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O show do muro

Segunda-feira, 9 Novembro 20094 Comentários

Carlos Morais

Um capitalismo atravessando umha das piores crises sistémicas das últimas décadas emprega o vigésimo aniversário da queda do Muro de Berlim para incrementar ainda mais as elevadas doses de decibélios alienantes que necessita para existir.

Com enorme experiência nas piores artes da manipulaçom nom desaproveita a menor oportunidade para implementar velhas, mas sempre actuais, tácticas arteiras de propaganda.

Com tanto barulho contribui para desviar a atençom das dificuldades do presente, sementando desesperança entre oprimidos e oprimidas na sua cada vez mais necessária superaçom.

Nom vamos ser nós que realizemos um panegírico do sistema económico-social vigorante na desaparecida RDA, mas tampouco havemos de somar-nos ao hipócrita coro de oportunistas que colaboram em ressaltar as excelências da sua queda para a “desejada unidade alemá, a construçom europeia e a democracia no mundo”. Meros sofismas!

“O desenvolvimento das forças produtivas sem ideologia nom me interessa”, afirmou com contundência e lucidez o Che em plena esplendor do modelo encabeçado por Willi Stoph.

O socialismo nom pode ser simplesmente umha distribuiçom equitativa da riqueza, tem que ser também a construçom de umha nova sociedade alicerçada sobre novos valores e umha nova moral na que a participaçom popular derive de umha voluntária adesom.

O mundo de hoje tem mais muros que em 1989. Desaparecido um dos mitos anticomunistas mais eficazmente utilizados polos defensores da infámia que exporta miséria, dor e violência a todo o globo, o mundo actual nom é melhor que o de há vinte anos.

Reforçárom-se os muros tangíveis que já existiam. Outros fôrom construídos. Porém, hoje, todos eles estám convenientemente invisibilizados nas crónicas da imprensa burguesa embriagada da doutrina da “guerra fria”. Nem umha palavra dos milhons de toneladas de cimento com os que Israel isolou a Cisjordánia. Nem umha só linha ao que os Estados Unidos construiu no franco sul da sua fronteira com o México. Nem umha só mençom ao que Marrocos levantou para cercar o heróico povo saaraui. Ao que Espanha se afana por aperfeiçoar nos seus enclaves coloniais do norte de África. Ao que actualmente se levanta no Rio de Janeiro para selar a opulência das favelas miserentas. Zimbabwe, Kuwait, Uzbekistán, Índia… som outros exemplos dos muros que se fôrom edificando posteriormente à queda do de Berlim, mas que seica cumpre nom denunciar. Como muito, umha mençom ao que se levanta a dividir as duas Coreias.

Mas, frente aos arames farpados, blocos e torres de cimento, vedaçons electrificadas, minas, sensores, as mais variadas barreiras, que cercam e dividem povos, o capitalismo nas duas últimas décadas, nom cessou em aumentar o muro da desigualdade e a injustiça entre o norte opulento e rico e um sul cada dia mais empobrecido e saqueado. O imperialismo tem acelerado a sua estratégica de apropriaçom dos recursos devorando povos, aniquilando culturas, levando ao planeta ao holocausto ecológico. Os muros da opressom, exploraçom, e dominaçom patriarcal tenhem-se aprofundado. A assimilaçom espanhola sobre a nossa pátria nom deixou de incrementar.

Hoje há mais miséria, fame, guerras, exclusom e doenças no mundo das que havia naquela noite de 9 para 10 de Novembro de 1989. Nós nom temos, logo, nada que celebrar.

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