Abrente

Ediçons digitais da publicaçom trimestral do nosso partido

Documentaçom

Textos e outros documentos políticos e informativos de interesse

Ligaçons

Sites recomendados de ámbito nacional e internacional

Opiniom

Artigos assinados sobre temas de actualidade galega e internacional

Video

Documentos audiovisuais disponíveis no nosso portal

Home » Em destaque

Alberte Moço: “A crise do Capitalismo e as nefastas conseqüências que está a padecer o nosso Povo Trabalhador vam condicionar a nossa actividade política”

Domingo, 17 Janeiro 2010

O site de NÓS-Unidade Popular acabou de publicar umha entrevista própria com o novo porta-voz Nacional da organizaçom, um mês depois da sua eleiçom polo máximo organismo. Reproduzimos na íntegra o conteúdo da conversa com o trabalhador viguês Alberte Moço, em que trata questons internas e da situaçom actual da luita social na Galiza.

Como fôrom avaliados os dous últimos anos de trabalho político na vossa V Assembleia Nacional?

Na verdade, a valorizaçom foi profunda e pormenorizada, é difícil resumi-la em poucas palavras. A conclusom pode ser que o caminho escolhido foi acertado, embora haja muitas questons em que a Unidade Popular tem ainda muito que trabalhar.

Na Assembleia Nacional de 2007 figemos umha clara aposta por despreender-nos de certas inércias do passado e inaugurar umha nova etapa para a Unidade Popular. A palavra de ordem foi centrarmos os nossos esforços em estimular a penetraçom do nosso movimento político na sociedade a partir da sua base, dos movimentos sociais e a autoorganizaçom popular, fugindo da política de consignas ideológicas. Este foi, e continua a ser, um repto difícil de afrontar, mas que já está a dar os seus frutos. Hoje, graças à abnegaçom e entrega da nossa militáncia, o nosso projecto goza de implantaçom e respeito em sectores onde antes nom podíamos mover-nos com comodidade. Em simultáneo, achamos que humildemente também temos contribuído para dinamizar iniciativas em campos diversos, desde o cultural ao sindical. Sendo este um dos principais objectivos dos quais tínhamos que render contas nesta V AN, podemos fazer umha valorizaçom positiva. Como é óbvio, trata-se dumha tarefa a longo prazo e neste senso a nossa vontade colectiva foi renovada, hoje contamos com mais experiência e achamos que se soubermos aprender dos erros cometidos podemos levar a esquerda independentista a um patarmar superior do seu desenvolvimento, o qual é umha prioridade estratégica na actual fase de acumulaçom de forças.

Fôrom também analisados outros aspectos da nossa trajectória política mais recente e, se calhar, um dos pontos mais interessantes a este respeito é a constataçom de que por fim a nossa corrente independentista e socialista começa a reflectir o modelo em rede que levamos anos trabalhando por implementar. Dada esta circunstáncia, coloca-se-nos a tarefa de reforçarmos o papel da Unidade Popular como organizaçom política com vocaçom de massas, como ponto de referência para todo um conglomerado de organizaçons, colectivos e pessoas que em esferas diversas agem sob as bandeiras da independência, o socialismo e a aboliçom do patriarcado. Dentro deste esquema é que a filiaçom decidiu dar um impulso decidido à formaçom militante. Na Unidade Popular já levamos um tempo a promover iniciativas orientadas a elevar o nível de consciência e a capacidade teórica em todos os nossos ámbitos de influência, mas hoje assumimos o ambicioso objectivo de provocar um salto qualitativo nesta matéria, que nos prepare colectivamente para os desafios que teremos que enfrentar acompanhando o nosso desenvolvimento.

Outra questom que tomou grande releváncia no curso dos debates foi a organizativa. Em NÓS-Unidade Popular podemos orgulhar-nos de contar com umha ferramenta útil e efectiva para levar adiante a nossa actividade, mas em nengum momento perdemos o ímpeto por aperfeiçoá-la ainda mais. É por este motivo que na agenda da nova Direcçom Nacional se acham multidom de tarefas relativas à expansom organizativa, à eficiência das diversas estruturas internas ou aos recursos materiais da organizaçom.

Durante todos estes anos, NÓS-UP tem lançado várias propostas de unidade aos restantes sectores independentistas e de esquerda, mas nada se tem avançado nesse terreno. Para NÓS-Unidade Popular, a reconfiguraçom do nosso Movimento de Libertaçom Nacional tem sido umha teima desde antes mesmo do nosso nascimento. De facto, nós somos o fruto dum processo de unidade, está no nosso ADN político a preocupaçom por construirmos esse Movimento unido que toda a base social independentista reclama. Porém, é bem sabido que esta vontade inequívoca nom tem sido suficiente para constatarmos grandes avanços e nestes anos fôrom muitas as decepçons e os fracassos neste sentido, é certo. Mas nom por isso devemos ser catastrofistas e dar todo por perdido. Por um lado, porque nom nos leva a nengum lado fazermos da unidade um fetiche que nos obsessione até a parálise; por outro, porque a realidade é dialéctica, complexa e em constante movimento. Seria um grave sintoma de miopia política considerar que nada tem mudado nos últimos anos.

