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Obama: cinismo maior

Quinta-feira, 22 Outubro 2009

Narciso Isa Conde

Se alguém pode pensar que a intençom do prémio é comprometer a que cumpra as suas promessas de paz e desmonte a política guerreirista do imperialismo que preside, há que lhe dizer que objectivamente esta decisom do júri serve sobretodo para pôr ao revés a actuaçom de Obama e lhe dar legitimidade mediática e licença internacional a nome da paz ao sua empenho na readequaçom dos planos de guerra dessa super-potência estado-unidense, os quais -para surpresa dos que se figérom exageradas ilusons em torno de sua vitória eleitoral- fijo seus o novo presidente desse país.

Mas além disso, como todo o prémio é inseparável do propósito de reconhecer méritos numha determinada direcçom do afazer humano, há que acrescentar que Obama carece deles em política de paz, já que inclusive tem intensificado a guerra no Afeganistám e aprofundado os seus planos guerreiros no Paquistám, segue sem resultados loables no Iraque, autorizou a instalaçom de cinco novas bases militares (mais outras duas existentes) e o relançamento do Plano Colômbia-Iniciativa Ainda, incrementou o orçamento militar do seu país, autorizou a fabricaçom de bombas de alto poder destruidor, mantivo o seu apoio a Israel, continuou muitos dos traços da anterior política exterior e garantiu a impunidade das forças estado-unidenses que sustentam o golpe nas Honduras e o engendro de Uribe na Colômbia.

Obama -tentando defender-se- considerou irónico que quem historicamente aqueles que tenhem condenado as intervençons dos EUA no Continente, lhe estejam agora “solicitando” umha atitude enérgica frente ao golpe nas Honduras.

Mas ele sabe muito bem que o Pentágono, a CIA, os seus oficiais da Base de Soto Cano, o seu Embaixador, o funesto Negroponte e inclusive certos assessores da senhora Clinton, preparárom esse golpe criminoso junto às onze famílias multimilionárias das Honduras, aos generais ultradireitistas e à partidocracia corrompida desse país.

Entom a ele nom se lhe está a solicitar que intervenha nas Honduras, e sim que anule a intervençom perpetrada. Que tire o tapete imperialista aos golpistas, ou que se retire definitivamente a máscara do “poder suave”.

Esta exigência em relaçom às Honduras nom tem nada de irónica. De ironia e cinismo estivérom carregadas as suas palavras ao referir as bases militares na Colômbia: para Barak isso nom é mais que um “invento”, porque a seu dizer “nom se trata de bases militares” mas de um velho “acordo de segurança” entre ambos países. Era boa!

Na verdade, a Colômbia é a plataforma de agressom para a conquista militar da América do Sul, enquanto as Honduras som o ponto de partida de um operativo estratégico que persegue reconquistar politicamente toda Centroamérica, após as vitórias políticas da FLSN e da FMLN na Nicarágua e El Salvador. E em todos os casos de reacçom militar, Obama nega-se a rectificar ou a contradizer as políticas dos falcons e a razom de ser do Complexo Industrial Militar.

Ao que parece, o “bondoso” presidente dos EUA quer-nos matar de maneira mais suave, usando palavras mais benévolas e elegantes do que as empregadas polos negociantes e fazedores de guerras. Agora abençoado com o prémio Novel da Paz.

Porque matar à grande perseguem as novas bombas super-inteligentes, as guerras de intervençom no Oriente e as tropas caminho do Afeganistám; e matar soberanias e seres humanos perseguem os factos ominosos que apontam de imediato para apoiar o regime narco-para terrorista de Àlvaro Uribe e desestabilizar processos como o venezuelano, o equatoriano e o boliviano, dentro da vertente continental de sua “guerra global” destinada a conquistar a Amazonia.

Obama quer ocultar essa realidade e nom pode. Nem sem prémio, nem com prémio.

Quando se di que há “dous Obama”, um é virtual e outro real, um para valer e outro de mentira, um de palavras voláteis e outro de factos que as negam. E como é preciso ver para crer, o Obama da paz singelamente nom existe, é umha falacia maior inocultável com o seu elegante cinismo, com a sua fina inteligência e com esse maltratado e imerecido prémio.