Abrente

Ediçons digitais da publicaçom trimestral do nosso partido

Documentaçom

Textos e outros documentos políticos e informativos de interesse

Ligaçons

Sites recomendados de ámbito nacional e internacional

Opiniom

Artigos assinados sobre temas de actualidade galega e internacional

Video

Documentos audiovisuais disponíveis no nosso portal

Home » Opiniom

Venezuela: outra “contra” armada e importada

Terça-feira, 17 Novembro 2009

Narciso Isa Conde

A infecçom paramilitar colombiana está em marcha. O para-militarismo e a contrarrevoluçom armada estám em construçom na Venezuela sob o auspício do Pentágono, a CIA de EUA e o MOSSAD de Israel, através do regime narco-para-terrorista do Álvaro Uribe. As organizaçons narco-paramilitares colombianas, pretensamente desmobilizadas, estám fornecendo os efectivos necessários para conformar, desenvolver e desatar as forças da contrarrevoluçom armada que fundamentalmente persegue erodir a revoluçom bolivariana e criar as condiçons que permitam derrotá-la politicamente e/ou facilitar a intervençom militar directa dos EUA a pretexto de aplacar “a guerra civil”.

As sete bases militares estado-unidenses estabelecidas na Colômbia tenhem um tríplo propósito: atacar com mais poderio e intensidade tecnológica a até agora inderrotável insurgência interna, complementar a reactivaçom da IV Frota estado-unidense no projectado plano de conquista militar da Amazonia e reverter a revoluçom na Venezuela e as mudanças avançadas no Equador e na Bolívia.

O paramilitarismo na Venezuela foi concebido como avançada do plano desestabilizador e prólogo de umha eventual intervençom militar dos EUA; entendida esta como segunda fase e segunda opçom do programa contrarrevolucionário, sempre que se torne necessária.

Ambas opçons (“contra” armada e intervençom directa) fam parte da contra-ofensiva imperialista junto aos acordos para instalar outras bases militares no Panamá, aos desesperados esforços de continuidade do golpe de estado nas Honduras e à ameaça inesperadamente de estado no Paraguai.

O para-militarismo colombiano e a sua experiência acumulada

Um dos componentes do engendro estatal e para-estatal colombiano é o paramilitarismo associado aos carteis da droga. O mesmo conta com vinte e cinco anos de experiência no tráfico de drogas, lavagem, contrabando, sicariato, terror, massacres e torturas; extermínio das bases sociais das forças revolucionárias, democráticas e progressistas; deslocamentos forçados das populaçons indígenas, afrodescendente e camponesas em general; apropriaçom de terras mediante métodos cruentos; suborno e cooptaçom de organizaçons sociais, cooperativas e grémios de transportes, e formaçom por essas vias de eficazes redes de espionagem.

Bons armamentos e enormes somas de dinheiro procedentes do narco-tráfico e de outras actividades delitivas, nutrem essas unidades para-militares estreitamente articulados às forças militares e policiais regulares e ao sistema político-institucional da Colômbia.

Exportaçom do produto por decisom imperial

A sua alta capacidade de reproduçom alentou a ideia da sua exportaçom a outros países, com importante componente dos planos contrarrevolucionários (de factura oligárquica, imperialistas e mafiosa), ali onde os EUA e as classes dominantes tradicionais perdêrom parcial ou totalmente o controlo de estados e/ou governos.

Essa possibilidade -junto aos sessenta anos de experiência em guerra suja e à capacidade expansionista do narco-capital acumulado- determinou que a Colômbia, na sua condiçom de país intervindo e tutelado por um imperialismo pentagonizado, se lhe esteja atribuindo a mais em mais nesta regiom um papel parecido ao de Israel no Médio Oriente.

No Equador há demasiada sinais dessa infiltraçom contaminante, além de ter sido vítima de umha agressom directa na lógica uribista de estender a sua política persecutoria além das suas fronteiras.

Na República Dominicana e em toda a ilha que compartilhamos com o Haiti, sob a direcçom do general Montoya (a partir do seu cargo de embaixador colombiano no nosso país e com a anuência do governo dominicano de Leonel Fernández), estám em andamento agressivas políticas de expansom desse Estado narco-para-terrorista sob tutela norte-americana.

Na Venezuela, país com umha longa fronteira comum com a Colômbia e umha imigraçom colombiana de cerca dos cinco milhons de pessoas, vai a sério e está em marcha o propósito de construir umha força contrarrevolucionaria armada a partir do paramilitarismo colombiano, desenhada como factor chamado a provocar umha grande descomposiçom política e social ao interior desse país.

Os avanços do paramilitarismo colombiano na Venezuela

O narco-para-militarismo colombiano já tem forte presença nos Estados venezuelanos fronteiriços com  a Colômbia: Zulia, Táchira, Apure e Barinas.

Nos casos de Zulia e Táchira, tem o controlo das governanças e muitas cámaras municipais da direita. Em Apure e Barinas avança a contaminaçom de cámaras e doutras instituiçons estaduales.

Nessas zonas a sua infiltraçom inclui o suborno de umha parte das autoridades civis e militares bolivarianas.

