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A ecologia como eixo vertebrador dos novos movimentos sociais alternativos ou alteractivos

Quarta-feira, 9 Dezembro 20092 Comentários

Domingos Antom Garcia Fernandes

Há poucos dias pronunciei umha conferência em Redondela, convidado pola Associaçom Além Nós, a respeito do sujeito “Vizinhos com voz: arquitectar aldeias, arquitectar cidades, compor democracia”. E, depois dumha pequena alusom à estrutura socioeconómica do devandito Concelho e, assim mesmo, do seu tecido associativo, passei à análise da Ágora na Grécia clássica como um lugar para a cidadania (fico desde já comprometido a um artigo sobre essa temática). E de seguido umha breve consideraçom do movimento vicinal como movimento de movimentos levou-me a desembocar no assunto que dá pé ao encabeçado. E ainda houvo algum tempo para me referir à cultura populista e cultura popular (mas nom há muito tempo que me ocupei dela noutro artigo em rede). Portanto vou-me cingir ao título e, de cara a nom alongar em excesso, limitar-me-ei a enunciar, mostrar, sem demonstrar.

Assistimos a umha crise dum modelo de civilizaçom, que vem de se basear numha ilimitada dilataçom e acumulaçom de capital, em mercantilizar todo, numha desapiedada exploraçom do trabalho e da natureza, num individualismo e numha competitividade brutais e na destruiçom maciça do meio ambiente.

E como alternativa estaria o eco-socialismo, que assume argumentos fulcrais do movimento ecologista e da crítica marxista da economia política, cujos objectivos seriam a racionalidade ecológica, o controlo democrático, a equidade social e o predomínio do valor de uso por cima do valor de troca. Requeria-se entom umha propriedade colectiva dos meios de produçom, umha planificaçom democrática, na qual fosse a sociedade que decidisse metas de investimento e de produçom, e umha nova estruturaçom das forças produtivas. Em vista disso, umha revoluçom económica e social.

E nom seriam alternativas à crise o keynesianismo, nem tampouco um capitalismo de estado de carácter produtivista (um novo estalinismo nom teria cabimento). Os trabalhadores, como dizia Marx ao fazer análise da Comuna de Paris, nom podem tomar posse do Estado capitalista e ver de o pôr ao seu serviço. Há que o demolir e substituir por umha forma de poder político radicalmente distinta, democrática e nom estatal.

Também será necessário cancelar certos ramos da produçom. A modo de exemplo: a fabricaçom de armas, as centrais nucleares, alguns métodos maciços/industriais de pesca, o abate destrutivo das selvas tropicais, et cetera.

É mister, já se indicou, transformar as forças produtivas e nom somente as relaçons de produçom. Assim o sistema energético: trocar os actuais recursos, em essência fósseis, que empeçonham o ambiente, por outros renováveis como a água, o sol e o vento.

E as opçons políticas e sociais, como diria Karl Polanyi, teriam de primar por cima das económicas. A economia estaria subordinada à política e nom o contrário.

Teria de se produzir um incremento muito significativo do tempo livre como condiçom indispensável de cara à participaçom democrática do povo trabalhador no debate para a gerência da economia e da sociedade.

Seriam os valores de uso e umha radical reestruturaçom das necessidades os reguladores sociais da tecnologia.

O planeamento nom está preiteado com a autogestom polos trabalhadores das suas unidades de produçom. E a natureza democrática do mesmo nom está rifada com a existência de peritos, apesar de que o seu papel nom seja decidir.

Tratar-se-á dum modo de viver alternativo, umha nova civilizaçom, além do reino do dinheiro, além dos hábitos consumistas criados com artifício, além da produçom ilimitada de mercadorias desnecessárias e/ou danosas para o meio ambiente.

Haveria que dizer nom ao desenvolvimentismo, como também ao decrescimento, e sim a umha mudança qualitativa do desenvolvimento.

Satisfar-se-iam os bens autentes: agua, comida, roupa, lar (os que alguns gostam de chamar valores bíblicos)… E assim mesmo serviços básicos como saúde, educaçom, transporte, cultura.

Com certeza que os países do Sul necessitam dum nível de desenvolvimento profundamente distinto dos do Norte.

Seria mister pensar a sério numha agricultura camponesa biológica.

O transporte público iria caminho de suplantar os carros e outros meios privados poluentes.

Favorecer-se-ia a mutaçom do ter polo ser (em palavras de Marx ou de Erich Fromm).

Aumentaria de forma substanciosa o tempo de lazer e caminhar-se-ia para umha sociedade sem classes, o que nom quer dizer sem contradiçons (já som horas de abandonar umha leitura cristá do marxismo, que nos recorda o paraíso perdido e o paraíso recuperado. Marx nom defendia umha filosofia da história, nem umha teleologia, nem mundos idílicos, nem quietudes sociais).

E enquanto isso nom chegar, cumpre colocar os freios de emergência, mas de olho aberto para que o reformismo nom venha a tragar umha revoluçom que nom se pode obviar.

Assim pois, nom cabe emendar o sistema, há que o substituir.