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Contra-ofensiva imperialista e resposta dos povos da nossa América

Domingo, 6 Dezembro 2009

Narciso Isa Conde

América Latina e as Caraíbas som cenários de umha “primavera democrática” a partir da vaga transformadora que desde finais do século XX  -e no que vai do século XXI- tem percorrido o Sul e o centro do continente.

A dialéctica reformas-contrarreformas e revoluçom-contrarrevoluçom estám presentes em nom poucos países da área submetidos à impronta capitalista-neoliberal hoje em franca decadência.

Os processos de mudanças tenhem diferentes profundidades e alcance. Um evidencia vocaçom revolucionária e outros vem-se freados polo peso reformista no interior dos mesmos.

Reformas face a mudança revolucionária e reformas funcionais na ordem dominante coabitam nesses processos, que como um todo tenhem enfraquecido o domínio tradicional dos EUA, as oligarquias e as partidocracias corrompidas nesta regiom.

A resposta ao neoliberalismo par parte dos povos tem sido densa e crescente em toda a regiom, ao ponto de situar a nossa América à vanguarda da luita contra a globalizaçom do neoliberalismo.

Da resistência passou-se à ofensiva e a ofensiva produziu resultados concretos plasmados em processos tam avançados como os da Venezuela, Equador e a Bolívia e outros governos e situaçons desfavoráveis à hegemonia estado-unidense e os poderes oligárquicos; vigente ainda o tránsito revolucionário de orientaçom anticapitalista em Cuba.

Essa tendência crescente determinou a concertaçom de umha grande conjura contra esses avanços e a perspectiva da sua expansom.

A contraofensiva iniciu-se com o golpe de Estado nas Honduras.

Continuou com a instalaçom de cinco novas bases militares estado-unidenses o relançamento do Plano Colômbia.

Retomou com novo sopro a sediçom desestabilizadora contra os processos face a Revoluçom na Venezuela, Equador e a Bolívia.

Propujo-se fazer da Colômbia umha espécie de Israel da América, com plataforma de sete bases militares estado-unidenses, que junto à proximidade da IV Frota Naval, aponta face a conquista militar da Amazonia.

E está  a fraguar um outro golpe militar no Paraguai, país em condiçons parecidas com as das Honduras antes do despregamento golpista.

Neste contexto, aprofunda-se a necessidade de vertebrar mais e melhor a esquerda política, social e cultural do continente, em especial a esquerda anti-imperialista e anticapitalista. A que tem entre as suas metas nom só dar seiva popular aos governos progressistas e às iniciativas integradoras tipo ALBA, PETROAMÉRICA, PETROCARIBE…, com além disso quer potencializar o sujeito popular e continentalizar o seu agir a fim de contrarrestar a estratégia de dominaçom dos EUA.

A contraofensiva exige fortalecer a contrapartida popular-revolucionária.

O processo necessita ser pensado cada vez mais em termos continentais e nom só em funçom das políticas progressistas e integradoras dos governos que em diferentes graus se tenhem independizado dos desígnios de Washington, mas fundamentalmente em relaçom com a insubmissom dos povos e sujeitos explorados, oprimidos, excluídos ou discriminados.

A Coordenadora Continental Bolivariana tem acumulado umha importante experiência de articulaçom de diversidades revolucionárias e tem ensaiado formas de coordenaçom dos diversos capítulos nacionais que logrou conformar, incluídas as brigadas internacionalistas criadas noutros continentes, como é o caso do seu capítulo galego.

Apesar dos duros ataques recebidos, perduramos e crescemos. Além de considerar importantes mas insuficientes os graus de articulaçom e acçom já atingidos, sentimo-nos compelidos a avançar perante os desafios que coloca a nova contra-ofensiva imperial.

A coordenaçom de capítulos -com forte acento nos espaços nacionais e com insuficiências na internacionalizaçom e continentalizaçom das acçons e propostas- deve ser superada em sentido ascendente por umha dinámica mais coerente e umha estrutura mais ágil, em que conscientemente, sobre a base das coincidências nos eixos programáticos e de acçom consensualizados, as partes se subordinem mais ao todo continental e extra-continental, assumindo a forma de movimento e dando primacia às acçons transnacionais que batam mais contudentemente na estratégia e a contra-ofensiva imperialista.

