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Alberte Moço, novo porta-voz Nacional de NÓS-UP: “É às fábricas, aos centros de ensino, às associaçons de vizinhos que devemos levar o discurso nacional e social”

Segunda-feira, 21 Dezembro 2009

O site informativo galego Vieiros publica hoje umha interessante entrevista com o novo porta-voz de NÓS-Unidade Popular, Alberte Moço Quintela, que apesar da sua juventude (tem 27 anos), tem já umha longa trajectória militante de mais de umha década no seio da esquerda independentista galega, além de fazer parte da Direcçom Nacional de NÓS-UP há quatro anos. Achamos pertinente reproduzir a entrevista, ortograficamente adaptada ao padrom reintegracionista, consoante a prática escrita do nosso portal.

Vieiros, 21, de Deezembro de 2009

Alberte Moço, novo Porta-Voz Nacional de NÓS-Unidade Popular

Viguês de 27 anos, mas com quatro já de experiência na direcçom, é o relevo no cargo de Maurício Castro.

Nos passado dias 12 e 13 de Dezembro, NÓS-UP organizou sua quinta Assembleia Nacional, da qual saiu umha Direcçom renovada. Alberte Moço (Vigo, 1982), em relevo de Maurício Castro, é o seu novo porta-voz Nacional.

Vieiros: Mudança de líder, mudança de linha política e de estratégia para os próximos dois anos?

Alberte Moço: Nem muito menos. O companheiro Maurício Castro deixou a Portavozia na Assembleia Nacional, que vinha ocupando desde há quatro anos, tempo em que vem sendo companheiro na direcçom e continuará a ser por muito mais. A linha política dele e a minha som plenamente coincidentes. Portanto, há umha renovaçom na pessoa que ocupa o cargo, mas o projecto da Unidade Popular continua a ser o mesmo. Os objectivos nom figemos mais que adaptá-los aos novos reptos e desafios políticos que temos por diante, mas continuamos a representar o mesmo projecto político.

Em que consiste essa adaptaçom?

Há umha mudança na realidade do País, em parte marcada a nível mundial pola crise do capitalismo. Mas também a nível interno, a situaçom política tem mudado desde a chegada ao Governo do PP. Os desafios para a Unidade Popular mudam de certa forma, e para isso temos que adequar o discurso político. Porque hoje as necessidades do nosso povoo trabalhador estám agravadas por este contexto.

E quais as propostas de NÓS-UP a respeito destas duas questons?

Há algo que nom mudou. NÓS-UP, como parte da esquerda independentista, continua a confiar no mesmo sujeito político para a mudança, que é o povo trabalhador galego. As suas som as nossas únicas preocupaçons, porque tanto a crise económica como o novo palco político condicionan a vida das trabalhadoras e dos trabalhadores. Nós damos resposta a isto com os objectivos que sempre vimos defendendo: independência, socialismo, abolición do patriarcado… mas sabendo que os inimigos que temos que enfrentar hoje adoptam formas diferentes de aquelas que tinham nos fins do século passado ou recém iniciado este.

Porque NÓS-UP considera que o povo trabalhador galego vai viver melhor numha Galiza independente que numha Galiza que me faga parte do Estado espanhol?

Nós nom concebemos um projecto de soberania nacional que nom seja liderado polo povo trabalhador e que portanto nom implique também umha aboliçom do modo de produçom capitalista, umha superaçom da exploraçom das trabalhadoras e dos trabalhadores. Essas duas ‘ideias força’ contemplamo-las intimamente relacionadas, como unidade indisolúvel.

É evidente que a dependência nacional da Galiza está a supor para nosso país ocupar os últimos lugares em índices socioeconómicos da UE, o que é bem mais claro no caso do Estado. Estamos numha situaçom em nada comparável ao que podemos considerar os centros do capitalismo espanhol. As nossas taxas de desemprego som superiores, a nossa renda per capita é inferior, umha situaçom que é em parte conseqüência do papel a que o capitalismo espanhol ou o Estado espanhol nos tenhem relegado. Abolindo essa relaçom de opressom nacional, aboliríamos todos esses obstáculos que existem para que o nosso país poda desenvolver-se como tal, em condiçons de igualdade com o resto de naçons, sem se ver submetido aos planos desenhados em Madrid e em Bruxelas, que nada tenhem que ver com os interesses do nosso povo.

Ao respeito, que avaliaçom fam na vossa organizaçom dos processos independentistas noutros países europeus, concretamente na Catalunha e na Escócia?

