propício para o ataque.

Esta soluçom em falso é produto da falta de intençom e capacidade para romper com o franquismo, umha ruptura conceitualmente impossível desde que este estado alicerzado em perigosos equilíbrios e inconfessáveis pactos tem a sua matriz naquele regime ditatorial. E enquanto este cenário de infame e témero impasse se eterniza, a inexorável marcha cara a eternidade do legado do “Caudillo” continua, por cima do honor das vítimas e os seus familiares e amigos. E por cima da nossa dignidade como povo.