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Entrevista com Narciso Isa Conde: “Só umha vitória total poderia eliminar o imperialismo”

Sábado, 21 Novembro 2009

Oferecemos a traduçom galega da entrevista da Agência Bolivariana de Imprensa com o histórico revolucionário da República Dominicana, participante há dous anos nas Jornadas Independentistas Galegas e integrante da direcçom da Coordenadora Continental Bolivariana (CCB).

Bases Ianques e fraquezas ideológicas podem ser contestadas com Alternativas de construcçom socialista?

ABP Caracas

Com vistas ao próximo tránsito da CCB ao Movimento, entrevistamos o revolucionário dominicano Narciso Isa Conde, membro da presidência colectiva da Coordenadora. A entrevista tivo como meta principal aprofundar no entendimento do significado do novo passo -as mudanças na prática, a organizaçom e o papel da ideologia que implicará a formaçom do Movimento Continental Bolivariano.

Pergunta. A 7, 8 e 9 de Dezembro, a CCB dará um passo cualitativo de Coordenadora a Movimento na cidade de Caracas. Tés estado vinculado com a Coordenadora desde o princípio, num projecto que se iniciou comemorando e recreando a Campanha Admirável de Bolívar. Porque esta passagem para Movimento?, porque agora?

Narciso Isa Conde. A necessidade da constituiçom do Movimento Continental Bolivariano guarda umha estreita relaçom com a experiência acumulada na CCB e com as exigências do processo continental nesta fase de contra-ofensiva imperialista. A coordenaçom de capítulos nacionais e dos componentes da cada capítulo entre si, em cada um desses palcos, tem sido importante, mas insuficiente.

Precisa-se passar para umha organizaçom continental mais coerente e coesa, onde as partes pensem e actuem em termos mais continentais e internacionais; com estruturas mais ágeis, sustentadas nos consensos prévios em torno dos principais eixos programáticos e de acçom; com maior vocaçom de delegaçom do lembrado e assumido colectivamente, com iniciativas progressivamente mais abrangentes do continente, com procedimentos e meios mais dinámicos.

A CCB resistiu investidas fortes e após elas tem seguido crescendo, ainda no meio de umha confrontaçom muito aguda a escala continental.

A estratégia revolucionária comum da diversidade política, social e cultural (revolucionária, anti-sistémica, anti-imperialista, anticapitalista e pró-socialista) sempre tem sido necessária para enfrentar a estratégia de dominaçom imperialista, oligárquica, partidocrática e mafiosa.

Daí a importáncia da recuperaçom e actualizaçom do projecto emancipador de Bolívar e os próceres de Nossa América contra o colonialismo espanhol e o naciente imperialismo estadounidense.

Vivemos e sofremos um processo de recolonizaçom neoliberal realmente bestial, que só pode ser enfrentado com sucesso em escala continental e mundial desde um novo projecto bolivariano inspirado na proposta de Pátria Grande libertada e socialismo; passando pola democracia participativa como tránsito para ele e conseguindo a derrota do neoliberalismo como modalidade decadente do capitalismo em crise.

Mas agora a passagem para um movimento que assuma esta estratégia de criaçom e ruptura é mais imperiosa do que dantes, dada a contra-ofensiva imperialista, que nesta fase pode sintetizar-se no golpe de Estado nas Honduras, na instalaçom de cinco novas bases militares estado-unidenses na Colômbia (sete ao todo), na próxima presença da IV Frota, e na reactivaçom do Plano Colômbia-Iniciativa Andina para a conquista da Amazonia e a desestabilizaçom-reversom dos processos transformadores na Venezuela, Equador e Bolívia, e mais recentemente a ameaça inesperadamente de Estado em Paraguai.

ABP CCS. A Coordenadora começa recuperando o projecto de Bolívar pola integraçom latino-americana e na contramao a intervençom imperialista há uns seis anos. Poderias fazer umha breve avaliaçom da trajectória, os sucessos e desafios?

NIC. A Coordenadora nasceu sob a impronta da audácia revolucionária, dado que realizar em 2003 a réplica da Campanha Admirável do Libertador, cruzando em marcha desafiante desde Cartagena a Caracas por todo o território colombiano controlado por um Estado narco-paramilitar-terrorista, nom foi qualquer coisa. Tratou-se de um sinal muito eloqüente de valor e firmeza.

Desde então a CCB assumiu incluir todas as rebeldias e todas as formas de luita desde umha clara orientaçom antiimperialista, desde o combate multiforme ao capitalismo neoliberal e às corrompidas classes dominante-governantes do continente.

Colocou no centro de seu accionar a palavra de ordem: “Nem um soldado ianque na nossa América!”

Assumiu sem reservas a luita pola liberdade de todos os presos políticos nos cárceres do império e nas prisons latino-caribenhas.

Despregou a solidariedade com os mapuches do Chile e com todas as luitas dos povos originarios.

