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Oficialidade única

Sábado, 17 Outubro 2009Um Comentário

Maurício Castro

É verdade que a actual política do PP tem como claríssimo objectivo a definitiva liquidaçom do campo social em que o galego subsiste, mesmo que o faga precariamente.  A actual Junta é sustentada nesta nova cruzada –que diria a caricata Gloria Lago– por importantes poderes económicos e mediáticos interessados nesse mesmo objectivo, que uns e outros pretendem realizar mediante a retirada de qualquer tratamento compensatório e, em simultáneo, com a socializaçom de um novo discurso. Um discurso dirigido à nova maioria social espanholfalante que, mui de mansinho, tenhem construído nas últimas três décadas.

Sempre insisto nas últimas três décadas porque foi coincidindo com a nova estratégia pseudodemocrática em relaçom ao galego, através da cooficialiade subalterna, que o nosso idioma entrou na sua actual fase pré-terminal. Se a urbanizaçom e a proletarizaçom acelerada da Galiza nas últimas décadas deixárom o galego sem o “nicho ecológico” que o mantivo milagrosamente vivo durante cinco séculos de exclusom institucional, a escolarizaçom universal e a necessidade do espanhol para qualquer promoçom social contribuírom nas últimas décadas de maneira determinante para favorecer umha deserçom em massa do idioma criado por este povo há mais de um milénio. Com efeito, na Galiza cumprem-se os três factores recorrentes em qualquer processo de extinçom lingüística, referidos pola sociolingüistica catalá Carme Junyent já em 1993: urbanizaçom, mudanças no sistema económico e no número absoluto de falantes.

Assim, enquanto a populaçom mantivo maioritariamente a sua adesom ao galego, a maquinaria estatal (política e económica) jogou à proposta bilingüista, umha ideologia inoculada nestas três últimas décadas em simultáneo com a subliminar mensagem da inutilidade do galego. Porém, sectores mediáticos como o representado pola Voz de Galicia, económicos como o poderoso Círculo Mercantil de Vigo e políticos como o que hoje governa a Junta, chegárom à conclusom de que já nom é preciso manter o consenso discursivo do bilingüismo. Daí que tenham iniciado a actual ofensiva.

Infelizmente, as forças alternativas a essa estratégia lingüicida continuam a apelar maioritariamente aos “consensos de todos estes anos”. Será que ainda nom se dérom conta de que esses consensos explicam a deriva actual e, afinal, servem aos mesmos interesses de fundo que agora levam a trocar o cliché do “bilingüismo harmónico” polo da “livre eleiçom”?

Mais umha vez, o autonomismo favorável a umha certa recuperaçom do galego cai no jogo do espanholismo. Se a inícios dos anos 90 se recusárom a admitir os dados dos estudos demolingüísticos que avançavam a situaçom actual, com um galego nom só minorizado, mas também minoritário, agora todo indica que voltarám a chegar tarde, para mal deste país, à conclusom de que a farsa dos consensos só serviu para preparar o terreno ao PP de Feijó.

Voltam a ser sectores mui minoritários os que estám a detectar a linha de continuidade existente entre esses consensos institucionais das décadas actual e de 90 (lembremos que o nosso nacionalismo rejeitou com firmeza a Lei de Normalizaçom Lingüística de 83 durante anos) e a nova política lingüística inaugurada após as eleiçons de 1 de Março. Por isso, em lugar de olharmos com saudade para aqueles anos em que seica caminhávamos para os utópicos 50%, devemos situar com clareza o nosso objectivo colectivo no único realista: a recuperaçom da hegemonia social para o galego. Outros povos já o conseguírom e o nosso também pode fazê-lo, com a condiçom de que seja assumido maioritariamente como única possibilidade de sobrevivência para esta velha comunidade lingüística.

Se realmente queremos umha Galiza galega e em galego, e nom simplesmente umha Galiza espanhola em que se permita o galego, devemos ser capazes de articular umha maioria social pola oficialidade única. Só assim poderemos exercer a nossa imprescindivel autodeterminaçom idiomática.