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Do bilingüismo harmónico à livre eleiçom

Quarta-feira, 25 Março 20093 Comentários

 

 Maurício Castro analisa a nova etapa que enfrentamos como comunidade lingüística, com o espanholismo disposto a incrementar a imposiçom lingüística e o galego em posiçom de grave risco pola perda de falantes.

Do bilingüismo harmónico à livre eleiçom

 

 

Maurício Castro

 

No meio de tanto ruído em torno do idioma como tem havido nos últimos meses, é importante sermos capazes de analisar se os fenómenos em curso respondem a umha simples sucessom de factos casuais e isolados ou suponhem um salto a umha nova fase do processo substitutivo em vigor no nosso país.

 

Nom é preciso lembrar aqui qual tem sido o eixo vertebrador do discurso oficial em matéria de língua na Galiza das últimas três décadas. As virtudes do bilingüismo harmónico ou equilibrado tenhem servido de enquadramento teórico das políticas desenvolvidas polos sucessivos governos autonómicos, desde Albor até Tourinho, passando por Laje e Fraga. Umha doutrina só questionada, do ponto de vista sobretodo teórico, polo nacionalismo galego nas suas diferentes correntes políticas e culturais. Falamos de um questionamento principalmente teórico porque, na hora de aplicar umha política de língua nas instituiçons em que governou, esse nacionalismo foi incapaz de apresentar umha estratégia alternativa à bilingüista; mas esse nom é agora o tema.

 

O tema é agora que o sistema autonómico, lançado em fins da década de setenta polo regime resultante da reforma ‘ordenada’ do franquismo, assumiu um discurso diferente, baseado num objectivo alegadamente “democrático”. Assim sendo, quem ia poder questionar tam louvável e igualitária meta como o tal “bilingüismo harmónico”?

 

Numha naçom ainda sem homologar com o projecto nacional espanhol como era a Galiza dos anos 70, com umha esmagadora maioria galegofalante apesar de ter subsistido vários séculos sem soberania política, era necessário harmonizar o objectivo estratégico (a espanholizaçom) com a flexibilidade táctica (a falsa harmonia bilingüista). Isso explica as boas palavras com que a nova autonomia enfeitou as inoperantes políticas “normalizadoras” que nada normalizárom, a nom ser o entom minoritário espanhol.

 

E assim, entre boas palavras e nulas acçons, os últimos tempos estám a trazer-nos novidades no discurso desse nacionalismo espanhol que tanto gosta de se definir como “nom-nacionalista”. Foi assim que a recente campanha eleitoral serviu para a apresentaçom em sociedade de um reajustamento discursivo do mesmo projecto estratégico que até há pouco dizia aspirar a umha absurda repartiçom a 50% entre as duas línguas oficiais.

 

Nesta altura, a direita sem complexos e um importante sector do PSOE, unidos por umha ideia clara sobre a construçom nacional espanhola, estám a reformular os seus objectivos “democráticos” para a Galiza em matéria de língua. Se bem é certo que nunca praticárom com sinceridade essa ilusom dos 50%, sim legislavam e discursavam com essa falsa premissa, que nom só mantinha adormecidas as consciências no seio do nosso povo, como conseguiu ganhar para esse consenso envenenado umha parte substancial do nosso nacionalismo.

 

Como explicar, entom, que de repente o Partido Popular tenha mudado radicalmente o discurso para começar a falar em termos de “livre eleiçom dos pais”, o que em nengum caso admitiriam em relaçom à primacia constitucional do espanhol?

 

Para já, a mudança nom se produziu assim tam de repente. A ruptura do consenso do falso bilingüismo equilibrado e a mudança de discurso encenou-se com a rectificaçom no apoio parlamentar dado ao Decreto do ensino aprovado polo bipartido PSOE-BNG em 2007. Aí começou um período de dous anos em que o sector social mais ultra afim ao PP testou a possibilidade de acomodar o discurso e as práticas políticas a umha realidade social que já nom é a dos anos 70.

 

A tese desse novo discurso parte de um facto que considera favorável: na actualidade, a populaçom galegofalante, caso continue a se maioritária, deixou de ser esmagadoramente maioritária. Nas áreas urbanas e entre as pessoas mais novas, é, de facto, claramente minoritária, sem que saibamos ao certo em que medida, pois só contamos com dados relativos a 2004, facilitados pola RAG com cinco anos de atraso.

 

Nom temos nengumha dúvida que os ideólogos da construçom nacional espanhola vam à frente no estudo das tendências sociais no que a identidade, língua e demais parámetros nacionalitários di respeito.

 

Com a comunidade lingüística galega em recuo, acham que estám em condiçons de dar mais um passo à frente no processo substitutivo, sem simularem inocentes igualitarismos como os que nos tenhem feito engolir nas últimas décadas. Agora que já quase som mais as galegas e os galegos que falam mais ou só espanhol, porque continuar a vender o artifício do fifty-fifty?

 

O ensaio eleitoral do grupo liderado por Rosa Díez, com o apoio de grandes grupos financeiros e mediáticos, confirma os testes bem sucedidos com que o sistema institucional tenta avançar para um novo cenário em matéria lingüística.

 

Seria ingénuo duvidarmos que os estrategas do espanholismo tenham mantido sempre o mesmo objectivo assimilista, mas é claro também que a maneira como o atingir tem mudado consoante as circunstáncias históricas. Quando eram umha pequena minoria, conformárom-se primeiro com a tomada dos pontos nevrálgicos do comando militar e institucional da Galiza, económico e político depois, chegando à pura violência estrutural, física e simbólica do franquismo. A adaptaçom ao democratismo formal da “Espanha das autonomias” foi mais um passo na mesma direcçom e, na actualidade, podemos estar a assistir a umha nova fase em que, cada vez mais, o Estado espanhol e as suas forças de sustentaçom se mostrarám como o que realmente sempre fôrom, com a novidade de se arrogarem a representaçom da maioria social espanholfalante.

 

O movimento actual das placas tectónicas do panorama sociolingüístico galego conduz para umha estabilizaçom da maioria espanholfalante com todo o peso do poder a seu favor. Isso vai levar-nos a um risco tam certo como iminente para o futuro do nosso idioma, incrementado pola assunçom de posiçons neo-bilingüistas por parte de um sector crescente do nacionalismo galego.

 

Todo o anterior pode ajudar-nos a compreender que estamos diante da aplicaçom de um plano coerente e sistemático que mantém o objectivo histórico que Madrid nos reserva, com a inestimável colaboraçom da burguesia subsidiária galega: a definitiva espanholizaçom da Galiza.