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A corrupçom por sistema

Domingo, 11 Outubro 2009

Maurício Castro

Tem razom o presidente da Junta da Galiza quando afirma que os novos dados sobre o financiamento irregular do seu partido nom representam “nengumha novidade”. De facto, as pessoas que conhecemos a notícia através dos meios de comunicaçom já temos perdido qualquer capacidade de assombro ou de indignaçom diante dos contínuos episódios de corrupçom política.

A ninguém estranha comprovar, periodicamente, que tal ou qual partido se financia irregularmente, até porque o conhecimento da corrupçom como essência do sistema actual está suficientemente socializado, graças ao grande trabalho dos diferentes partidos durante todos estes anos. Cousa diferente é que isso favoreça um questionamento a sério de umha democracia representativa tam deficitária como a espanhola em que vivemos.

Tal questionamento passaria pola defesa de um outro sistema, baseado no protagonismo e no controlo popular da cousa pública, numha democracia participativa que, até onde podemos enxergar, nom vemos recolhida em nengum dos programas dos partidos com representaçom parlamentar, que preferem continuar a “representar-nos”.

Nom é necessário referir a longa lista de casos de corrupçom demonstrada nos partidos políticos que vertebram o sistema representativo actual, que tenhem as mais diversas manifestaçons: tráfico de influências, nomeaçons digitais de parentes, cobrança de comissons ilegais em troca de licenças e contratos, subornos, enriquecimentos “inexplicáveis”, malversaçom de fundos públicos, presentinhos generosos de empresários…

Como melhor e mais patente mostra do tema que nos ocupa, encontramos os assuntos financeiros que envolvem a Família Real, cujo máximo expoente costuma situar-se nos primeiros lugares da lista dos principais milionários do mundo, o que nom se explica unicamente polo certamente injustificável orçamento com que a financiamos “por imperativo legal”.

Para além doutras consideraçons que pudessem ser feitas, um aspecto curioso do assunto da corrupçom é que costumamos saber dela só anos depois de ter acontecido. Assim, agora acabamos de ter conhecimento parcial dos “negócios” da sucursal galega do PP nos anos 90, o que permite a Feijó fazer de conta que o assunto nom lhe di respeito, mas só daqui a uns anos é que poderemos saber a que está a acontecer hoje mesmo com essas siglas –ou com outras igualmente sérias e responsáveis polo correcto funcionamento do sistema.

É, por isso, normal que Núñez Feijó considere irrelevante que o seu partido se financiasse irregularmente no passado. Que mais tem que o máximo responsável fosse o actual Presidente de Honra e Fundador, Manuel Fraga, actual senador autonómico graças aos votos unánimes de todos grupos representados no Parlamento autónomo galego? Tem razom Feijó. Depois de todo, quem nom estava à espera de algo assim?

A todo o anterior devemos acrescentar que o presidente da Junta e companhia som capazes de falar destes temas em tom moralista e até “exemplarizante”, confiantes como estám no “critério independente da justiça”.

Acaso nom sabemos, eles e nós, que nengum dos envolvidos no Caso Gürtel, ou como quer que se chame, acabará em prisom como um vulgar delinqüente que nom roubou o suficiente para se safar?