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O Natal, essa agressom insolente

Segunda-feira, 21 Dezembro 2009

Ramiro Vidal Alvarinho

Que se dê por sentado que vivemos numha sociedade maioritariamente católica, da pé a situaçons que ainda hoje som difíceis de sequer pôr em causa. Suportamos essa contradiçom estranha e parece que inamovível entre o sentir geral verbalizado e a inércia geral encenada. Em qualquer espaço público onde puder ter lugar umha conversa informal entre dous indivíduos conhecidos ou nom entre si, há umha alta probabilidade de que o tema a tratar seja o enorme consumismo ao qual nos obrigamos nestas datas, a grande pressom social, mediática, empresarial a que nos submetem para assim agirmos e o absurdo de que estejamos a falar de crise quando mais um ano as grandes superfícies comerciais estám ateigadas e as quantias no que di respeito a despesas nos produtos de comum consumo no Natal (roupa, brinquedos, comida…) continuam a ser desorbitadas. Lógico que a conjuntura sócio-económica condicione em sentido negativo, mas em linhas gerais a tendência segue a ser o caminharmos por esse rego que nos traçam e do que é mais fácil desmarcarmo-nos de palabra, que polos factos.

Eu nom conheço, por outro lado, quase ninguém que nom se me tenha queixado da magnífica hipocrisia que encerra o “espírito natalício” que preside os actos sociais desta época do ano, desde ceias de empresa até as reunions familiares. Mas dessa maioria que protesta, poucos som os que fogem e eu próprio confesso que estou na aranheira, dando às vezes espernejadas que som em geral inúteis.

Por se fosse pouco, as instituiçons do Estado espanhol instrumentalizam o Natal para fazerem propaganda do regime e do seu projecto nacional. As cámaras municipais  instalam, na sua maioria, infames fios musicais polas ruas do centro dos seus núcleos urbanos com panxolinhas castelhanas ou andaluzas (nom interessa se estamos em Huelva em Vigo) que mais do que dar esse ambiente de calidez e fraternidade que nos dim que se pretende, o que evoca é cenários do sinistro nacional-catolicismo (de facto som as panxolinhas popularizadas pola cultura de massas dos anos cinqüenta) e, ao mesmo tempo, é a trilha sonora do brutal bombardeamento que nos impele ao consumo maciço e desenfreado. O pequeno e mediano comerciante, membro incondicional da base social dessa direita que enche a boca com a palavra austeridade (a palavra mágica contra a crise) para estas questons nom aplica esse conto e exige da Cámara Municipal um investimento generoso em decoraçom e ambientaçom natalícia, com resultados quanto mais espectaculares melhor. Quando do Natal se trata, à populaçom já nom se lhe fala dos benefícios da poupança.

Os media, sem excepçom e com disciplina militar, vam fazer-se eco da mensagem do Bourbon. Todas as televisons e rádios do Estado, públicas ou privadas, vam-no retransmitir em directo e todos os jornais o comentarám ao dia seguinte. De facto, a excepçom da ETB já nom será tal: o novo governo autonómico vascongado encarregou-se de que este ano esse canal também retransmita o discurso régio.

Curiosa (e também impúdica) agressom esta do Natal oficial, um pretexto afinal para a imposiçom ideológica, religiosa, cultural, económica… operada sobre o lugar comum de que há umha maioria social que a deseja, ao mesmo tempo que escuita um os que supom membros dessa maioria social criticar este nonsense tanto em geral como no que lhes di respeito.

Quando na teoria existe o direito individual a dissentir da corrente que nos leva a quase tod@s e esse direito nom se exerce, quando há um desfasamento tam manifesto entre o que quando menos umha parte significativa da sociedade sente e pensa e o que fai, entom é que essa liberdade tem sérias dificuldades para ser levada à prática. Quiçá haja que começar a pensar em como fazer frente de maneira colectiva a esta agressom instituída sobre mentiras ou verdades a meio caminho, que, a base de muito repetidas parece impossível pôr em causa. Algumha cousa haverá que fazer, porque as conseqüências desta agressom deficientemente contestada nom som poucas.