Desafiou a com respeito à resistência armada e civil em Colômbia, denunciou o regime criminoso desse país e enfrentou a falacia da suposta luita antiterrorista despregada polo Estado mais terrorista do planeta: o dos EUA; incluindo a denúncia do regime de Uribe como sua principal sucursal nesta regiom.

Reforçou a solidariedade com a revoluçom cubana, com processo-lhe bolivariano da Venezuela, com os governos progressistas da regiom, com a ALVA, Petrocaribe e Petroamérica.

Realizou dous Congressos de alta representatividade e profundos conteúdos (2005 em Caracas e 2008 em Quito, Equador), abordando temas cruciais como a estratégia imperialista na regiom, os planos militares de EUA, a solidariedade, a questom ambiental, o tema de género, os problemas da juventude actual, os movimentos sociais em sua relaçom com a política revolucionária…

A CCB levou a cabo as “Expediçons Anti-imperialista de América do Sul, Porto Rico e Haiti a Quisqueya”, destacando-se a “Expediçom Bolívar-Petión”, que partiu de Caracas a Santo Domingo, todos sob o mote: Nem um soldado ianque na nossa América!”

Implantou-se em vinte países do continente e construiu brigadas internacionais na Europa e Austrália.

Promoveu em grande o exemplo de Bolívar e os próceres de nossa América, enarbolando com força o projecto de Pátria Grande e Socialismo.

Honrou, desafiando todos os estigmas e calúnias, aos comandantes Raúl Reis e Manuel Marulanda a raiz de seus sentidos falecimentos.

Resistiu as investidas repressivas no México, Peru, Equador, Chile, Colômbia e República Dominicana com umha firmeza e umha dignidade espartana.

Em boa medida, na sua trajectória, a CCB diferenciou-se de umha esquerda lamentavelmente amolecida.

ABP CCS. Que é o Bolivarianismo? Podem-se distinguir vários aspectos como a combinaçom das formas de luita, a igualdade como a lei de leis, a busca de umha sociedade capaz de satisfazer as necessidades materiais e espirituais do povo (o que Bolívar chamou “a maior soma de felicidade”), a integraçom latino-americana e o anti-imperialismo. Como se relacionam entre si, que é o principal e daí partes merecem ser ressaltadas?

NIC. É todo isso junto e bem mais.

É democracia política, económica, social, cultural.

É democracia participativa e integral.

É soma de soberania numha soberania maior, que as incorpora a todas e respeita suas identidades.

É alborada socialista, dado que Bolívar remontou o liberalismo e defendeu um projecto de emancipaçom nacional e social sumamente avançado para sua época.

É unidade de diversidades e combate continental multifacético para desterrar a recolonizaçom neoliberal inseparável do capitalismo actual.

É anti-imperialismo e, por tanto, anticapitalismo.

ABP CCS. Podes explicar a diferença entre movimento e coordenadora por um lado, e partido por outro? Também, como vês a diferença e os possíveis vínculos entre o Movimento Continental Bolivariano e a ALVA, um projecto paralelo de integraçom?

NIC. A CCB tem sido coordenaçom de partes, de capítulos nacionais e dos componentes dentro desses capítulos.

O Movimento tentará que a diversidade se expresse numha torrente mais cohesionado e coherenciado como já disse, mais compacto, mais continentalmente conduzido.

No MCB o conjunto predominará mais sobre as partes e seus componentes provenientes da Coordenadora e os incorporados a raiz do próximo Congresso Constitutivo e em seu devir.

O Movimento reforçará as características político-sociais e político-culturais de sua composiçom e suas definiçons.

Nele deverá predominar a democracia que emana dos consensos produzidos por seus diversos componentes nacionais, sociais, culturais, lideranças sociais e políticos, cientistas e intelectuais… sob umha direcçom central que a respeite e assuma a conduçom em termos continentais e internacionais.

O projecto Pátria Grande Libertada será ainda mais dominante. Os partidos conhecidos som de circunscriçom nacional, expressons políticas clasistas (boas e más, revolucionárias e reaccionárias), em nom poucos casos organicamente separadas dos movimentos e organizaçons sociais e culturais. Nosso movimento será continental e para além, e ao mesmo tempo político-social e pluricultural.

Os partidos do sistema, de resto, som forças a cada vez mas privatizadas, seqüestradas por partidocracias corruptas, grandes empresários e grupos mafiosos. Nada que ver terá o nosso com essa derivada, senom todo o contrário.

É um grande desafio porque vai bem além dos ensaios deste tipo dentro das fronteiras nacionais, colocando o de umha construçom multinacional, transcontinental.

O propósito é ambicioso e mal começa esta nova experiência. A vida ensinar-nos-á, em permanentes provas derivadas dos erros e os acertos, a ajustar e corrigir rumo, a avançar persistentemente com a ideia de fazer possível o aparentemente impossível mas absolutamente necessário.

