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Parlamentarismo e via insurreccional

Quarta-feira, 25 Março 2009

 

Artigo de Carlos Morais sobre a actualidade do debate sobre a participaçom da esquerda revolucionária nos ámbitos institucionais e a necessidade de manter o programa emancipador da classe operária.

 

 

Carlos Morais (Publicado no Abrente nº 50)

 

A incorporaçom da classe operária como sujeito histórico, na política hegemonizada pola emergente burguesia e os esmorecentes velhos estamentos sociais do feudalismo, foi um processo convulso e violento. Desde o início, duas tácticas competírom por transformar a república burguesa parlamentar que Marx tam bem definiu como a mais eficaz forma de dominaçom política. Parlamentarismo versus via insurreccional –com as suas diversas variantes– provocou desde as primeiras décadas do XIX e todo o século XX grandes confrontos e portanto divisons entre as fileiras dos párias da terra.

A dilatada experiência de mais de 150 anos de luitas obreiras e populares nom deixa lugar a dúvidas. O excludente e elitista sistema de representaçom burguês, a partitocracia, logrou domesticar e fagocitar importantes segmentos do movimento obreiro e popular incorporando-o a sua perversa lógica. A patética história dos PCs e dos sindicatos oficiais, mas também de importantes correntes operárias combativas, participando e assumindo acriticamente as adulteradas regras do jogo parlamentar, que justifica e perpetua o capitalismo, está na origem da actual desmobilizaçom e penetraçom da ideologia burguesa no cerne da nossa classe. Os grupos parlamentares da esquerda nom se diferenciam dos da direita.

Porém boa parte das revoltas e revoluçons europeias –desde a Comuna de Paris até o Abril português, dos levantamentos operários dos alvores do século XX na Centroamérica até os recentes sucessos da Argentina, nom atingírom sucesso. Ou bem fôrom sufocados pola repressom ou bem mudárom de direccçom, adaptando-se na procura da tranquila e bem remunerada incorporaçom no sistema.

 

Portanto, isto significa que a Revoluçom, a tomada do poder polas grandes maiorias excluídas aplicando um processo de mudança radical do modo de produçom capitalista, suprimindo a propriedade privada, carece a inícios do século XXI de viabilidade, e tam só é umha romántica e boa intençom? As superstiçons e os fetichismos impostos polos donos do planeta pretendem que assim seja. Mas os seus desejos implementados com sangue, sofrimento e alienaçom chocam com a teimosa realidade.

A inevitabilidade da Revoluçom a que apelam as escolásticas interpretaçons da obra de Marx, partindo da cómoda inaniçom dos gabinetes e cátedras, tem-se constatado umha falácia que nos conduz a um beco sem saída.

O mesmo que acreditar na possibilidade de mudar o sistema mediante umha gradual acumulaçom de forças empregando a via eleitoral da democracia burguesa. Tampouco tem dado resultados a intervençom vanguardista de núcleos militantes que combatem sem a mais mínima ligaçom com as massas.

Nom há modelos pré-determinados, mas sim princípios gerais revolucionários. Sem organizaçom prévia, combinando a interacçom da(s) vanguarda(s) com estruturas amplas de massas, nom é possível converter a resignaçom e o mal-estar em confiança e oposiçom activa; a revolta espontánea em revoluçom com direcçom colegiada e legitimada, de clara orientaçom socialista; sem um paciente investimento em formaçom militante, elaboraçom teórica, intervençom social, participaçom nas luitas, enormes doses de sacrifícios, entrega e heroísmo, combinando-as dialéctica e criativamente com originalidade, as possibilidades de sucesso reduzem-se exponencialmente. A revoluçom bolchevique, a chinesa, a cubana, a vietnamita, a nicaraguana, tenhem constatado que a interligaçom destes factores e formas de luita som essenciais para a vitória.

 

A actual crise do modelo vigorante à escala planetária é mais profunda e séria do que reconhecem os amos do Capital. Querem solucionar com máxima urgência a grave avaria que padece. Sabem que nom tem arranjo estrutural. Agora só pretendem um apanho, ganhar tempo, evitar males maiores. Lamentavelmente o ciclo histórico que se esgota conta a seu favor com a fraqueza e a fragmentaçom do movimento obreiro e popular. Porém, o aviso é sério, saltárom os alarmes. As convulsons som inevitáveis. A capacidade e habilidade real de cada umha das duas forças em confronto determinará um ou outro resultado. A direcçom que adopte nom está pré-definida: ou umha recomposiçom, umha reciclagem, umha refundaçom dos actuais mecanismos de dominaçom para perpetuar a sua desordem umhas décadas mais, ou entom o início de um processo longo e contraditório no qual umha vaga contínua de luitas impossibilite umha nova mutaçom do capitalismo, avançando no imprescindível e vital tránsito para o Socialismo.

 

A Revoluçom Galega como parte intrínseca da mundial deve impulsionar a construçom de forças sociais tendentes a atingir a hegemonia popular para a tomada do poder empregando de forma complemetar e criativa todos, sem excepçom, os métodos de luita: legais, alegais e ilegais. A via reformista fracassou há décadas. A alternativa insurreccional nom só continua vigente, é a única via factível para transitar com sucesso da cada vez mais próxima descomposiçom do regime de partidos burgueses para umha democracia socialista que solucione as três grandes tarefas do nosso particular processo: independência nacional, superaçom da exploraçom da força de trabalho, e plena igualdade de género quebrando as bases do patriarcado.  

 

A subversom do capitalismo –que simultaneamente, por puro instinto e necessidade de sobrrevivência, vai experimentar profundas metamorfoses e endurecimento– nom vai ser resultado de votos e campanhas eleitorais. Para evitarmos o abismo a que nos conduz a oligarquia mundial e as suas corruptas sucursais locais, é necessário desenvolver o que Marx, Lenine e o Che nom se cansárom de transmitir nas suas sistemáticas análises: disciplinada organizaçom comunista para umha luita longa e dura. As espadas tenhem que estar em alto. Chegou a hora de serem desenbainhadas.