Por isso é o do passo de CCB a movimento, por isso o do Congresso Constitutivo do Movimento Continental Bolivariano em Dezembro em Caracas.

Isso é o que se espera de esse congresso que já conta com mais de 700 delegados e delegadas de 25 países e mais de dous mil participantes em iniciativas conexas.

Além disso, tem programado aprofundar a análise de temas cruciais e desenhar um plano de acçom consoante o que exige esse avanço em qualidade e quantidade de um espaço definidamente revolucionário como será o MCB, o fantasma de Bolívar percorre o continente estimulado o avanço face um novo Ayacucho, esta vez chamado a derrotar a recolonizaçom neoliberal e abrir caminho à nova democracia e ao novo socialismo.

A contra-ofensiva imperialista tem encontrado obstáculos maiores nas Honduras. O suposto “elo fraco”  véu a ser um osso duro de roer.

A resistência do povo hondurenho tem sido formidável e tem possibilitado criar umha crise de governabilidade ao regime golpista e conformar um movimento político-social alternativo que nom existia.

Só o défice na acumulaçom de forças militares alternativas e a coesom das forças militares golpistas tem podido impedir a viragem.

A crise tem-se prolongado até forçar um pacto mediatizado, que singelamente poderia dar-lhe umha saída o conflito para plantejar a confrontaçom noutro nível e outros cenários.

Igual pinta qualquer fórmula golpista, pseudo-institucional ou nom, em outros países. É muito difícil que nom concite umha reacçom popular de alto nível.

No centro da onda transformadora, mais alá dos contributos mais ou menos avançados nos governos, está a impugnaçom popular aos poderes reaccionários existentes. E isso motiva a sua resistência frente a qualquier tentativa de ocultar o conquistado à custa de eles.

A contra-ofensiva imperialista tem esse grande obstáculo mas necessita mais do que umha resposta ao interior das sociedades viítimas dela e mais que iniciativas intergovernamentais da cadeia dos governos progressistas.

A continentalizaçom das luitas a partir das bases populares contra todos os componentes dessa contraofensiva é um imperativo no contexto desta situaçom.

Com o passo de CCB a MCB queremos ser mais eficazes nesse propósito.

A CCB tem sido coordenaçom de partes, de capítulos nacionais e dos componentes dentro de esses capítulos.

O Movimento procurará  que a diversidade se exprima numha torrente mais coesionada e coerenciada como já dixem, mais compacto, mais continentalmente conduzido.

No Movimento o conjunto predominará mais sobre as partes e os seus componentes provenientes da Coordenadora e/ou incorporados a raíz do próximo Congresso Constitutivo e no seu devir.

O Movimento reforçará as características político-social e político-cultural da sua composiçom e as suas definiçons.

Nele deverá predominar a democracia que emana dos consensos produzidos polos seus diversos componentes nacionais, sociais, culturais, lideratos sociais e políticos, científicos e intelectuais… sob umha direcçom central que a respeite e assuma a conduçom em termos continentais e internacionais.

O projecto Pátria Grande Libertada será ainda mais dominante.

Os partidos conhecidos som de circunscripçom nacional, expressons políticas classistas (boas e mas, revolucionárias e reaccionárias), em nom poucos casos organicamente separadas dos movimentos e organizaçons sociais e culturais. O nosso movimento será continental e mais alá, e à vez político-social e pluricultural.

Os partidos do sistema, de resto, som forças cada vez mais privatizadas, seqüestradas por partidocracias corruptas, grandes empresários e grupos mafiosos. Nada que ver terá o nosso com essa deriva, mas todo o contrário.

É um grande desafio porque vai muito além dos ensaios deste tipo dentro das fronteiras nacionais, para propor umha construçom transnacional, transcontinental.

O propósito é  ambicioso e apenas começa esta nova experiência. A vida ensinará-nos, em permanente provas derivadas dos erros e os acertos, a ajustar e corrigir rumo, a avançar persistentemente con a ideia de fazer posível o aparentemente imposível mas absolutamente necessário.

Artigo publicado em Abrente nº 54