Dessa maneira controlam o tráfico e lavagem de drogas e dinheiro, cobram quotas pola protecçom a comerciantes que eles mesmos ameaçam, controlam o contrabando de combustíveis e alimentos para a Colômbia, controlam sindicatos de taxistas e transporte interurbano de carga e passageiros, compram latifúndios, associam-se a capitais locais, aliam-se e/ou financiam politiqueiros venezuelanos e montam empresas próprias.

A presença do paramilitarismo colombiano na Venezuela já é praticamente nacional, incluindo implantaçons fortes em Caracas (especialmente no populoso sector de Petare).

Ao crescimento em Caracas soma-se umha forte expansom em Sucre, Delta Amacuro e na regiom amazônica.

Como fenómeno nom só militar-criminoso, como também económico, social, cultural… infecta com os seus anti-valores muitos espaços, gera amplas redes sociais ao seu serviço, penetra os ambulantes e umha parte do resto da chamada “economia informal”, promove a pirataria de todo tipo… fazendo com que todo isto reforce também o seu labor de espionagem, controlo territorial e planos de subversom política.

Inclui no seu repertório a promoçom em videos e cançons das suas incondutas e “valores”, contaminado a consciência social.

Duas zonas estratégicas para a possível guerra de desgaste

Umha é a Cordilheira dos Andes convertida num longo corredor para transportar combatentes, armas e drogas para as cidades e zonas industriais da Venezuela.

Este “corredor andino” facilita um eventual controlo da zona petroleira de Zulia e permite um fácil acesso aos planos desse país.

A forte presença do paramilitarismo e a significativa implantaçom da direita venezuelana nessa regiom petroleira poderiam eventualmente servir em especial aos planos separatistas da oligarquia dessa rica zona sob estímulos dos EUA e do Estado colombiano, concebidos para rachar a unidade territorial desse país irmao e criar umha espécie de república “independente” ao serviço da contrarrevoluçom.

Outra zona estratégica é o Delta Amacuro, com características muito parecidas à  da Costa Atlántica da Nicarágua e difícil de penetrar por um exército regular; um área muito próxima a Trinidad-Tobago, com magníficas condiçons para o fornecimento a partir do exterior por via marítima e para a expansom por via fluvial para a segunda zona de maior importância industrial da Venezuela, a zona das suas indústrias básicas: o Estado Bolívar.

Ambas as zonas ficam muito distantes, nos extremos oriental e ocidental do país, o que em caso de tomada paramilitar dessas zonas proporia sérios problemas logísticos e de deslocamento às Forças Armadas Bolivarianas.

A isto agregam-se informaçons do deslocamento de um contingente paramilitar a mais de mil efetivos desde Colômbia à Guyana (país limítrofe com a Venezuela), financiado polo “Zcar das Esmeraldas” e artífice da derrota militar do cartel de Medellín de Pablo Escobar, o capo Víctor Carranza, apontando o seu accionar para umha maior infiltraçom do ocidente venezuelano.

A expansom implica auge do contrabando, dos seqüestros, do sicariato, das extorsons, da lavagem, compra de herdanças e outras propriedades e das operaçons de limpeza “social” a nome da luita contra a delinqüência a partir da sua própria delinquência (destinadas a ganhar apoio em bairros populares e comunidades).

Ambas zonas estratégicas podem operar em pinça para o centro do país e muito especialmente para Caracas e Miranda, dada a enorme importância política dos seus municípios e concentraçons urbanas.

Além do mais, poderosas famílias latifundiárias e importantes grupos económicos venezuelanos estám cada vez mais articulados ao paramilitarismo, que fai às vezes de braço armado dos seus interesses e propósitos políticos nos seus respectivos territórios.

O narco age também como força expansiva da corrupçom que corrói áreas sensíveis do Estado, incluindo componentes das suas forças militares e policiais. Igual opera sobre alguns Conselhos Comunais e outros órgaos do poder popular, penetrando-o e infectando-o.

Existe umha relaçom proporcional entre a influência narco-paramilitar e a perda de base política da Revoluçom Bolivariana; o que obriga a enfrentar em forma mais eficaz e consistente, a partir das bases populares e da liderança política e governamental, este fenómeno pernicioso.

O sentido da guerra da “contra” para-militar fundido com a direita venezuelana

O paramilitarismo -repetimos- está em fase de penetraçom, criaçom de bases económicas, construçom orgánica, recrutamento, alianças, expansom e preparaçom da guerra contrarrevolucionária.

O seu accionar militar é ainda de baixo perfil: seqüestros menores e maiores, controlo militar de zonas, “limpezas sociais”, repressons a comunidades camponesas e indígenas, assassinatos de líderes sociais e políticos do processo…

Desatar a guerra civil está no norte próximo da sua dinámica, nom com pretensons de atingir a vitória militar, e sim como guerra de desgaste capaz de criar as condiçons para o avanço da direita pola via eleitoral combinada com distúrbios sócio-políticos que possibilitem a viragem política contrarrevolucionária ou as condiçons próprias para a intervençom directa estado-unidense-colombiana.