Isto é importante, porque só podemos concluir que nom tem mudado nada neste terreno se olharmos esta questom com a velha perspectiva da equaçom de siglas que nom acaba de dar um resultado. Os factos estám a impor-nos umha nova forma de interpretarmos a realidade do nosso movimento, tomando em consideraçom a sua riqueza e diversidade. Hoje existem multitude de agentes a trabalhar em coordenadas similares às nossas e entre todos eles, nós incluídos, existem relaçons de todo o tipo, mais ou menos fructíferas, que estám paulatinamente a desenhar um novo cenário. Nós sempre consideramos que o desenvolvimento, na forma que for, de todas as expressons da esquerda independentista supom umha boa notícia. Provavelmente, a conformaçom e crescimento dumha massa crítica favorável ao nosso projecto favorecerá e catalisará processos encaminhados a umha unidade real entre correntes. É cedo para dizer o que nos próximos tempos vai acontecer, mas continuamos a confiar em que colectivamente saibamos dotar o nosso país do referente independentista e de esquerda que necessita, construído a partir do reconecimento da pluralidade e com vontade de assumir o papel revolucionário que lhe é próprio.

Quais serám as prioridades políticas de NÓS-Unidade Popular nos próximos dous anos?

Sem dúvida o actual contexto de crise do Capitalismo e as nefastas conseqüências que está a padecer o nosso Povo Trabalhador vam condicionar a nossa actividade política. Hoje vemo-nos na obrigaçom de centrar os nossos esforços na defesa das condiçons de vida da maioria social frente aos constantes ataques dos patrons. Num contexto de incremento do desemprego, de reduçons salariais e despedimentos maciços umha força de esquerda como a nossa nom pode ter outra prioridade. Nos próximos meses teremos que responder a umha nova reforma laboral à medida da burguesia e o novo ano viu já acompanhado do anúncio de novos EREs e de mais miséria para a nossa classe. A Unidade Popular estará, como sempre, inserida nas luitas contra esta ofensiva e defendendo a destruiçom do Capitalismo e a construçom dumha sociedade mais justa, socialista, como única via para garantir o bem-estar da maioria social.

Nom obstante, há algumhas outras linhas de acçom que som também de máxima prioridade para o nosso movimento. Se calhar a mais importante é a referente ao nosso idioma. O espanholismo tem radicalizado as suas posturas de forma muito grave, a proliferaçom do discurso “ultra” e as medidas legislativas do governo do Partido Popular som um claro exemplo. É evidente que há um plano para acelerar o processo de aniquilaçom cultural do nosso país e estám a tentar derrubar-se os já fracos muros de contençom que o nosso povo conseguira erguer nas últimas décadas. Por fortuna, está também a ficar patente que este país nom se vai render sem luitar, as impressionantes mobilizaçons populares do ano que acaba de concluir assim o demonstram. De NÓS-Unidade Popular achamos que chegou o momento de contraatacar, de revitalizar a reivindicaçom da hegemonia social do nosso idioma, da oficialidade única do galego, da completa galeguizaçom de todos os ámbitos da nossa sociedade. Neste senso, tal e como anunciamos há uns dias, daremos o nosso apoio a todas as iniciativas tendentes a parar os pés ao Partido Popular na sua cruzada anti-galega, mas sempre sem renunciar ao objectivo do monoligüismo social e sem escamotear a crítica a quem pretendem ressuscitar o decrépito discurso do bilingüismo harmónico e do consenso com o espanholismo.

Além destas questons, em breve terá lugar um novo processo eleitoral no nosso país, as municipais de 2011. A Unidade Popular continua a ser favorável à participaçom eleitoral desde plataformas da esquerda soberanista o mais amplas possíveis. Neste ano faremos o possível para que nas nossas vilas e cidade poda existir um referente deste tipo capaz de ganhar as ilusons e a confiança do Povo Trabalhador.

Qual o significado do recámbio na cara pública da organizaçom, com a tua chegada à portavozia?

Pois é mais um exemplo da continuidade nos nossos objectivos e tarefas e da renovaçom dos nossos compromissos políticos. O companheiro Maurício Castro ao que sucedo e eu representamos a mesma linha política. O mesmo acontece com a Direcçom Nacional no seu conjunto, que nom muda demasiado com respeito à anterior. A nossa organizaçom goza dum admirável grau de coesom interna que lhe permite encetar projectos a longo praço e isto tem o seu reflexo nos e nas suas representantes. Eu, pessoalmente, gosto de pensar que a minha assunçom da Portavozia Nacional virá também acompanhada da definitiva incorporaçom aos postos de direcçom dumha geraçom de militantes que, apesar de sermos jovens, temos já alguns anos de experiência e, sobretodo, ánimo e vontade de ferro para muitos mais.