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Violência machista: imprescindível para a dominaçom patriarcal

Quinta-feira, 19 Novembro 2009Um Comentário

Rute Cortiço

A violência machista é a a violência que praticam os homens contra as mulheres em todas as partes do mundo, exemplos som assassinatos maciços de mulheres de dimensons de feminicídios na Guatemala, Ciudad Juárez, Colômbia… crímes contra mulheres em zonas de guerra, mutilaçons sexuais… na Galiza ,no que vai de ano, já contamos com 5 mulheres mortas e a violência machista perpetua-se na gente mais nova. As estruturas económicas, políticas e religiosas estám a manter e a perpetuar umha organizaçom patriarcal da sociedade onde se encontra enraizada a violência machista, umha realidade implantada em todo o planeta, e que mostra a sua face mais descarnada em situaçons de guerra, tráfico de pessoas, exploraçom sexual… milhares e milhares de manifestaçons da violêcia machista contra as mulheres que nos desbordam.

Mas hoje abordarei os aspectos da violência contra as mulheres que se produzem no ambiente mais próximo, o que é tangível para nós e onde mais ou menos podemos incidir: no Estado espanhol acontecem uns cem assassinatos de mulheres por violência maschista, decretada a igualdade entre homens e mulheres com umha Lei Orgánica contra a violência de género, com julgados especiais… que é o que falta?

Porque violência machista?

Comecemos por por-lhe nome ao este fenómeno, um nomem o mais correito possível, já que o que nom tem nome nom existe, ou o que tem um nome confuso ou difuso será propício à confusom, e nom devemos permitir nengumha confusom, devemos nomear a violência com claridom para a visibilizarmos. Nós falamos da violência que exercem os homens, individual ou colectivamente contra as mulheres para impor e fazer permanente o seu controlo e dominaçom, assim fica definido o sujeito executor, os homens e o sistema de dominaçom patriarcal e o sujeito receptor e submetido, as mulheres.

Nom aceitamos o termo violência doméstica ou familiar, já que a violência contra as mulheres nom se tem porque dar obrigatóriamente no ámbito familiar, além esta terminologia tem umha clara conotaçom invisibilizadora já que nom se nomeiam as mulheres e som equiparadas com a familia. O termo violência de género também nom é acaído já que nom é correcto identificar as mulheres com um género que como sabemos é umha construçom social. Outros termos utilizados comunmente polo meios de informaçom como “crime passional”, “ataque de ciúmes”, “arroutada”, som ainda menos recomendáveis, já que nestes casos, além nom reflectir a carga machista da agressom, resta-se importáncia ao mesmo facto de que foi um assassinato, e incluso podem ter umha repercussom positiva sobre o assassino.

Assim, em muitas ocasions temos a sensaçom de que o tratamento nom é o adequado e de que a visibilizaçom que se dá nos meios nom serve à causa feminista, e sim serve a outros interesses, morbo, talvez. Quando escuitamos a notícia, esta caracteriza-se por umha descriçom escrupulosa da agressom violenta, e vai seguida de umha condena, depois sucedem-se os relatos das pessoas que tem arredor… e finalmente a agredida mostra-se como um ser vitimado, indefeso, sem recursos, sem possibilidade de se defender…

É isto o correcto?

Se calhar, o relato tinha que ter começado muitos anos antes, quando a educaçom tanto por parte das instituiçons educativas, como por parte de família, meios de comunicaçom, religiom, mass media, mundo laboral, linguagem sexista… imprimem em nós os roles masculino e feminino, mediante um currículum oculto que digerimos sem sermos conscientes.

Criamos umha realidade estereotipada ‘do grupo social das mulheres’ e do ‘grupo social dos homens’ aplicam-se-nos a tod@s umha série de características fixas que se tomam como válidas em geral. Assim os traços individuais som anulados. Embora representem imagens desvirtuadas e erradas da realidade, som muito resistentes, porque escapam ao controlo da razom e tenhem umha importante e valiosa funçom social: criam e mantenhem umha ideologia social e umhas práticas que, apoiadas em estereótipos, estabelecem e sustentam diferenças e hierarquias na valorizaçom de uns grupos sobre outros. Os estereótipos sexistas, que privilegiam e destacam a cultura e os valores masculinos, constituem umha manifestaçom do patriarcado como universo simbólico hegemónico. Assim, a partir um modelo social androcêntrico, somos preparadas psicologicamente para que esta sociedade atribua a cada sexo um papel activo, protagonista e empreendedor para os rapazes ou passivo e secundário para as raparigas. Outro traço seria a invisibilidade, a visom sesgada e androcêntrica da história ignora os contributos das mulheres no desenvolvimento da humanidade. Deste jeito, cria-se um desequilíbrio social já que a sobrevalorizaçom das actividade realizadas polos homens tem claras repercussons na consideraçom cara às mulheres e de aquelas actividades que elas realizam, dando lugar à menor valorizaçom das profissons denominadas femininas.

Criam-se nas jovens as condiçons necessárias para umha personalidade passiva, dócil, amável… com objetivos vitáis como ter um marido, ter um trabalho no que o normal é cobrar menos que o homem, umha relaçom com o companheiro de submissom e negaçom da própria personalidade, na televisom todos os dias como algo quotidiano, imagens de mulheres invisíveis, agredidas, escravas… Todo um caminho de violência sistemática, silenciosa, subtil, inferioridade, um longo trabalho prévio que permitirá que finalmente se chegue à agressom com total normalidade.

Em conclusom, quando umha mulher chega ao ámbito penal já viveu todo um caminho de agressons nom penáveis, o itinerário que deverá seguir esta mulher para entrar no jogo do Código Penal será primeiro converter-se numha vítima e denunciar o caso judicialmente; a partir de esse momento, começam a pôr-se em andamento umha série de ajudas que se atribuem porque a mulher agredida é um ser incapaz, inútil, desamparada, há que dizer-lhe o que tem que fazer e actuar por ela.

Seria um insulto para a inteligência das mulheres pensar que vamos acreditar essas teorias segundo as aquais se erradicará a violência machista com medidas legais ou institucionais, já que som essa mesmas instituiçons as que estám a conservar esta ordem social de autoritarismo patriarcal.

A alternativa será analisar as raízes da violência contra as mulheres, actuar sobre as causas e dotar as próprias mulheres (em vez de as victimizar) das ferramentas necessárias para que elas mesmas iniciem a sua luita e a sua resistência.

O que reinvindicamos vai além das ajudas económicas e vantagens de ser vítima, o que queremos nom é arranjar do melhor jeito possível a vida de umha mulher maltratada, o que queremos é que nom aconteçam mais agressons, queremos liberdade, autonomia e independência para as mulheres poderem desenhar as suas vidas sem cair em relaçons de dependência que as levarám ao maltrato e inclusive à morte. Acabar com as situaçons que propíciam que as mulheres sejam identificadas como inferiores, umha muito destacável é o casamento, onde o homem pode exercer a sua autoridade, controlo e prepotência do seul rol masculino com toda a legitimidade e criar espaços de apoio, como comités anti-agressons, onde se facilite as mulheres as ferramentas acaídas e de onde se faga pública essa violência em diferentes ámbitos, incluso no do agressor, poderia ser um começo.