Venezuela: no centro da confrontaçom revoluçom-contrarrevoluçom e reformas avançadas-contrarreformas

Se o processo venezuelano devolveu actualidade e lhe deu dinámica expansiva à revoluçom continental, é explicável que as forças da contrarrevoluçom estejam tam convencidas da importáncia crucial de impor o retrocesso nesse país irmao por todas as vias ao seu alcance.

Trata-se de umha briga dura e transcendente para o povo venezuelano e os povos da nossa América.

O plano da “contra” para-militar e as perspectivas de intervençom militar estado-unidense convoca portanto a aprofundar a revoluçom na Venezuela, a tirar poder económico e base sócio-política à grande burguesia, às corporaçons estrangeiras e às máfias empresariais, a socializar em grande escala.

Convoca a limpar o seu Estado e órgaos de poder da contaminaçom narco-paraco e de outras variantes de corrupçom que os debilitam.

Convoca a mobilizar e armar o povo para junto às forças armadas regulares e as reservas militares estar em capacidade –se nom ficar outra opçom- de despregar a “guerra de todo o povo” ou, em melhor situaçom, de ao tempo de debilitar a sua implantaçom, dissuadir à “contra” e ao imperialismo dessa arriscada empresa militar depois de evidenciadas as suas incapacidades para vencer a resistência em termos de umha guerra irregular de carácter popular à luz da experiência histórica mundial e do que hoje acontece especificamente no Iraque, Afeganistám e Paquistám.

Só assim poderia evitar-se a guerra, encurralar a “contra armada” em formaçom, erodir as suas bases de apoio, assediar e desmantelar o para-militarismo, isolar política e socialmente “a contra” e dissuadir os inimigos da revoluçom dos seus planos de guerra e intervençom.

Chamar os povos de nossa América, nessa mesma direcçom, a isolar o engendro colombiano e a apoiar as forças internas capazes de derrotar o uribismo e de desatar um amplo movimento polo desmantelamento das bases gringas, é hoje umha alta prioridade do movimento revolucionário continental junto à solidariedade com o povo hondurenho e a denúncia da ameaça inesperadamente no Paraguai. Isto exige superar os preconceitos induzidos polo inimigo contra as FARC e restantes forças insurgentes para fortalecer a convergência interna da diversidade revolucionária e progressista e ampliar a solidariedade internacional.

Chamar a volcar as forças revolucionárias e progressistas da nossa América em defesa da revoluçom bolivariana, contra o regime narco-para-terrorista de Uribe e contra os planos de guerra de EUA, é realmente imperioso.

Considerar o regime colombiano como um perigoso engendro ao serviço da guerra imperialista, reconhecer a insurgência como “força beligerante” e sustentar com vigor a proposta de paz por umha nova Colômbia e um continente livre de bases e forças militares estado-unidenses, som posicionamentos importantes para avançar em direcçom a derrotar as diferentes fases do agressivo plano imperial colombo-gringo.

Sinais alentadores.

A unidade e a mobilizaçom dos povos e governos avançados é cada vez mais necessária.

Nom basta a acçom de governos revolucionários e progressistas condicionados polos interesses de Estado e as normas diplomáticas, todos os quais agora deveriam endurecer -e tenhem mais fundamento para fazê-lo- a sua reacçom contra o entreguismo e o banditismo do actual governo colombiano.

É necessário alentar as diversas respostas concomitantes por parte dos povos. E essa ideia está-se a abrir caminho, nom sem sensíveis atrasos e incompreensons herdadas de erradas leituras de corte reformista e pró-estatistas do processo continental.

Alenta o crescimento da consciência colectiva na Venezuela sobre estes temas, ainda pendente de um maior aprofundamento e de umha resposta mais contundente e coherenciada.

Alentam as recentes advertências do comandante Chávez sobre as ineficiências na gestom governamental e o mal da corrupçom estatal.

Alenta o crescimento da necessidade de umha resposta com a concepçom da guerra “assimétrica”, impensável sem a incorporaçom do povo venezuelano às tarefas de defesa da sua pátria e sem contemplar umha relaçom de cooperaçom com a FARC-EP e com toda a potencialidade insurgente do povo colombiano (com armas e sem armas). Impensável sem incorporar com força a continentalizaçom da resposta a esta contra-ofensiva imperialista até fazer realidade o novo Ayacucho.

Alenta que por parte do governo revolucionário venezuelano, do impacto da liderança do comandante Chávez, se esteja interiorizando a plena consciência o papel agressivo do regime de Uribe tutelado por Washington e os riscos actuais derivados da sua submissom e perversidade; todo isto com umha linha beligerante que pode contribuir para um maior conhecimento e grau de impugnaçom nacional e internacional da contra-ofensiva imperialista e do plano da “contra” armada de origem para-militar.

Está em jogo todo o conquistado e todo o possível de conquistar nesta onda de mudança alimentada sobretodo pola persistente insumisom dos nossos povos. Chegamos à “hora dos fornos”. Nom há tempo que perder nem lugar para as vacilaçons e inibiçons que facilitem os planos imperiais na Venezuela e mais além.

13 de Novembro 2009, Santo Domingo