Nom há umha avaliaçom orgánica como tal. Na minha opiniom pessoal, é evidente que as consultas da Catalunha há que considerá-las -sem entrar em pormenores- como um autêntico sucesso do movimento soberanista dessa naçom. Nós sentimos um grande respeito pelo soberanismo catalom, com o qual mantemos relaçons de amizade, e damos por válidas as valorizaçons que eles fazem. Mas é evidente que é bom sinal que um povo irmao, muito próximo de nós, conseguisse levar à rua um grande número de pessoas, que apostam em viver e tomar decisons por elas próprias de um ponto de vista nacional, tendo em frente toda umha maquinaria estatal que é a mesma à qual nós nos enfrentamos. Ora bem, a realidade nacional catalá nom tem muito que ver com a galega. Seria ilusório pensarmos que na Galiza de hoje seria possível realizar umha iniciativa popular dessas características.

O mesmo podemos aplicar ao caso da Escócia, que ainda é mais claro noutro aspecto: como o capitalismo em determinadas ocasions nom tem nengum problema em reconhecer o direito de autodeterminaçom para naçons sem Estado que assim o querem pola sua realidade económica; que dentro dos limites bastante estreitos da democracia burguesa que hoje vivemos na Europa é possível exercer os direitos de autodeterminaçom, o qual coincide com nossa aposta para o povo galego. Talvez o caso escocês poda fornecer-nos mais experiência.

Voltando a nosso país, como avaliam estes primeiros meses do novo Governo?

Em primeiro lugar tenho que fazer questom de aquilo que a Unidade Popular estivo a dizer em quatro anos de Governo bipartito. Nós desde o primeiro momento alertamos, e assim o constatamos durante toda a legislatura, que nas questons fundamentais, económicas e sociais, figérom umha política continuísta em relaçom ao ‘fraguismo’.

A chegada de novo do PP ao Governo autonómico é evidente que supujo algumhas mudanças, mas consideramos que os grandes processos e questons chave continuam a ser aplicadas igual desde há bastantees décadas. A estratégia da economia de mercado, do lucro empresarial, da uniformizaçom cultural, da negaçom dos direitos nacionais e da capacidade de decisom para o nosso povo tem-se mantido quase intacta, a nom ser em questons que poderíamos definir como ‘cosméticas’.

É verdade que houvo mudanças significativos, sem atingir esse núcleo duro. O caso da política linguística é o melhor dos exemplos: em poucos meses botárom-se por terra todas as pequenas conquistas -que fôrom pequenas, há que o reconhecer- que se tinham feito durante anos, inclusive algumhas das implantadas durante o ‘fraguismo’. E o discurso do espanholismo mais rançoso e mais ultra está a coalhar entre sectores importantes da nossa classe política com um descaramento que seria impossível há uns anos.

O PP assumiu o Governo encorajado, disposto a liderar umha ‘cruzada’ contra o projecto nacional galego. Se bem levou tantos paus que a sua estratégia se apresenta como moderada e comedida, sabemos do que realmente som capazes. Quando tenhem força e calcam o acelerador ponhem em sério risco todas as conquistas acumuladas polo povoo galego. Hoje, mais do que nunca, é imprescindível levar o povo à rua em defesa dos nossos direitos nacionais, do nosso ambiente, do nosso litoral, dos nossos postos de trabalho. Se Nom o tínhamos claro dantes, já o temos agora: com o Governo do PP na Junta qualquer passo em falso pode ser perigoso e trazer conseqüências em longo prazo.

Divisom dentro da esquerda independentista

O certo é que nas últimas eleiçons autonómicas os resultados eleitorais das formaçons da esquerda independentista, em general, e de NÓS-UP, em concreto, Nom fôrom tam positivos como alguns estavam à espera. A análise suponho que também tem ser de autocrítica, nom é?

A análise tem que partir da capacidade que o independentismo tem em seu conjunto para se fazer ver socialmente. Desde a primeira vez que nos apresentamos a umhas eleiçons, os resultados que temos obtidos som acordes com o que realmente representamos. Nom temos motivos para os inchar ou para os achacar a causas fora de nosso controlo. Esses resultados som um reflexo de aquilo que somos.

