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Chechénia: aniversário esquecido

Quinta-feira, 10 Dezembro 2009

Carlos Taibo

Enquanto a primeira é a versom oficial russa, a segunda versom vê-se abraçada por umha resistência que continua a controlar zonas da parte mais meridional e mais montanhosa do país.

Neste Outono carregado de celebraçons, há umha que tem passado inadvertida: a do décimo aniversário do início da segunda guerra russo-chechena pós-soviética. Semelhante deslize bem pode atribuir-se à condiçom de fundo de um conflito, o da Chechénia, que os olhos de muitos é um exemplo de livro de umha categoria, a dos conflitos esquecidos, que gera, isso sim, a ilusom óptica de que há outros que nom esquecemos.

Quando chega o momento de assumir um balanço do ocorrido nos últimos anos em Chechénia, antes de mais impom-se é resenhar que as partes enfrentadas discordam na hora de determinarem se a guerra acabou ou, ao contrário, prossegue. Enquanto a primeira é a versom oficial russa, a segunda versom vê-se abraçada por umha resistência que continua a controlar zonas da parte mais meridional e mais montanhosa do país. Como quer que seja, ninguém duvida que a posiçom militar russa é hoje bem mais cómoda do que a que se registou ao abrigo da guerra livrada entre 1994 e 1996. O Exército russo tem operado, para além do mais, na mais absoluta impunidade. Tenha-se presente que na Chechénia nom há observadores internacionais nem jornalistas que podam realizar o seu trabalho. Tampouco há, já agora, juízes nem promotores que se encarreguem de garantir que qualquer cousa que cheirar a Estado de Direito se abra caminho. As seqüelas de todo o anterior som facilmente perceptíveis em forma de mortes, desaparecimentos, torturas, detençons e extorsons, num palco em que as chancelarias ocidentais preferem olhar para outro lado.

Desde há um tempo, e noutro terreno, o Kremlin tenta levar adiante um programa de suposta normalizaçom na Chechénia, em essência orientado a perfilar um Governo local manifestamente pró-russo. Ainda que as injecçons financeiras e as operaçons de imagem acometidas tenham permitido sustentar melhor ou pior esse governo, o verdadeiro é que as suas credenciais democráticas som nulas e permanecem vivas todas as dúvidas no que di respeito ao gabado apoio popular de que, segundo Moscovo, desfrutaria.

Deixando de parte o anterior, os dirigentes russos recusam palpavelmente qualquer sorte de negociaçom política com a guerrilha secessionista. Nom deixa de ser chamativo que nos dez últimos anos as autoridades de Moscovo tenham posto mais empenho em acabar com os sectores mais moderados da resistência local –os que no seu momento se vírom representados polo assassinado presidente Masjádov– que em fazer o próprio com os segmentos mais radicais e violentos daquela. Em qualquer caso, a teimosa negativa do Kremlin a abrir o caminho a alguma fórmula de negociaçom política para a Chechénia tem um fundamento principal: o conflito que hoje nos interessa véu que nem umha luva a Vladímir Putin para consolidar o seu poder e assentar em paralelo autoritárias formas de controlo e governo na Rússia.

Há quem alegue, carregado de respeitável razom, que a resistência chechena nom é configurada por anjinhos. É verdade. Nom convém, no entanto, utilizar tal argumento de mais, nom vaia desembocar numha conclusom nada feliz: a de que a Rússia, generosamente, tem levado a paz e a prosperidade a um povo, o checheno, ao qual –agregamos nós– estaria bem se permitisse que se pronunciasse, por fim, sobre o seu futuro.