A ALVA é umha aliança de carácter político, económico e cultural entre estados e governos revolucionários e progressistas, certamente aberta aos movimentos sociais. A ALVA criou acertadamente seu Conselho de Movimentos Sociais num escalom parecido ao conselho de governos. Resume assim um projecto integrador que supera o simplesmente estatal e comercial. Isso é muito positivo e o MCB deverá lhe dar apoio e tentar forma de participaçom no Conselho de Movimentos Sociais e em projectos extra-governamentais apoiados pola ALVA. Quanto mais sustenta e participaçom do povo se lhe de à ALVA, muito melhor será esse formidável instrumento integrador. O território actual da ALVA limita-se a nove países da regiom e algumhas outras iniciativas de carácter nom governamental noutros países. Nom prevê participaçom de partidos e movimentos políticos revolucionários no seus mecanismos.

O MCB nom será um espaço pró estatal-governamental, nom depende de nengum Estado ou governo por avançado que for. É um movimento independente, revolucionário, zeloso de sua autonomia e nom sujeito a interesses de Estado (nem onde há governos progressistas que apoiamos, nem onde continua o império das direitas e a recolonizaçom neoliberal). Inclui partidos e movimentos políticos revolucionários junto a organizaçons sociais, culturais, individualidades e lideranças diversas. O seu palco de acçom é todo o continente e para além, em tenta da profundizaçom dos processos transformadores e das reformas avançadas, em interesse de contribuir para produzir as mudanças políticas avançados onde nom se conseguírom; todo isto em direcçom a levar a cabo as novas revoluçons e a emancipaçom política e social da Pátria Grande, em direcçom às transiçons revolucionárias para o socialismo.

ALVA e MCB som duas expressons de unidade diferentes, que podem se completar entre si e com outras, que nom tenhem que ser paralelas se nom convergentes.

ABP CCS. Os revolucionários recusamos as últimas investidas do imperialismo –as novas bases militares na Colômbia e Panamá, o golpe de estado nas Honduras, et cetera. Mas estas som também sintoma do desespero do imperialismo. Como com qualquer agudizaçom da crise do capitalismo, também é possível que a saída desta se converta em um passo adiante para nós. Poderias comentar sobre a perspectiva da eliminaçom total do imperialismo ianque no continente num futuro nom tam longínquo?

NIC. Sintomas de desespero dentro de sua decadência. Mas, em fim, sintomas perigosos.

A besta ferida torna-se a cada vez mais agressiva. Nom é acidental que isto esteja a passar após alguns exagerar ilusoriamente o significado da vitória de Obama.

O imperialismo nom é simplesmente um presidente. O presidente de EU nesta fase imperialista no máximo pode enfatizar as iniciativas do império decadente e militarizado, dar-lhe um ou outro estilo, isto é, tentar matar com certa macieza ou com certa ou grande com dureza.

O capitalismo e o imperialismo, e muito especialmente o estado-unidense (que é o centro do sistema) estám em crise maior.

Toda a civilizaçom burguesa está em crise.

O imperialismo, repito, está em decadência e altamente militarizado, à procura de tornar fiável a sua hegemonía rasgada e superar as suas carências estratégicas.

Daí a sua alta agressividade e a contra-ofensiva descrita no acontecimento a que fai referência esta pergunta e que também mencionei mais acima.

Nas Honduras nom conseguírom porque a resistência popular tem sido formidável.

Essa é a constante fundamental e o principal valor da actual onda de mudanças. Os povos, ainda com escassas conformaçons de vanguarda, nom estám dispostos a transigir com a ignomínia. Resistem com dignidade e rebelam-se altivamente. Enquanto o imperialismo, ainda em grandes dificuldades, persiste em seus desígnios avasallantes e ampla sua accionar contra as reformas avançadas e as perspectivas de revoluçom.

O imperialismo e os seus aliados estão empantanados nas Honduras, mas proponhem-se golpear no Paraguai e nom desistem de desestabilizar a Venezuela, Equador, Bolívia… com a ajuda do regime de Uribe, do paramilitarismo e das suas bases militares. nom abandonam a sua intençom de estrangular Cuba e derrotar sua revoluçom de mil maneiras.

Nom tenhem podido com a heróica insurgência colombiana, mas continuam a tentar agredir em maior escala e com poderosas técnicas de extermínio.

Assim som.

A crise nom basta para o derrotar. A crise capitalistas som oportunidades para fazer revoluçons e as grandes crises som grandes oportunidades. Só isso, pois elas por si sozinhas nom geram as mudanças revolucionárias.

Há que criar e desenvolver as forças capazes de derrotar todas suas estratégias, com iniciativas em todos os terrenos. Isso nom tem tempo.

Agora vivemos umha grande oportunidade para o conseguir.

Esta é umha época propícia para grandes mudanças.

A crise, repito, é umha grande oportunidade, e a onda está em marcha. O “fantasma” de Bolívar caminha por toda nossa América.

Tudo vai depender do que juntos consigamos fazer.

As revoluçons, menos ainda umha revoluçom continental, nom caem do céu.

Há que as pôr em marcha, as criar, as desenvolver.

Só umha vitória total poderia eliminar ao imperialismo para entom avançar para a justiça plena. Aceleremos o passo para que seja o antes possível e conclua esta tragédia.