O show do muro
Carlos Morais
Um capitalismo atravessando umha das piores crises sistémicas das últimas décadas emprega o vigésimo aniversário da queda do Muro de Berlim para incrementar ainda mais as elevadas doses de decibélios alienantes que necessita para existir.
Com enorme experiência nas piores artes da manipulaçom nom desaproveita a menor oportunidade para implementar velhas, mas sempre actuais, tácticas arteiras de propaganda.
Com tanto barulho contribui para desviar a atençom das dificuldades do presente, sementando desesperança entre oprimidos e oprimidas na sua cada vez mais necessária superaçom.
Nom vamos ser nós que realizemos um panegírico do sistema económico-social vigorante na desaparecida RDA, mas tampouco havemos de somar-nos ao hipócrita coro de oportunistas que colaboram em ressaltar as excelências da sua queda para a “desejada unidade alemá, a construçom europeia e a democracia no mundo”. Meros sofismas!
“O desenvolvimento das forças produtivas sem ideologia nom me interessa”, afirmou com contundência e lucidez o Che em plena esplendor do modelo encabeçado por Willi Stoph.
O socialismo nom pode ser simplesmente umha distribuiçom equitativa da riqueza, tem que ser também a construçom de umha nova sociedade alicerçada sobre novos valores e umha nova moral na que a participaçom popular derive de umha voluntária adesom.
O mundo de hoje tem mais muros que em 1989. Desaparecido um dos mitos anticomunistas mais eficazmente utilizados polos defensores da infámia que exporta miséria, dor e violência a todo o globo, o mundo actual nom é melhor que o de há vinte anos.
Reforçárom-se os muros tangíveis que já existiam. Outros fôrom construídos. Porém, hoje, todos eles estám convenientemente invisibilizados nas crónicas da imprensa burguesa embriagada da doutrina da “guerra fria”. Nem umha palavra dos milhons de toneladas de cimento com os que Israel isolou a Cisjordánia. Nem umha só linha ao que os Estados Unidos construiu no franco sul da sua fronteira com o México. Nem umha só mençom ao que Marrocos levantou para cercar o heróico povo saaraui. Ao que Espanha se afana por aperfeiçoar nos seus enclaves coloniais do norte de África. Ao que actualmente se levanta no Rio de Janeiro para selar a opulência das favelas miserentas. Zimbabwe, Kuwait, Uzbekistán, Índia… som outros exemplos dos muros que se fôrom edificando posteriormente à queda do de Berlim, mas que seica cumpre nom denunciar. Como muito, umha mençom ao que se levanta a dividir as duas Coreias.
Mas, frente aos arames farpados, blocos e torres de cimento, vedaçons electrificadas, minas, sensores, as mais variadas barreiras, que cercam e dividem povos, o capitalismo nas duas últimas décadas, nom cessou em aumentar o muro da desigualdade e a injustiça entre o norte opulento e rico e um sul cada dia mais empobrecido e saqueado. O imperialismo tem acelerado a sua estratégica de apropriaçom dos recursos devorando povos, aniquilando culturas, levando ao planeta ao holocausto ecológico. Os muros da opressom, exploraçom, e dominaçom patriarcal tenhem-se aprofundado. A assimilaçom espanhola sobre a nossa pátria nom deixou de incrementar.
Hoje há mais miséria, fame, guerras, exclusom e doenças no mundo das que havia naquela noite de 9 para 10 de Novembro de 1989. Nós nom temos, logo, nada que celebrar.



Carlos Morais: ‘O show do muro’…
O mundo de hoje tem mais muros que em 1989. Desaparecido um dos mitos anticomunistas mais eficazmente utilizados polos defensores da infámia que exporta miséria, dor e violência a todo o globo, o mundo actual nom é melhor que o de há vinte anos.
…
NOM ESQUECÉMOLOS muros de Melilha, O Sáhara, Israel, Corea…
“Menos mal que o mundo liberouse dumha praga cuase que bíblica, o comunismo, en verbas do desinformador Gabilondo “o comunismo apodreceu sem que ninguem o vencera”. Menos mal Inhaki…”
Agora vivimos en total liberdade, o mundo é umha panaceia do bom vivir. Que vaiam todos a tomar polo cú.
Si é gracioso cando menos que se fale da chegada da “liberdade” (vigiada) ao mundo coa queda do muro… cando ese mesmo mundo patrocina outros muros, em México, Palestina, Sahara, Ceuta e Melilla, etc. Ninguém fala de-les… so topei nos jornais umha leve resenha a valiente acçóm dum grupo de palestinia-nos que conseguiram derribar umha parte do muro que ilegalmente Israel construe dentro da súas fronteiras (aplausos a actual, que nom legítima, autoridade palestina)… também puidem ver um “chiste” moi real sob este muro, na que umha mulher palestiniana pasa por diante do muro e exclama, “que sorte a nosa! uns coleccionando os anaquinhos do muro de Berlím, e nos o te-mos eiquí enteirinho”…
Máis os problemas nom os fam só os muros que se vem… te-mos muitos que nom se vem máis ás veces som máis sólidos que o cimento e os que realmente separam ao terceiro mundo (de maneira interesasa), do mundo (in-) civilizado… recordo que numha vinheta de “El jueves”, um día aparecíam um grupo de persoas colhidas da mam celebrando a entrada na UE dos 25; “Por fim esta-mos todos juntos e pode-mos berrar que pode-mos viver sem as fronteiras… excepto para defender-nos dos malditos inmigrantes do sul!”…
Moi elocuentes nom som máis chistes… nom vou defender o modelo stallinista… máis nom consego ver em que milhorou o mundo dende a caída do muro… nim consego ver esa “liberdade”.
Fora da brincadeira polo seudonimo pareceme;caro Carlos :um bom artigo que amosa os muitos muros existentes.
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