A circunstáncia anómala, e em muitas ocasions bochornosa, de que a esquerda independentista -ou melhor dito, soberanista- tenha concorrido dividida é umha circunstáncia que resta capacidade de mobilizaçom. A nossa aposta é nesse sentido, como sempre foi, é unitarista. Lá onde se pudesse propugemo-lo. Nom foi possível. Mas nom por isso vamos deixar de o tentar. Nas próximas eleiçons municipais volta a ser a nossa aposta. O conjunto do soberanismo deveria dotar de umha ferramenta eleitoral capaz de aglutinar sectores, de gerar perspectivas e evitar que voltemos ao palco em que a cada organizaçom se apresenta só com as suas próprias forças, levando a sua gente a votar porque nom é capaz de gerar um clima favorável para que se mobilize o resto do eleitorado. Hoje a situaçom do soberanismo como movimento, como conjunto, é mais rica, mais plural, mais aberta do que era há em uns anos, e confiamos que isso seja um pequeno passo.

Quais os motivos reais que impedem essa uniom entre as diferentes formaçons independentistas? Som mais as cousas que as separam que as que as unem?

Duvido-o muito. Qualquer observador internacional chegaria à conclusom de que é umha situaçom realmente absurda. Os motivos som muitos, muito diversos. Conhecemo-los, mas nom temos umha receita mágica porque se nom já o teríamos solucionado. Tem-se falado em muitas ocasions da questom da normativa ortográfica, ou de que a unidade entre a questom nacional e a questom social tem situado barreiras. Eu considero que, fazendo um exercício de maturidade, hoje em dia qualquer organizaçom deveria ser capaz de solventar esses problemas, de os deixar de parte ou resolver no futuro quando for necessário. De facto, a própria prática política assim o demonstra. Coincidimos em multidom de iniciativas, de plataformas, de movimentos de todo o tipo, salvando todos estes problemas ideológicos que podam existir de fundo, e isso nom impede em nengum caso que essas iniciativas se desenvolvam.

No panorama da esquerda independentista som muitos factores, muitos agentes diferentes, já nom é quiçá tam simples como o binómio FPG – NÓS-UP. Há muitos outros colectivos que estám a ter muita actividade muito importante neste campo. Colectivos que influem, tenhem relaçons. Continua sem ter unidade, ou polo menos esse referente eleitoral, mas o campo independentista é mais rico. Está a ganhar em matizes. Cada peça por separado está a crescer, a desenvolver-se e madurecer. Em ausência de umha ferramenta unitária, consideramos positivo que madureçam por separado e quando o conjunto de umha massa social o exija, esse será o ponto de partida para que por fim podamos ter essa ferramenta unitária e esquecer todas as diferenças artificiais ou passageiras. Achamos que esse é mesmo o problema. Se o independentismo passa de ser residual a minoritário, aí é quando terá problemas para que essas poucas pessoas se ponham de acordo. Nós sempre figemos umha aposta clara porque houvesse um movimento de libertaçom nacional único, diverso e aglutinador. Mas também nom vamos fazer dessa questom um fetiche que nos impida avançar. O nosso próprio desenvolvimento também contribui para esse palco que todos desejamos.

De fora percebe-se que a acçom da esquerda independentista está quase exclusivamente reduzida ao ámbito de Compostela e, em menor medida, ao de Vigo e ao da Corunha. Nom há intençom de actuar politicamente no resto das comarcas do País?

Nós consideramos que o problema nesse sentido nom é tanto umha questom territorial, que em certa medida já fomos salvando com o passar do tempo. Ainda que poda dar outra impressom, hoje nom é o nosso caso. Já nom é Compostela o centro em torno do qual gravita toda a actividade política, pois que conseguimos desenvolver um modelo de actividade comarcal, autocentrado, com núcleos mais pequenos ou maiores repartidos por todo o território.

Mas o problema é outro, que vai no mesmo sentido e que está muito relacionado: a questom da penetraçom no seio dos movimentos sociais e da classe operária. O grande problema das diversas formaçons da esquerda independentista é restringir-se a sua pequena parcela de actividade político-ideológica, de palavra de ordem, de manifestaçom, do cartaz, e esquecer que onde realmente se estám a dar as batalhas hoje em dia, onde realmente se estám a construir alternativas a este modelo de sociedade é nas fábricas, nos centros de ensino, nas associaçons vicinais. É exactamente esse o caminho que temos decidido já desde antes desta última Assembleia Nacional: nutrir de umha vez por todas da gente do trabalho, do estudantado, fugindo de ideologismos. Se realmente quigermos construir um projecto nacional de futuro -é umha responsabilidade que temos adquirida com o povo- é aí que temos que encontrar nosso caminho, onde temos que criar umha massa crítica favorável a determinadas questons no ámbito dos direitos nacionais e sociais e, em definitivo, onde temos que centrar os nossos esforços. Nisso trabalhamos desde há tempo, em conseguir que seja dos movimentos populares de carácter mais amplo e abrangente de onde saiam as independentistas e os independentistas do futuro.