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Um conto traiçoeiro intitulado Kurzarbeit

Quinta-feira, 17 Dezembro 2009

Carlos Morais

Se nom fosse umha autêntica tragédia para o conjunto da classe trabalhadora seria cómica e surrealista a posiçom favorável dos sindicatos amarelos espanhóis e a morna oposiçom do sindicalismo galego.

A nova reforma laboral que está a preparar o patronato em conivência com as burocracias corruptas de CC.OO e UGT, com a bençom do governo de Zapatero, pretende dar mais um passo no desarmamento e agressom planificada que a burguesia leva implementando contra o mundo do Trabalho desde os Pactos da Moncloa.

Como naquela altura, e perante a lógica resistência dos sectores mais conscientes da classe trabalhadora, frente a umhas novas medidas tendentes a desregularizar ainda mais o mercado laboral aprofundando na flexibilizaçom e eventualidade dos contratos, no abaratecimento dos despedimentos, a tríada do terror leva meses a teatralizar a aplicaçom de umha decisom já adoptada. Pretendem evitar dissensons, luitas, neutralizar as vozes coerentemente críticas, procurando impor o consenso da derrota. Ao seu serviço, contam com a poderosa maquinaria ideológica dos seus meios de desinformaçom e com a normalidade democrática que o regime impom empregando dialecticamente a manipulaçom, a cooptaçom e a repressom.

A CEOE, encabeçada por esse gorila da economia de mercado chamado Gerardo Díaz Ferrán, —cujas empresas estám à beira da falência, mantendo os seus trabalhadores e trabalhadoras com salários em atraso e em condiçons laborais draconianas— iniciou o primeiro capítulo quebrando na Primavera a farsa denominada “diálogo social” com os aparelhos sindicais espanhóis pola sua negativa a negociar o incremento médio dos convénios colectivos.

A incidência da crepuscular crise capitalista no Estado espanhol adopta umha gravidade maior do que nos países da sua área geográfica pola inconsistência e fragilidade da sua economia produtiva e polo descontrolo atingido pola bolha imobiliária e a economia especulativa. A burguesia primeiro pressionou para que o governo intervinhesse nos sectores em crise, injectando capital público, posteriormente para facilitar o reordenamento do sector financeiro; mas, perante a preocupaçom por perder as obscenas taxas de lucro atingidas na última década, as vozes favoráveis para pôr em andamento umha nova reforma laboral fôrom in crescendo ao longo do Outono.

Tanto Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE), como Miguel Ángel Fernández Ordoñez, Governador do Banco de Espanha, deixárom bem claro a Zapatero que é inevitável reformar o mercado laboral. Imediatamente, numhas jornadas organizadas por The Economist, a ministra de Economia Elena Salgado deu luz verde a umha “sedutora” ideia consistente na reduçom da jornada laboral e dos salários em troca de evitar mais despedimentos.

As naturais dúvidas do PSOE –Zapatero continua a defender a quadratura do círculo propondo umha reforma que nom perjudique a classe trabaladora– sobre a sua oportunidade nom emanan da sua carência de escrúpulos para governar ao serviço da burguesia, estám antes vinculadas à adversa realidade conjuntural que certifica a progressiva queda eleitoral prognosticada polos inquéritos perante o simultáneo incremento do PP.

O desemprego nom cessa de aumentar, as dificuldades por fazer frente ao endividamento gerado por um nível de vida virtual de umha economia baseada nas hipotecas e no consumo descomedido que integrou na perversa lógica sistémica amplas fracçons operárias e populares, provocam ansiedade, quando nom pánico, restringindo ao mínimo o consumo.

A estratégia promovida polos aparelhos do Estado de vincular ao partido de Rajói na corrupçom generalizada inerente ao modo de produçom capitalista nom deu os resultados que se buscavam na hora de aliviar o desprestígio governamental pola sua incapacidade de solventar a crise. O PP continua a ultrapassar em intençom de voto o PSOE por muitos casos de corrupçom que descubram Rubalcaba e Garzón.

Diante da dureza da organizaçom patronal e a incapacidade sindical para manter um confronto polo seu desinteresse e definitiva renúncia a apostar na mobilizaçom e luita operária, Cándido Méndez e Inácio Fernández Toxo descobrírom o engano de aplicar o modelo alemám ao mercado laboral do reino de Espanha: reduzir a jornada laboral e os salários das trabalhadoras e trabalhadores nas empresas, que seriam “compensadas” polo Estado mediante a prestaçom de desemprego e pagando parte das quotizaçons sociais. Eis a a nova fórmula que estám a piques de pactuar: as empresas conseguem que o Estado pague umha parte dos salários e da segurança social de trabalhadoras e trabalhadores numha espécie de despedimento encoberto acompanhado pola perda de direitos. Embora os salários aparentemente se mantenham, vai quotizar-se menos à segurança social, o que fará com que, quando a empresa optar pola aplicaçom de um ERE, tenha que pagar menos por indemnizaçom. Um óptimo negócio para os amigos do “querido Gerardo”, apelativo que Pepe Blanco agora emprega para designar o chefe desse sindicato do crime chamado CEOE. E se a todo isto acrescentarmos um ilegível nome teutom denominado kurzarbeit, cujo significado é trabalho encurtado, facilitamos assim que a classe obreira continue a pagar a crise.

Mas o grave nom é unicamente que as desprestigiadas UGT e CCOO optem por pactuar esta nova reforma laboral pois levam trinta anos implicadas nesta dinámica de traiçom ao proletariado. O verdadeiramente preocupante é a atitude do nosso sindicalismo nacional. A direcçom da CIG semelha mais preocupada com suprimir as correntes anticapitalistas do seu seio do que de fazer frente ao patronato. Instalada na autosatisfaçom e apoiando as batalhas da política institucional do regionalismo, carece de vontade e decisom para informar a classe obreira galega das características e dimensom desta nova agressom, como primeiro passo face a imprescindível activaçom, mobilizaçom e luita que cristalizasse na cada vez mais necessária greve geral.

Galiza, 16 de Dezembro de 2009