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Assim mentem os media e as instituiçons: manifestam-se 55.000 ultras e contam 1.200.000

Domingo, 18 Outubro 20092 Comentários

É umha velha estratégia, seguida de maneira especial e quase unánime contra o independentismo basco. Quem nom se lembra dos espacialmente impossíveis “mais de 6 milhons de espanhóis” nas manifestaçons pola morte de um vereador do PP no País Basco, em 1997? A última fantasia reaccionária está nestes momentos nas manchetes dos principais jornais da direita espanhola, bem como nas contas “oficiais” da Comunidade Autónoma de Madrid. Falam de até 1.200.000 pessoas numha manifestaçom anti-abortista em Madrid, quando os dados objectivos oferecidos por umha empresa “só” atingírom as 55.000 (que nom som poucos ultras juntos, de facto). Mas, será que umha informaçom real vai estragar umha manchete tam “divina” aos jornais, televisons e outros meios supostamente informativos?

Na verdade, integristas católicos, aznaristas e os restantes ultras do “Foro de la Família” que convocavam a manifestaçom de ontem chegárom a declarar que fôrom 2.000.000 as pessoas que, chegadas em centenas de autocarros de todo o Estado espanhol, se manifestárom em Madrid contra o aborto. A empresa Lynce, que realizou um estudo por encomenda da nada suspeita de subversiva Agencia EFE, afirma nas suas conclusons que, no máximo, podem ter participado 63.000 pessoas, já que reconhece umha margem de erro de 15% no seu estudo. Um estudo baseado na contagem pessoa a pessoa, segundo declarou um porta-voz da empresa.

Historicamente, o primeiro meio de comunicaçom a decidir levar a sério a contagem de participantes em manifestaçons foi o jornal basco EGIN, nos anos 80, popularizando umha técnica estimativa em funçom dos metros quadrados ocupados e o número de pessoas por metro quadrado. Um costume que, infelizmente, nom herdou o também basco diário Gara, que na multitudinária manifestaçom antirrepressiva de ontem em Donostia se limitou a falar de “milhares de pessoas”, como os restantes jornais do mercado.

Durante uns anos, um site catalám chamado Contrastant retomou o estudo científico da participaçom em manifestaçons, deixando em evidência as milionárias mentiras dos El País, La Razón, ABC, El Mundo e companhia. Porém, Contrastant deixou de funcionar em 2007.

Um blog espanhol chamado ‘El Manifestómetro’ retomou o bom hábito de denunciar com dados incontestáveis as sistemáticas manipulaçons mediáticas que, de maneira praticamente unánime, nos falam de mobilizaçons de “centenas de milhares” ou até de “milhons” de pessoas, quer contra o “terrorismo”, quer “em defesa da vida” ou por quaisquer outros motivos de interesse dos “democratas” a soldo do Estado e dos seus poderes económicos.

É claro que nom é esse o único recurso manipulador das vontades e moldador do pensamento único. Também se censuram informes independentes que denunciam os hábitos torturadores nas esquadras espanholas, e ate se ocultam imagens panorámicas em manifestaçons populares “grandes de mais”, quando “obviá-las” nos seus telejornais seria escandaloso de mais, para nom falarmos de como se oferecem sempre de maneira exclusiva as versons pró-sistema de qualquer acontecimento ou conflito social.

E nós? devemos também auto-enganar-nos?

Porém, nom som só os meios hegemónicos que inventam umha realidade virtual à medida dos seus interesses. Contagiado pola tendência dominante, é habitual que no seio do movimento popular também se difundam leituras totalmente subjectivas do número de participantes em manifestaçons cuja legitimidade nom deveria medir-se só em termos de assistência.

Há quem defenda que, já que todo o mundo o fai, também nós devemos fazê-lo. Há inclusive, e nom sabemos se isso é mais ou menos grave, quem acredite nos dados irrealistas que as entidades convocantes costumam lançar. Nunca foi essa a nossa posiçom, pois achamos, com Lenine, que a verdade é sempre revolucionária.