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A dignidade colectiva, um objectivo a alcançar também no desporto

Segunda-feira, 4 Janeiro 2010Um Comentário

Ramiro Vidal Alvarinho

No passado 26 de Dezembro, tivo lugar umha nova jornada de reivindicaçom de oficialide para as nossas selecçons nacionais. Todo apontava para que neste ano, como conseqüência da mudança de governo na Junta da Galiza, a imagem de desportistas a competir em pé de igualdade com selecçons estrangeiras oficiais ficara para a lembrança. Assim foi, mas o Partido Popular, inimigo declarado de qualquer política de galeguizaçom do desporto, nom conseguiu apagar a voz de toda a massa social que reclama o direito a competir d@s desportistas galeg@s, e o direito da sociedade galega a se sentir representada por equipas próprias em competiçons oficiais de toda índole.

Ao Partido Popular nada lhe foi mais fácil que recrutar a cumplicidade de clubes e cúpulas federativas: é questom de caixa, enquanto o indispensável lubricante do vil metal ficar garantido, os mecanismos coercitivos e repressivos funcionarám à perfeiçom, pois nom é preciso dizer tem que a batalha ideológica está ganha num ámbito onde a oligarquia galego-espanhola dispom da maioria dos peons. Essa é a triste carta que jogou o Partido Popular na jornada do 26 de Dezembro: a da repressom pura e dura. Um alarde de prepotência, que nom por acaso rima com impotência.

Pensava  o senhor Feijó que abondava na Galiza com nom organizar o jogo da selecçom galega de futebol, para que esta ficasse sumida na antessala do esquecimento. “Nom vamos fazer política com o desporto”  foi a gloriosa frase de Feijó. Já conhecemos os delírios de grandiloqüência deste medíocre personagem. Naturalmente, nom impressiona polo seu verbo. O que impressiona é que de verdade o Presidente da Junta acredite na eficácia dialéctica de um argumento que nom acreditam nem os acólitos das suas teses. “Em tempos de crise, temos que dar exemplo”, diziam na Federaçom Galega (outro grandioso argumento, que é óbvio que ninguém acredita).

Aconteceu que Siareir@s Galeg@s nom renunciárom a que o futebol galego tivesse oportunidade de se visibilizar como tal, e optárom pola via da autoorganizaçom. A única possível na prática, neste momento político. Convocárom a sua manifestaçom anual pola oficialidade, e a seguir organizárom o jogo da selecçom galega. Para isto contárom com a colaboraçom voluntariosa e entusiasta de Fernando Vasques e Pilar Neira, quem até há pouco exercêrom de seleccionador masculino e feminina respectivamente. O campo de futebol de Santa Isabel ateigou-se para ver jogadores e jogadoras de categorias modestas e de base a defenderem as nossas cores, já agora, na mesma selecçom, um facto histórico que gosto particularmente que se desse… bonito que a selecçom galega passe à história por se enfrentar a um combinado de jogadores latino-americanos com umha equipa mista; nom deve haver muitos precedentes documentados na história do futebol mundial, se é que houver algum. Para os detractores da iniciativa, este pormenor certifica a nula seriedade do evento. A mim parece-me umha virtude, umha aposta no protagonismo da mulher que fai justiça a umha circunstáncia que se fai palpável em qualquer campo de futebol em qualquer competiçom oficial ou nom; a massiva presença de mulheres entre o público, cousa também muito visível neste jogo em concreto, além de que o próprio carácter reivindicativo do evento exigia a participaçom feminina. Escuitar o discurso da Verónica Boquete a falar de “acabar com a supremacia masculina” foi realmente emotivo; escuitar a jogadoras e jogadores na reportagem de gzvideos.tv a falar do absurdo da negaçom do direito a competir, singelamente bota por terra o mito de que @s desportistas vivem à margem deste tipo de reivindicaçons… com efeito, elas e eles sentem o agravo muito mais do que poderia parecer.

Como já  mencionei, o PP e a cúpula do futebol galego jogárom a triste carta da repressom. Para além de nom emprestar nengum apoio económico nem logístico, figérom todo o possível porque os clubes nom permitissem que as e os jogadores participassem na jornada. Ainda assim, muitos e muitas futebolistas aderírom à convocatória. E o jogo realizou-se, com toda a dignidade, e com o calor de um público eufórico, emocionado, entregado. Ali nom estava Feijó, nem o Presidente da Federaçom Galega; nom era necessária a presença de nengum dos dous, nem tal como corrêrom os acontecimentos havia de ser grata. A estultícia de políticos reaccionários e tecnocratas medíocres (e corruptos) ficou superada pola dignidade e criatividade de um corpo social cultural e ideologicamente superior, que decidiu avançar umha etapa e nom procurar o auspício do poder para exercer o que é um direito e nom um capricho. De nada serviu o pobre e patético intento por parte do delegado do Governo espanhol na Galiza de criminalizar a inciativa d@s Siareir@s, humilhando e provocando os assistentes com umha impressionante ocupaçom policial das proximidades do campo. Era o derradeiro e desesperado intento de impossibilitar a festa, que também fracassou.

Por cima das artimanhas políticas e burocráticas, ficou o heroismo de um colectivo de futebolistas que jogárom com tensom e alegria para defender as suas cores. O seu amor ao futebol é o que ganhou perante a curteza mental de quem pensa que pode neutralizar os sonhos e aspiraçons de um povo com simples autoritarismo néscio. Também umha recordaçom para a generosidade internacionalista (o internacionalismo é a ternura dos povos, dizia o Ché) dos jogadores da equipa rival; paraguaios, argentinos, uruguaios… que entendem esta reivindicaçom e que se quigérom somar desinteressadamente à festa.

Que haja mais iniciativas assim, e que as desfrutemos com a alegria e o ardor de quem sem censuras e sem complexos se sabe reivindicando o justo; aos notáveis da política autonómica, à cúpula empresarial, à dirigência federativa, haverá que comunicar-lhes que a sua presença nom se acha em falta, que de facto a sua ausência e umha vitória para nós.